Prepara-te para o que está por vir

por Álvaro Trilho, diretor de Riscos na WTW Brasil
 

Sun Tzu, o famoso general chinês a quem é atribuído o notório “A Arte da Guerra”, falava uma frase emblemática: na paz, prepara-te para a guerra; na guerra, prepara-te para a paz.


Dadas as devidas proporções e referências, essa frase também se aplica às mudanças climáticas e aos desastres naturais. 


Estamos caminhando para o fim do ano e, ao fazermos uma breve análise dos impactos climáticos em 2025, conseguimos identificar alguns padrões, que são importantes para o futuro.


O primeiro, é que os desastres naturais estão cada vez mais frequentes. Dados do Willis Natural Catastrophe Review, produzido pela WTW, mostram que a frequência e o intervalo entre os desastres naturais diminuíram consideravelmente.


O que antes acontecia, por exemplo, com um intervalo de seis meses, agora acontece bimestralmente. 


Para se ter uma ideia disso, de acordo com o relatório, entre janeiro e junho de 2025, o mundo foi atingido por oito grandes desastres naturais, incluindo os incêndios florestais nos Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul, e fortes tempestades nos Estados Unidos, Europa e Austrália.


Felizmente, o Brasil, apesar de sentir os impactos das mudanças climáticas, como a recente seca no Rio Solimões, não enfrentou desastres naturais de grandes proporções e não entrou na lista. 


O segundo padrão é que os prejuízos estão cada vez maiores. Ainda de acordo com o relatório da WTW, desde 2020 as perdas seguradas por catástrofes naturais ultrapassam consistentemente US$ 100 bilhões (cerca de R$ 540 bilhões) por ano. 


Dados da resseguradora Swiss Re indicam que 2025 será parecido, podendo até mesmo superar a marca dos US$ 200 bilhões. Segundo um levantamento recente, os desastres naturais causaram US$ 135 bilhões (cerca de R$ 742,5 bilhões) em perdas econômicas no mundo durante o primeiro semestre do ano. 


O terceiro padrão é a vulnerabilidade, e é nesse ponto que o Brasil precisa se atentar com urgência. Dados do AdaptaBrasil, uma ferramenta do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), mostraram que o país possui 2.600 cidades em risco alto ou muito alto para desastres naturais, como seca, inundações e deslizamentos de terra, ou possíveis impactos causados pela chuva ou seca na segurança alimentar. O levantamento não incluiu eventos extremos, como incêndios ou ondas de calor e frio.


Ou seja, temos quase 50% dos municípios brasileiros em risco, sem condições de enfrentar possíveis desastres naturais. Vale destacar que o recente episódio envolvendo o Rio Grande do Sul deixa claro que essa vulnerabilidade não é algo exclusivo de cidades pequenas e médias. 


A parte positiva dessa história é que temos plenas condições de antever possíveis mudanças climáticas, capazes de resultar em desastres naturais. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), por exemplo, já emitiu um aviso oficial indicando que teremos o fenômeno La Niña no Pacífico tropical nos próximos meses, podendo perdurar até o fim do primeiro trimestre de 2026.


Felizmente, a previsão é que o fenômeno seja de menor intensidade, se comparado com o que atingiu a região entre 2020 e 2023, que causou severas secas, mas já é um indício que o ano que vem pode ser intenso.


Por isso, parafraseando Sun Tzu, na “tranquilidade”, prepara-te para o que está por vir.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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