CNseg: seguradoras colocam em ação plano emergencial para atender clientes e não clientes em MG

Setor adota protocolo especial de calamidade, acelera indenizações e reforça discussão com governo sobre seguros para pessoas e infraestrutura pública

O presidente da Confederação Nacional das Seguradoras, Dyogo Oliveira, afirmou que o setor segurador brasileiro já colocou em prática um protocolo especial de atendimento diante das fortes chuvas que atingiram cidades da Zona da Mata mineira, com dezenas de mortes e impactos severos sobre a população e a infraestrutura local. A declaração foi dada após reunião convocada pela Superintendência de Seguros Privados com representantes de seguradoras e entidades do mercado, realizada nesta manhã de segunda-feira.

Segundo ele, em situações de calamidade pública as companhias adotam medidas extraordinárias para garantir agilidade e reduzir burocracia. “Normalmente são acelerados os pagamentos e as avaliações de indenizações, reduz-se a exigência de documentos e facilita-se a sua apresentação. Em alguns casos, as seguradoras chegam até a provocar os clientes, ligando ou enviando mensagens para verificar se houve sinistro relacionado à apólice”, explicou.

De acordo com o dirigente, esse procedimento já está sendo aplicado nas cidades mineiras afetadas, bem como em outras regiões impactadas por eventos climáticos extremos. Além disso, diversas seguradoras disponibilizaram equipes e equipamentos de resgate para apoio local. “Uma vez que o equipamento está na rua, ele acaba atendendo também veículos sem seguro, ajudando a liberar vias e a remover automóveis que estejam impedindo o trânsito. Há um esforço de atenção mesmo para quem não é segurado”, destacou.

Paralelamente às ações emergenciais, o setor iniciou o levantamento de dados para dimensionar o tamanho dos prejuízos e avaliar as consequências econômicas dos eventos. O objetivo é subsidiar tanto o pagamento de indenizações quanto a formulação de políticas públicas mais estruturadas.

A reunião desta manhã, promovida pela SUSEP, reuniu entidades como a Federação Nacional dos Corretores de Seguros e representantes de diferentes segmentos com atuação nas áreas afetadas. Para o presidente da CNseg, o encontro foi “muito proveitoso” e evidenciou a necessidade de avançar na construção de ferramentas estruturadas que permitam não apenas a absorção dos riscos e o pagamento de indenizações, mas também atuem como instrumentos de prevenção e preparação da infraestrutura municipal, estadual e federal para lidar com eventos climáticos cada vez mais frequentes.

Nesse contexto, ele lembrou que o setor já disponibilizou uma ferramenta de risco de alagamento, recomendando que a população consulte o instrumento e que as seguradoras utilizem essas informações para desenvolver produtos mais adequados aos riscos climáticos.

Entre as propostas discutidas, está a possibilidade de identificar, no Sistema de Registro de Operações (SRO), os pagamentos de sinistros relacionados a desastres naturais, permitindo maior transparência e acompanhamento estatístico. A SUSEP ficou de avaliar a viabilidade da medida.

Também foi debatida a construção de uma solução de seguros por meio do Fundo Nacional de Calamidades Públicas. O fundo já existe, mas atualmente não pode operar por meio de seguros. “Eventualmente seria necessário alterar a lei para que ele pudesse atuar com seguros”, afirmou o presidente da CNseg, ressaltando que a proposta foi bem recebida, embora ainda não haja decisão definitiva.

Para o dirigente, o momento exige mobilização e ações concretas. “As seguradoras e resseguradores podem ser um mecanismo importante para reduzir o impacto nos orçamentos públicos e gerar uma resposta mais rápida para atendimento da sociedade”, concluiu, reforçando que o setor seguirá colaborando intensamente com o grupo de trabalho criado pela SUSEP para analisar soluções específicas para cada tipo de desastre.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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