A nova fronteira do seguro: infraestrutura, dados e natureza como bases da resiliência

por Simone Ramos, especialista em riscos portuários da Lockton, e diretora da Sou Segura

O painel realizado na COP30 reforçou uma mensagem clara: o setor de seguros precisa romper com suas abordagens tradicionais e assumir protagonismo na construção de resiliência climática — especialmente em mercados emergentes.

O primeiro ponto crítico é a infraestrutura. Não basta falar em obras resilientes; é preciso defender sistemas que gerem resiliência social. Isso significa apoiar projetos que protejam comunidades, como ocorre nas nações insulares, e influenciar decisivamente políticas públicas — desde códigos de construção até marcos regulatórios que preparem novas edificações para os riscos de hoje e do futuro. Sem essa ação articulada, seguimos reagindo ao risco, e não prevenindo-o.

O segundo ponto destacado é a lacuna de dados. O setor ainda não compartilha suas informações de risco na escala necessária para orientar governos, investidores e sociedade. Dados climáticos e de perdas precisam ganhar transparência, padronização e volume. É a partir deles que se constrói prevenção efetiva, modelos mais justos e precificação sustentável.

Mas o ponto mais urgente — e que ganhou maior ênfase — é a proteção da natureza. Ecossistemas preservados reduzem perdas, protegem ativos físicos e garantem a continuidade de um mercado segurável. Manguezais, florestas, zonas úmidas e sistemas costeiros funcionam como barreiras naturais, diminuindo o impacto de eventos extremos.
Sem natureza, o mercado de seguros encolhe: aumenta a frequência de perdas, cresce o volume de áreas “inseguráveis” e se reduz a base de clientes capazes de acessar proteção financeira.

Por isso, o setor precisa assumir um novo papel: usar sua influência para impulsionar políticas de conservação, incentivar investimentos em soluções baseadas na natureza e posicionar o seguro como instrumento de transformação estrutural — não apenas de reparação pós-evento.

A mensagem final do painel é inequívoca: proteger comunidades, dados e natureza não é apenas ambientalismo; é estratégia de sobrevivência para o mercado segurador. E o futuro da indústria dependerá de quão rápido conseguirmos transformar essa visão em prática.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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