Munich Re prevê alta demanda por resseguro na Europa

Demanda por resseguro continua forte; grupo aposta em abordagens diferenciadas e vê espaço para expansão no mercado cibernético

Em meio a um cenário global cada vez mais incerto — marcado por eventos climáticos extremos, instabilidade geopolítica e inflação persistente — a Munich Re projeta uma manutenção da alta demanda por resseguro na Europa. A resseguradora alemã, uma das maiores do mundo, reafirma sua disposição de oferecer apoio consistente e sustentável aos clientes da região, mesmo em ambientes de mercado desafiadores.

“Em um ambiente cada vez mais incerto, a Munich Re continuará exercendo seu papel de estabilizadora. Seja em riscos climáticos, seja nos efeitos da instabilidade geopolítica e macroeconômica, estaremos ao lado de nossos clientes, oferecendo o suporte forte e sustentável de que precisam”, afirmou Clarisse Kopff, membro do Conselho de Administração responsável por Europa e América Latina.

Nos últimos 11 anos, a Europa registrou as temperaturas mais altas já medidas, o que amplia o risco de secas, enchentes e tempestades de granizo. Somado ao aumento do valor dos ativos segurados e à inflação elevada, o cenário impulsiona a busca por resseguro. Exemplos marcantes são as enchentes no vale do Ahr, na Alemanha, em 2021, que causaram prejuízos segurados de €10,9 bilhões, e o terremoto de Kahramanmaraş, na Turquia, em 2023, com €5,5 bilhões em perdas seguradas — os maiores eventos já registrados em ambos os países.

Desde 2020, a Munich Re vem ampliando sua exposição líquida a riscos de catástrofes naturais, com aumento anual médio de 27% para o cenário de enchentes na Alemanha e de 10% para terremotos na Turquia. “Mesmo em mercados desafiadores, após grandes eventos de perda, continuamos demonstrando compromisso inabalável com os clientes, apoiando a gestão de resultados e aumentando capacidade quando necessário”, afirmou Claudia Strametz, líder da operação da Munich Re na Alemanha e responsável pelo negócio de ciber na Europa. “Isso é possível graças à nossa sólida posição de capital e à melhor diversificação geográfica do setor.”

A resseguradora destaca que os mercados europeus apresentam características heterogêneas e exigem soluções sob medida. “Na Munich Re, ouvimos, entendemos e desenvolvemos soluções personalizadas para atender às necessidades específicas de cada cliente e mercado. Nossa presença histórica e profundo conhecimento técnico local nos permitem fazer isso com precisão”, acrescentou Kopff.

A executiva reforça que o relacionamento de longo prazo com os clientes é a base da estratégia da companhia. “Acreditamos que, trabalhando juntos, podemos ser mais eficazes em reduzir o gap de proteção”, completou.

Crescimento e responsabilidade no mercado cibernético

Embora o mercado global de seguros cibernéticos já movimente cerca de €15 bilhões em prêmios, menos de 5% — e possivelmente apenas 1% — dos riscos cibernéticos estão atualmente segurados, segundo Strametz. Estimativas apontam que o cibercrime gera prejuízos econômicos de cerca de US$ 10 trilhões no mundo, afetando especialmente pequenas e médias empresas, que ainda subestimam o risco de ataques hackers.

“A proteção contra riscos cibernéticos é hoje uma necessidade estratégica e também uma responsabilidade social”, destacou Strametz. A Munich Re vem investindo em modelagens avançadas, equipes especializadas e colaboração com parceiros do setor para fortalecer a resiliência cibernética e criar as bases para um mercado sustentável e preparado para o futuro.

A empresa também alerta para riscos subestimados em programas de responsabilidade civil com exposição internacional. Segundo Kopff, empresas europeias podem estar sujeitas a litígios nos Estados Unidos mesmo sem presença relevante naquele país.
“Nestes tempos cada vez mais complexos e arriscados, oferecemos capacidade robusta e conhecimento técnico para permitir crescimento rentável e evitar surpresas. Continuaremos adaptando nossas abordagens conforme cada mercado e buscando sempre um equilíbrio saudável na partilha de riscos”, concluiu a executiva.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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