Swiss Re lucra US$ 4,8 bi em 2025, alta de 47%, e anuncia recompra de até US$ 1,5 bi

Resseguradora atinge maior lucro de sua história, melhora índices combinados em P&C e Corporate Solutions, eleva dividendo em 9% e mantém forte posição de capital com SST de 250%

A suíça Swiss Re encerrou 2025 com lucro líquido recorde de US$ 4,8 bilhões, crescimento de 47% em relação aos US$ 3,2 bilhões registrados em 2024, superando a meta de mais de US$ 4,4 bilhões estabelecida para o ano.

O retorno sobre o patrimônio (ROE) atingiu 19,6%, ante 15% no exercício anterior. Segundo o CEO Andreas Berger, o desempenho reflete disciplina técnica, forte resultado financeiro e menor impacto de grandes perdas ao longo do ano, exceto no primeiro trimestre.

“O lucro líquido atingiu o maior nível da nossa história, refletindo subscrição disciplinada, forte retorno sobre investimentos e baixa atividade de grandes sinistros fora do primeiro trimestre”, afirmou Berger.

O resultado de subscrição — medido pelo insurance service result — avançou 36%, para US$ 5,8 bilhões. A receita de seguros totalizou US$ 43,1 bilhões, frente a US$ 45,6 bilhões no ano anterior.

O Conselho proporá dividendo de US$ 8,00 por ação na Assembleia Geral de 10 de abril de 2026, alta de 9%. A companhia também anunciou recompra de até US$ 1,5 bilhão em ações ao longo de 2026, incluindo US$ 500 milhões dentro do programa anual sustentável de buyback.

O CFO Anders Malmström destacou que o aumento na remuneração aos acionistas reflete a forte geração de capital e maior resiliência do grupo. A posição de capital segue robusta, com índice Swiss Solvency Test (SST) estimado em 250% em 1º de janeiro de 2026, já considerando os efeitos das ações de repatriação de capital.

P&C Re lidera desempenho

A divisão Property & Casualty Reinsurance (P&C Re) entregou lucro líquido de US$ 2,8 bilhões, mais que o dobro dos US$ 1,2 bilhão registrados em 2024. O índice combinado melhorou para 79,4%, superando a meta anual de ficar abaixo de 85%.

As perdas relevantes com catástrofes naturais somaram US$ 813 milhões, com destaque para os incêndios em Los Angeles e o furacão Melissa. Já as grandes perdas de origem humana totalizaram US$ 345 milhões.

A disciplina de subscrição foi mantida nas renovações de janeiro de 2026, com volume de US$ 12,4 bilhões e aumento nominal de preços de 0,3%, ainda que ajustado por risco tenha havido redução líquida de 4,3%.

Corporate Solutions mantém rentabilidade

A unidade Corporate Solutions registrou lucro líquido de US$ 988 milhões, ante US$ 829 milhões em 2024. O índice combinado caiu para 86,5%, atingindo a meta de ficar abaixo de 91%. O resultado foi sustentado por desempenho técnico sólido e menor impacto de perdas relevantes, especialmente em catástrofes naturais.

L&H Re conclui revisão de portfólio

A área de Life & Health Reinsurance (L&H Re) reportou lucro de US$ 1,3 bilhão, abaixo dos US$ 1,5 bilhão de 2024, impactada pela revisão de portfólio concluída no exercício, com ajustes de premissas em mercados como Austrália, Israel e Coreia do Sul.

Apesar disso, a companhia afirma que todas as unidades de negócios estão agora posicionadas para gerar resultados mais consistentes. A Swiss Re também avançou na saída do negócio iptiQ, com venda ou colocação em run-off de todas as operações.

O retorno sobre investimentos (ROI) foi de 4,0% em 2025, com yield recorrente de 4,2%. O desempenho refletiu receitas recorrentes superiores a US$ 4 bilhões e contribuição positiva da carteira de ações.

Perspectivas para 2026

Para 2026, a Swiss Re projeta lucro líquido de US$ 4,5 bilhões. As metas de índice combinado permanecem abaixo de 85% em P&C Re e abaixo de 91% em Corporate Solutions. Em L&H Re, a expectativa é elevar o lucro para US$ 1,7 bilhão.

A companhia mantém meta plurianual de ROE superior a 14% e crescimento anual de dividendos de pelo menos 7%. “Estamos confiantes na resiliência das nossas unidades, na disciplina técnica e na gestão ativa de ciclo em um ambiente de demanda crescente por resseguros”, concluiu Berger.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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