Nova lei melhora reputação do setor de seguros, avaliam especialistas

Na quinta-feira (11), começa a vigorar a Lei 15.040, a nova lei dos seguros. Aprovado em 2024, o novo regramento traz mudanças profundas para o mercado e, na avaliação de especialistas reunidos pela corretora Oneglobal para discutir o tema, combate um problema histórico de reputação do setor: a percepção de que o mercado de seguros não oferece a proteção que promete. Os representantes de empresas, gestores de risco e advogados especializados participaram do webinar “Interrupção de Negócios e a Nova Lei do Seguro” e mostraram porque a lei inaugura uma nova fase marcada pela transparência e cooperação entre seguradoras, corretores, reguladores e segurados.

Entre as novidades, está o fim da prática de negar ao segurado o acesso aos relatórios de regulação de sinistros sob a justificativa de que seriam “documentos internos”. Marcio Malfatti, sócio da Pimentel e Associados Advogados, sintetizou o espírito da mudança: “A frase ‘Não forneço porque é um documento interno’ vai morrer. O espírito da lei é substituir o princípio da desconfiança que vigora na regulação do sinistro pelo princípio da cooperação. Regulação e liquidação de sinistros vão envolver um diálogo profundo entre todas as partes”, resumiu, referindo-se principalmente aos produtos de lucros cessantes para o mercado corporativo.

Mais do que uma mudança regulatória, trata-se de uma oportunidade para reconstruir a confiança do público no mercado de seguros brasileiro. Para Fernando Martirani, head de placement da Oneglobal, o grande ganho da lei é a transparência. “Em um grande sinistro não existe regulação sem a participação do segurado. É ele quem vai conseguir explicar as atividades da empresa dele”, disse.

A determinação do compartilhamento dos relatórios está prevista nos artigos 82 e 83 da Lei. O texto elimina a antiga prática, amplamente criticada por segurados e corretores, de manter o relatório restrito à seguradora. “Sempre escutamos dos clientes que não podíamos compartilhar o relatório de regulação. A entrega do relatório agora vai fazer as partes colaborarem no momento da regulação. É uma medida muito bem-vinda”, contou o presidente da Crowford Brazil, Eduardo Ribeiro.

A transparência, segundo os participantes, beneficia sobretudo os grandes riscos, onde a complexidade dos sinistros exige diálogo técnico intenso. Adriana Reis, risk manager da Hitachi Energy, destacou que o novo ambiente exigirá maior especialização na contratação e discussão de grandes riscos, reforçando a necessidade de processos mais fluidos e técnicos.
Segundo ela, a lei elevará o patamar de governança das empresas. Elas não poderão se dar ao luxo de ficar paradas diante de contratos milionários e precisarão estar preparadas para dar respostas rápidas e claras.

“A governança vai entrar em outra esfera. Ela já existia na proteção financeira e reputacional, mas agora avança para a gestão de riscos com mais profundidade. Se não houver colaboração desde o início, todo mundo perde”, acredita.

Christian Mendonça, head de seguros da Norsk Hydro, destacou a complexidade das apólices de lucros cessantes, que estão diretamente ligadas à gestão do sinistro e às decisões operacionais para mitigar perdas. Na avaliação do executivo, decisões mais maduras e com engajamento das várias áreas podem ajudar a reduzir litígios gerar economia para todos os envolvidos.

“Quando a gente fala de lucros cessantes, a jornada é muito complexa. Não se trata apenas de calcular perdas financeiras, mas de compreender todas as decisões que a operação está tomando para reduzir o prejuízo. É nesse ponto que o papel do time de gestão de riscos se torna essencial: traduzir os impactos reais do negócio, dialogar com a seguradora e alinhar expectativas”, disse.

O diretor de seguros corporativos da Oneglobal, Marcello Addeo, concordou. No caso de lucros cessantes, a jornada é complexa e depende de diálogo aberto entre todos os envolvidos. “Se todos estiverem na mesma mesa com diálogo aberto, vai salvar dinheiro no fim do dia”, completou.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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