por Hélio Kinoshita, managing partner de Seguros da águilahub. Sócio da Olik e conselheiro do Grupo Sabemi. É ex-country manager do Mitsui Sumitomo Insurance Group e ex-diretor da FenSeg
O mercado de seguros está passando pela maior transformação de sua história. Uma verdadeira revolução que, por sua vez, tem sido impulsionada por fatores como digitalização, ciência de dados, IA, segurança da informação e pela urgência de oferecer mais valor agregado aos clientes, com menos fricção – tendo em vista o fato de que, no mundo atual, as pessoas tendem a aderir a práticas que dependam de menor quantidade de tempo e/ou menor custo na contratação de seguros.
O chamado “embedded insurance” surgiu como uma modalidade de contratar o seguro sem burocracia, sem dispender muito tempo e a preços acessíveis. Imagine, por exemplo, adquirir um celular em um portal de e-commerce de uma grande rede varejista e, no final desse processo de compra, ter a oportunidade de garantir um seguro para esse aparelho – uma “apólice” oferecida no próprio portal da rede varejista. Sim, esse cenário já é relativamente comum e, embora desconheça o termo, boa parte dos consumidores pode já ter tido contato ou mesmo adquirido essa modalidade de seguro.
Antes de seguirmos, no entanto, é importante deixar claro que o conceito de embedded insurance não se confunde com o de venda casada. Nesse último, há o condicionamento de venda de um produto somente se o consumidor concordar em adquirir outro, segundo determinação do fornecedor. Já no embedded insurance, o objetivo é outro; o consumidor pode comprar o produto com o seguro ou sem o seguro. A opção sempre é do cliente, o que traz maior comodidade e facilidade.
A experiência de embedded insurance no mundo está em plena ascensão, impulsionada pela digitalização e pela busca por uma jornada do cliente mais fluida. Em vez de ser um produto secundário e de difícil acesso, o seguro se torna parte integrante na jornada diária do consumidor na compra de um bem ou serviço, sendo oferecido no momento certo e de forma conveniente com as plataformas digitais “embarcando” ou “incorporando” (daí o “embedded”) o seguro, sem interrupções.
De acordo com levantamentos da Deloitte, até 2030 prevê-se que o embedded insurance gere globalmente US$ 700 bilhões em prêmios, 10 vezes o valor de prêmios de 2020, quando o total foi de US$ 70 bilhões.
No Brasil, a CNSEG (Confederação Nacional das Seguradoras), em conjunto com as quatro federações ligadas a ela (Fenaprev, Fenacap, Fenasaúde e Fenseg, e também com a FENACOR – Federação Nacional dos Corretores de Seguros Privados e de Resseguros, de Capitalização, de Previdência Privada, das Empresas Corretoras de Seguros e de Resseguros) desenvolveu o PDMS, Plano de Desenvolvimento do Mercado de Seguros.
Nesse trabalho, o grupo identificou, como um dos fatores que dificultam a disseminação dos seguros privados na sociedade brasileira, justamente a falta de oferta de produtos que alcancem as camadas de menor renda.
De acordo com o plano, o embedded insurance pode ser um importante instrumento para alcançar essa camada da sociedade, permitindo a ampliação da participação da parcela da população brasileira atendida pelos diversos produtos de seguros. O tema deve ser tratado de forma transversal pelas quatro federações mencionadas acima e pela FENACOR.
O embedded insurance está ganhando força junto às seguradoras, distribuidores, financeiras, bancos e varejistas, e todo esse ecossistema vem investindo significativamente em:
- Tecnologia com infraestrutura tecnológica robusta e escalável, com APIs de fácil integração em qualquer ecossistema digital para permitir transações em tempo real e automação de processos, buscando gerar simplificação e rapidez na contratação do seguro.
- Entendimento da necessidade do cliente, com utilização de dados e aplicação de IA para criar ofertas personalizadas e relevantes, apresentando o seguro certo, na hora certa, para cada perfil.
Importante destacar que, no entendimento dos players, os produtos de seguros incorporados devem ser de fácil compreensão, especialmente para quem não tem familiaridade com seguros tradicionais, em conjunto com um preço competitivo, de modo que o produto seja simples e atrativo para o consumidor.
A experiência do cliente, no que diz respeito à oferta do seguro, deve ser fluida, agregando valor à sua jornada de compra. Da mesma forma, a indenização do sinistro deve ser descomplicada e rápida.
Dessa forma, um dos objetivos do modelo de embedded insurance é o de oferecer uma proteção patrimonial ou financeira a uma camada da população brasileira não atendida em função do modelo de oferta e produtos tradicionais vigentes no mercado. Acreditamos que esse modelo possibilitará que o setor de seguros possa atender um número maior de consumidores e fomentar o crescimento da indústria.


















