CNseg: CCJ do Senado aprova PL 2951/2024, que moderniza seguro rural e pode viabilizar o fundo de catástrofe

Com apoio integral da CNseg, texto transforma o PSR em política de Estado e pode auxiliar na recuperação da cobertura de risco para os agricultores

por CNseg

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (26), por unanimidade, o Projeto de Lei nº 2951/2024, que institui novos marcos legais para a modernização do Seguro Rural no Brasil. A medida é celebrada pelo mercado segurador e pelo agronegócio como um passo fundamental para estancar a crise de encolhimento da proteção no campo e garantir a segurança jurídica e orçamentária de um dos setores mais vitais da economia nacional.
 

A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) manifestou apoio integral à aprovação, classificando o texto como crucial para reverter um “cenário de encolhimento alarmante” na gestão de riscos agrícolas.
 

Segundo o diretor de Relações Institucionais da CNseg, Esteves Colnago, o projeto da senadora Tereza Cristina (PP-MS) pode trazer um impulso muito forte para o seguro rural e para a mitigação de riscos climáticos na agricultura nacional, que representa quase 25% do PIB (Produto Interno Bruto).
 

“O PL aprovado pelo Senado foi um passo muito importante. A proposta permite que se tenha uma certeza do orçamento que será disponibilizado para subvenção ao prêmio de seguro rural, permitindo que prevaleça uma previsibilidade mínima necessária para o planejamento dos setores segurador e rural. O projeto também permite uma melhor junção entre as políticas de crédito (Plano Safra) e a de Subvenção ao Seguro Rural (PSR), além de aproximar o Brasil de experiências internacionais exitosas, como as dos EUA. Além disso, o projeto moderniza e cria efetivas condições para constituição de um fundo rural para catástrofe, um fundo de suma importância para momentos como esses que vivemos, com grande variação nos eventos climáticos e na intensidade dos mesmos”, destacou.
 

Para a CNseg, esse projeto pode oferecer as ferramentas necessárias para que o Brasil retome o crescimento da área segurada, garantindo que o agronegócio continue sendo o motor da economia brasileira, mas agora com a devida proteção contra imprevistos climáticos e financeiros. A proposta ainda será objeto de turno suplementar na CCJ do Senado e, mantida a aprovação, seguirá para apreciação na Câmara dos Deputados.
 

Panorama Crítico

A aprovação do PL ocorre em um momento delicado. Apesar de a agropecuária representar 23,2% do PIB nacional em 2024, a proteção dessa riqueza vem diminuindo drasticamente devido à instabilidade orçamentária e à estrutura insuficiente de subsídios atuais. Para Tereza Cristina, “a atividade se encontra sujeita a ter seus resultados comprometidos por adversidades climáticas e sanitárias, além de incorrer nos riscos inerentes a qualquer atividade empresarial, como os de flutuações de preço, operacionais, legais, de imagem e de mercado”, afirma a autora da proposta.
 

Dados levantados pela CNseg, via Panorama do Seguro Rural, apontam uma retração severa nos últimos anos:

  • Queda na área segurada: A cobertura despencou de 16,3% da área plantada em 2021 para apenas 7,5% em 2024. Projeções parciais da entidade indicam que, sem mudanças, 2025 poderia registrar a menor cobertura da história, com apenas 2,3%.
  • Menos produtores protegidos: O número de beneficiários caiu de 120 mil (2021) para 85 mil (2024).
  • Redução de valores: O capital segurado recuou de R$ 66,4 bilhões para R$ 50,6 bilhões no mesmo período.

A falta de previsibilidade e os cortes recorrentes no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) são as causas centrais dessa crise, agravada por um cenário climático cada vez mais hostil.
 

O que muda com o PL 2951/2024

O texto aprovado busca transformar o PSR em uma verdadeira política de Estado – a exemplo de modelos bem-sucedidos nos EUA, Espanha e Índia – blindando o programa contra contingenciamentos fiscais.

Entre as principais inovações do projeto, destacam-se:

  1. Criação do Fundo de Catástrofe: O mecanismo oferecerá cobertura complementar para riscos rurais em casos de eventos catastróficos, criando um ambiente de maior solvência e segurança para produtores, seguradoras e para o próprio Governo.
  2. Segurança Orçamentária: O PL torna a despesa com o PSR obrigatória, eliminando a incerteza anual sobre a disponibilidade de recursos.
  3. Incentivos ao Produtor: O projeto prevê a possibilidade de taxas de juros diferenciadas para o crédito rural segurado e preferência na liberação de recursos subvencionados para quem contratar seguro.
  4. Governança e Dados: Será instituída uma base de dados nacional robusta com informações das operações, aprimorando a precificação e a gestão de riscos.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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