As seguradoras, entidades de previdência aberta e empresas de capitalização arrecadaram R$ 36,17 bilhões em janeiro de 2026, de acordo com dados divulgados pela Superintendência de Seguros Privados (Susep). O montante representa alta nominal de 0,51% em relação ao mesmo mês de 2025, o que sinaliza um início de ano de estabilidade para o setor supervisionado. Em termos reais, porém, houve retração de 3,68%.
No mesmo período, as indenizações, resgates, benefícios e sorteios pagos à sociedade somaram R$ 21,71 bilhões. Desse total, R$ 6,70 bilhões vieram dos seguros, R$ 12,72 bilhões dos produtos de acumulação e R$ 2,30 bilhões da capitalização. Na comparação anual, o volume total devolvido à sociedade recuou 8,85% em termos nominais.
Dentro do mercado segurador, os seguros de danos e pessoas, excluindo o VGBL, arrecadaram R$ 18,28 bilhões em janeiro, com crescimento nominal de 1,91% sobre igual mês do ano passado. Em valores reais, entretanto, o segmento também registrou queda de 2,34%, mostrando que a expansão ainda não foi suficiente para superar a inflação no período.

Nos seguros de danos, a arrecadação alcançou R$ 11,78 bilhões, queda nominal de 2,19% frente a janeiro de 2025. O seguro auto, principal linha do segmento, somou R$ 4,98 bilhões e avançou 1,85%, respondendo por 42% dos prêmios de danos. Outros destaques positivos vieram de seguros financeiros, com crescimento nominal de 22,64%, fiança locatícia, com alta de 26,13%, e garantia estendida, que subiu 17,94%. Em sentido oposto, rural, transporte e responsabilidade civil abriram o ano em queda.
Já os seguros de pessoas mantiveram ritmo mais forte de expansão. O segmento arrecadou R$ 6,50 bilhões em janeiro, com alta nominal de 10,28% e crescimento real de 5,68%. O seguro de vida somou R$ 3,11 bilhões, avanço nominal de 9,38%, enquanto o prestamista alcançou R$ 1,96 bilhão e teve um dos melhores desempenhos do boletim, com expansão de 20,05%. O ramo de vida respondeu por quase 48% do total de seguros de pessoas no mês.
Nos produtos de acumulação, que englobam VGBL, PGBL e previdência tradicional, as contribuições atingiram R$ 15,50 bilhões. O resultado ficou praticamente estável em termos nominais, com alta de 0,33%, mas caiu 3,86% em termos reais. Ainda assim, a arrecadação superou o pagamento de resgates e benefícios em R$ 2,78 bilhões no mês, reforçando o ingresso líquido positivo desses produtos no início de 2026.
O boletim de janeiro também chama atenção para a evolução das provisões técnicas, indicador que traduz a capacidade do setor de honrar compromissos futuros. Em janeiro, o estoque total chegou a R$ 2,08 trilhões, alta nominal de 12,58% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Esse volume correspondeu a 16,27% do Produto Interno Bruto, acima dos 15,6% observados em janeiro de 2025.
Na média dos últimos cinco anos, o crescimento nominal do total de provisões foi de 12,9%, acima da expansão média do PIB nominal, de 9,1%, segundo a Susep. O dado reforça o peso crescente do setor de seguros, previdência aberta e capitalização na formação de poupança de longo prazo e na sustentação da proteção financeira da economia brasileira.


















