FONTE: Bloomberg
Os Estados Unidos estão dobrando, para US$ 40 bilhões, seu compromisso de fornecer garantias de resseguro a navios dispostos a atravessar o Estreito de Ormuz, com a inclusão de novos parceiros de seguros, incluindo AIG e Berkshire Hathaway. A medida, anunciada na sexta-feira, é o mais recente esforço dos EUA para reduzir preocupações em torno dessa via marítima vital e incentivar a retomada do tráfego, apesar de um bloqueio de fato pelo Irã e das hostilidades contínuas na guerra que já dura cinco semanas.
A Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA (DFC) havia anunciado no mês passado um programa de resseguro de US$ 20 bilhões. Na sexta-feira, a agência informou que Travelers, Liberty Mutual Insurance, Berkshire Hathaway, AIG, Starr e CNA se juntarão à seguradora americana Chubb para fornecer US$ 20 bilhões adicionais em resseguro para a estrutura marítima da agência.
O anúncio de sexta-feira traz os primeiros detalhes significativos divulgados publicamente pela DFC sobre o programa desde sua criação, há quase um mês. O fechamento efetivo do estreito — que responde por cerca de um quinto dos fluxos globais de petróleo e gás natural liquefeito — tem abalado os mercados e desencadeado uma ampla crise energética. “Junto com a Chubb, essas seguradoras americanas de ponta trazem ampla experiência em subscrição nos segmentos marítimo e de guerra marítima, fortalecendo nossos esforços para restaurar a confiança no comércio marítimo”, afirmou o CEO da DFC, Ben Black, em comunicado.
Donald Trump reiterou na sexta-feira sua frustração com o fechamento do estreito e com a falta de apoio de aliados para ajudar os EUA a reabrir a via marítima.
“Com um pouco mais de tempo, podemos facilmente abrir o Estreito de Ormuz, pegar o petróleo e fazer uma fortuna”, disse Trump em uma postagem nas redes sociais. Não ficou claro quais ações o presidente estaria considerando.
Ainda assim, empresas de transporte marítimo permanecem céticas quanto a uma retomada ampla das operações no Estreito de Ormuz, mesmo após a promessa de Trump de proteger navios e seu discurso em horário nobre na quarta-feira, no qual afirmou novamente que a guerra deve terminar em breve. A principal preocupação ao atravessar a rota marítima é o risco à vida das tripulações, já que o Irã continua a ameaçar embarcações com ataques de drones, mísseis e minas marítimas.
A DFC também informou que a agência e os parceiros de seguros definirão quais embarcações serão elegíveis para o programa de resseguro. Para se qualificar, a DFC exige que os solicitantes forneçam, entre outros dados, o país de origem e destino da embarcação; os principais beneficiários econômicos do navio e seu domicílio; o proprietário da carga e seu domicílio; e informações sobre os financiadores das embarcações.
Restaurar a confiança de operadores dispostos a navegar pelo Estreito de Ormuz é um dos objetivos mais urgentes dos EUA. Os preços globais de energia vêm subindo à medida que países enfrentam escassez de uma rota essencial de abastecimento de petróleo. A Índia — terceiro maior consumidor de petróleo do mundo e grande compradora de gás — foi particularmente afetada pela crise.
Nos EUA, os preços da gasolina ultrapassaram US$ 4 por galão pela primeira vez desde 2022, aumentando ainda mais a pressão sobre consumidores já afetados pelo alto custo de vida.
Embora a duplicação do compromisso de resseguro amplie as garantias financeiras, o programa ainda não inclui promessa de escolta naval, que teoricamente daria mais proteção às tripulações. Mesmo assim, pode não ser suficiente para convencer embarcações a retomar viagens pelo estreito.
“As taxas de seguro cairão, e a disposição de operadores comerciais de segurar e enviar cargas pelo Estreito aumentará, apenas depois que as capacidades militares do Irã forem reduzidas”, disse Bob McNally, presidente do Rapidan Energy Group, consultoria sediada em Washington, à Bloomberg News no início da semana.


















