Erika Medici combina consistência, impacto social e visão de longo prazo na AXA

CEO da AXA no Brasil defende diversidade como alavanca de performance e aponta simplificação, seguros inclusivos e gestão climática como eixos centrais para 2026

Chegar ao cargo de CEO em um setor majoritariamente masculino, como o de seguros, tem para Erika Medici um significado que transcende a conquista individual. Para a executiva, trata-se da confirmação de que competência, consistência e visão estratégica não têm gênero. Ao longo de sua trajetória, marcada pela atuação em ambientes onde muitas vezes era a única mulher na sala, ela construiu uma liderança sustentada por preparo técnico, constância e clareza de posicionamento — atributos que, segundo ela, sempre falaram mais alto do que qualquer rótulo.

Essa vivência moldou um estilo de liderança baseado na escuta ativa, na autenticidade e na construção coletiva. Erika acredita que resultados sustentáveis nascem de relações de confiança, de times diversos e de uma cultura organizacional em que as pessoas se sintam seguras para contribuir. Na AXA, essa visão se traduz em uma gestão próxima, responsável e orientada ao longo prazo, apoiada também por um ambiente corporativo que trabalha de forma estruturada a equidade de gênero — um diferencial que a executiva faz questão de destacar.

Apesar dos avanços observados no mercado, Erika reconhece que ainda existem barreiras estruturais importantes. O principal desafio, em sua avaliação, está no acesso desigual às oportunidades estratégicas e aos espaços de decisão. Em muitos casos, as mulheres ainda precisam demonstrar mais para alcançar o mesmo nível de reconhecimento. Para acelerar esse avanço, ela defende que as empresas vão além do discurso e revisem, de forma concreta, seus processos de sucessão, desenvolvimento e avaliação de talentos, com critérios claros, justos e transparentes. Diversidade, para Erika, não é um projeto paralelo, mas uma alavanca direta de performance, inovação e sustentabilidade dos negócios.

Olhando para 2026, a CEO da AXA enxerga um setor pressionado por uma combinação intensa de complexidade e oportunidade. A intensificação dos eventos climáticos extremos torna a gestão dos riscos climáticos cada vez mais central, exigindo do mercado segurador não apenas capacidade de indenização, mas uma atuação mais ampla em prevenção, mitigação e adaptação. Paralelamente, a transformação digital, o uso avançado de dados, analytics e inteligência artificial generativa devem redefinir a subscrição de riscos, o relacionamento com clientes e a eficiência operacional, em um contexto de pressão permanente por rentabilidade.

Para enfrentar esse cenário, a AXA estruturou sua estratégia a partir de três pilares bem definidos. O primeiro é o AXA Verde, que consolida o compromisso da companhia com a sustentabilidade e com o enfrentamento das mudanças climáticas, tanto no desenvolvimento de soluções que incentivem práticas mais responsáveis quanto no fortalecimento da atuação em prevenção e gestão de riscos ambientais.

O segundo pilar é a massificação baseada na simplificação. A executiva defende que o seguro só cumpre plenamente seu papel quando é fácil de entender, contratar e utilizar. Por isso, a companhia vem investindo na simplificação de produtos, jornadas e processos, apoiada por tecnologia e automação, com o objetivo de ampliar o acesso à proteção e melhorar a experiência de clientes e parceiros.

O terceiro eixo estratégico está nos seguros inclusivos, voltados à ampliação do alcance da proteção para públicos historicamente menos atendidos pelo mercado. Isso envolve repensar modelos de distribuição, coberturas e preços, sempre buscando o equilíbrio entre relevância social e viabilidade econômica.

Para as mulheres que almejam posições executivas, especialmente na indústria de seguros, Erika destaca que a competência técnica segue sendo fundamental, independentemente do gênero. No entanto, ganham peso crescente a capacidade de aprender continuamente, de liderar em ambientes complexos e de construir redes de relacionamento sólidas. A coragem para assumir desafios antes de se sentir “100% pronta” aparece como um diferencial decisivo.

Se pudesse deixar uma mensagem para si mesma no início da carreira, a executiva diria que não é preciso se encaixar em um modelo pré-definido de liderança. Autenticidade é uma força, não uma fragilidade. Pedir apoio, trocar experiências e aprender com outros profissionais fazem parte de uma trajetória sólida — e são, cada vez mais, atributos centrais da liderança que o setor de seguros exigirá no próximo ciclo.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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