Setor de seguros mantém resiliência até novembro, mas acumulação segue pressionada

As seguradoras encerraram os onze primeiros meses de 2025 com receitas totais de R$ 376,17 bilhões, desempenho 4,67% inferior, em termos nominais, ao registrado no mesmo período de 2024. Em valores reais, descontada a inflação medida pelo IPCA, a retração foi de 9,25%, movimento explicado principalmente pela forte queda dos produtos de acumulação. Ainda assim, o segmento de seguros de danos e pessoas (excluindo VGBL) manteve trajetória positiva, com crescimento nominal de 7,28% no acumulado até novembro e alta real de 2,08%, enquanto o estoque de provisões técnicas alcançou R$ 2,04 trilhões em novembro, equivalente a 16,1% do PIB, informa a Superintendência de Seguros Privados (Susep).

No mês de novembro, o setor arrecadou R$ 29,85 bilhões, queda de 10,2% em relação a outubro e recuo de 10,89% na comparação com novembro de 2024. A fotografia do acumulado do ano até novembro revela comportamentos distintos entre os três grandes blocos acompanhados pelo regulador.

Em seguros (danos e pessoas, exceto VGBL), a receita acumulada atingiu R$ 202,28 bilhões, com avanço de 7,28% em termos nominais e crescimento real de 2,08%. Já os produtos de acumulação — VGBL, PGBL e previdência tradicional — somaram R$ 142,58 bilhões em contribuições, queda expressiva de 19,42% nominal e 23,24% real, confirmando a pressão sobre esse segmento ao longo de 2025.

A capitalização, por sua vez, arrecadou R$ 31,32 bilhões, crescimento de 7,66% nominal e 2,46% real, mantendo expansão moderada. Pela distribuição das receitas acumuladas no ano, seguros responderam por 59% do total, acumulação por 32% e capitalização por 9%, o que evidencia o peso do risco puro na composição do mercado supervisionado.

Do lado das devoluções à sociedade, as indenizações, resgates, benefícios e sorteios totalizaram R$ 243,01 bilhões de janeiro a novembro, alta nominal de 9,68% e aumento real de 4,29% na comparação com o mesmo período de 2024. Em novembro, o fluxo mensal foi de R$ 21,05 bilhões, com crescimento de 7,17% frente a novembro do ano passado. Nos seguros, as indenizações somaram R$ 72,87 bilhões no acumulado, e apenas em novembro foram R$ 6,53 bilhões, aumento nominal de 13,74% em relação ao mesmo mês de 2024.

Nos produtos de acumulação, os resgates e benefícios chegaram a R$ 144,67 bilhões no acumulado do ano, com crescimento real de 7,99%, reforçando o ritmo de saídas nesse mercado. Na capitalização, resgates e sorteios somaram R$ 25,47 bilhões de janeiro a novembro, com variação real de 0,45%. A comparação entre receitas e retornos também chama atenção para a dinâmica recente da previdência aberta: no mês de referência, benefícios e resgates superaram contribuições em R$ 2,09 bilhões, sinalizando saída líquida no período.

O avanço das provisões técnicas, por sua vez, segue como um dos pilares do setor. Em novembro, o estoque total atingiu R$ 2.035,81 bilhões, alta de 12,03% nominal e 7,14% real em relação a novembro de 2024. A maior parcela permanece concentrada em acumulação, com R$ 1.740,15 bilhões, enquanto seguros somaram R$ 251,35 bilhões e capitalização, R$ 44,31 bilhões. Na distribuição percentual, acumulação representa 86% do estoque, seguros 12% e capitalização 2%, refletindo o peso dos produtos de longo prazo na formação de reservas e no papel do setor como poupador institucional.

Dentro dos seguros, o comportamento por linhas de negócio reforça o quadro de crescimento seletivo. Os seguros de danos acumularam R$ 131,49 bilhões em prêmios até novembro, com crescimento nominal de 6,53% e real de 1,37%. O seguro auto manteve a liderança, com R$ 55,64 bilhões no período, alta de 6,39% nominal e 1,22% real, respondendo por 42% dos prêmios de danos.

Também avançaram, acima da inflação, os seguros compreensivos (residencial, condominial e empresarial), com crescimento real de 7,85%, e os ramos financeiros, com alta real de 12,21%, além de fiança locatícia, que cresceu 12,51% em termos reais. Em sentido contrário, o seguro rural somou R$ 11,94 bilhões e registrou retração real de 14,47%, enquanto riscos especiais – energia (-15,27% real) e microsseguros (-13,88% real) também recuaram, sugerindo ajustes de apetite, condições de subscrição e efeitos conjunturais em linhas específicas.

Nos seguros de pessoas, o segmento arrecadou R$ 70,79 bilhões de janeiro a novembro, com crescimento nominal de 8,69% e real de 3,41% frente a 2024. O seguro de vida foi novamente o motor, com R$ 34,91 bilhões em prêmios, alta de 12,35% nominal e 6,87% real, representando 49,31% do total do segmento. Prestamista somou R$ 19,94 bilhões, com variação real ligeiramente negativa (-0,13%), e acidentes pessoais acumulou R$ 8,78 bilhões, com queda real de 2,93%, enquanto outras linhas avançaram acima da inflação.

A principal pressão do ano segue concentrada nos produtos de acumulação. No detalhamento, o VGBL acumulou R$ 128,74 bilhões em contribuições, queda real de 24,63%, enquanto o PGBL somou R$ 11,11 bilhões (-7,17% real) e a previdência tradicional, R$ 2,73 bilhões (-8,01% real). No agregado, as contribuições totalizaram R$ 142,58 bilhões, contra resgates de R$ 140,29 bilhões e benefícios de R$ 4,38 bilhões, resultando em contribuição líquida negativa de R$ 2,09 bilhões no mês, um indicativo relevante sobre o comportamento do investidor e a dinâmica de liquidez nesse mercado.

Na capitalização, o desempenho permaneceu positivo, com receitas de R$ 31,32 bilhões no acumulado até novembro, crescimento real de 2,46%. A modalidade tradicional concentrou R$ 22,40 bilhões, enquanto a filantropia premiável somou R$ 3,75 bilhões e o instrumento de garantia, R$ 3,69 bilhões, com destaque para este último pela alta real de 16,24%, sinalizando maior uso do produto como alternativa de garantia em contratos, especialmente em ambientes de maior seletividade de crédito e busca por instrumentos de mitigação de risco.

O fechamento de 2025 tende a consolidar esse desenho: expansão mais nítida em proteção e serviços de gestão de risco, enquanto a previdência aberta atravessa uma fase de reprecificação e reorganização do fluxo de captação.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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