O setor bancário brasileiro apresentou, nesta terça-feira (12), durante o Fórum de Finanças Sustentáveis da Casa do Seguro, na COP30, o relatório “Compromisso dos bancos brasileiros com as finanças sustentáveis e a ação climática”, elaborado pela Febraban com a participação de cerca de 30 instituições financeiras. O estudo consolida a contribuição do sistema financeiro à transição para uma economia de baixo carbono e reforça o protagonismo do Brasil na mobilização de capital para o clima.
O documento aponta que os bancos têm um papel essencial no direcionamento de recursos para atividades sustentáveis, unindo crédito, investimento e gestão de riscos climáticos. O setor vem aprimorando suas políticas de responsabilidade socioambiental, taxonomias verdes e ferramentas para mensuração de emissões financiadas, consolidando uma agenda de finanças sustentáveis que já movimenta centenas de bilhões de reais.
Entre os destaques, o relatório apresenta a Iniciativa de Emissões Financiadas, que cria uma base de dados inédita para medir e acompanhar as emissões associadas às carteiras de crédito, e a Régua Multissetorial de Sensibilidade ao Risco Climático, que apoia os bancos na identificação de vulnerabilidades setoriais e na precificação de riscos ambientais. A Taxonomia Verde da Febraban e o SARB 026/2023, que estabelece regras para eliminar o desmatamento ilegal na cadeia da carne bovina, reforçam a credibilidade das informações e o alinhamento com padrões internacionais.
O estudo também relaciona os compromissos do setor ao “Mapa de Baku a Belém para 1,3T”, iniciativa global que busca ampliar o financiamento climático para US$ 1,3 trilhão anuais até 2035. A Febraban recomenda medidas como o uso de finanças mistas, a criação de fundos permanentes de conservação e o fortalecimento do mercado de carbono, ressaltando o potencial do Brasil para liderar a economia verde mundial.
“Como intermediadores de recursos, os bancos têm um papel fundamental em canalizar capital para projetos que contribuam para o desenvolvimento sustentável”, afirmou Amaury Oliva, diretor-executivo de Sustentabilidade e Autorregulação da Febraban, em nota.
O relatório ainda destaca casos de referência, como o Bradesco, que já destinou R$ 350 bilhões a negócios sustentáveis; o Banco do Brasil, com R$ 396 bilhões em carteira verde; e o BTG Pactual, que estruturou mais de US$ 20 bilhões em dívidas rotuladas.
Segundo Luiz Carlos Trabuco, presidente do conselho diretor da Febraban, comentou que não há mais fronteira entre a agenda econômica e a agenda climática. Ao fortalecer instrumentos financeiros e padrões de governança, o sistema bancário brasileiro consolida sua posição como um dos mais avançados do mundo na integração de critérios ambientais, sociais e climáticos às estratégias de negócios.


















