O setor supervisionado pela Susep — que reúne seguros, previdência aberta e capitalização — arrecadou R$ 68,32 bilhões no primeiro bimestre de 2026, queda nominal de 3,47% sobre igual período do ano passado. Dentro desse total, porém, o bloco mais diretamente ligado às seguradoras, de danos e pessoas sem VGBL, somou R$ 35,86 bilhões, com crescimento nominal de 2,35%. No mesmo intervalo, indenizações, resgates, benefícios e sorteios totalizaram R$ 40,47 bilhões, recuo de 11,58%.
O resultado agregado negativo veio da fraqueza dos produtos de acumulação e da capitalização. Até fevereiro, a acumulação arrecadou R$ 27,70 bilhões, com queda de 9,17%, enquanto a capitalização somou R$ 4,76 bilhões, baixa de 9,15%. Já nos seguros, o desempenho foi dividido: os ramos de danos arrecadaram R$ 22,82 bilhões, com recuo de 0,85%, e os seguros de pessoas somaram R$ 13,05 bilhões, alta de 8,45%.

Entre os produtos com melhor desempenho no bimestre, o destaque em pessoas foi o prestamista, com R$ 3,96 bilhões em prêmios e expansão nominal de 17,66%. Em danos, avançaram sobretudo fiança locatícia, com alta de 21,56%; patrimoniais-outros, 15,30%; garantia estendida, 12,43%; habitacional, 11,29%; e financeiros, 10,60%. O seguro de vida, principal linha do segmento de pessoas, arrecadou R$ 6,24 bilhões, com crescimento de 6,78%.
Os produtos mais próximos da estabilidade foram o seguro auto, que cresceu 1,84% em termos nominais, embora ainda tenha recuado 2,31% em termos reais, e o compreensivo, com alta nominal de 3,25% e queda real de 0,94%. Em pessoas, acidentes pessoais e viagem tiveram retrações moderadas, de 3,71% e 3,83%, respectivamente, o que indica um começo de ano mais lateral nessas carteiras. A própria Susep ressalva que parte dessas oscilações pode refletir movimentos sazonais em algumas linhas de negócio.
Do lado das quedas mais fortes, em danos temos os recuos de riscos especiais-energia, de 64,40%, que é algo sazonal com a renovação dos contratos centradas em meses específicos; microsseguros, de 56,22%; transporte, de 15,80%; riscos especiais-patrimonial, de 11,10%; responsabilidade civil, de 9,26%; e rural, de 8,07%. Em pessoas, as baixas ficaram concentradas em acidentes pessoais e viagem.
Pela comparação mais próxima entre os dados da Susep e a métrica da CNseg — somando seguros e capitalização, mas excluindo previdência aberta — o crescimento nominal do primeiro bimestre foi de cerca de 0,9%, bem abaixo da projeção anual de 8,5%. O retrato sugere que, por enquanto, só os seguros de pessoas estão efetivamente em linha com a expectativa da CNseg: o segmento cresceu 8,45%, praticamente no mesmo patamar da projeção de 8,6%, e o prestamista até roda acima do previsto. Já danos e capitalização começaram o ano abaixo do ritmo esperado, com destaque negativo para rural e transportes, enquanto o habitacional aparece mais aderente ao cenário projetado.



















