por Denise Bueno
O mercado de seguros de vida no Brasil vive um paradoxo. Depois de anos de forte expansão, 2025 traz sinais de arrefecimento até julho, pressionado pela alta dos juros e pelo orçamento mais apertado das famílias. Ainda assim, permanece como uma das frentes mais promissoras do setor, avalia Breno Gomes, CEO da MetLife no país.
“Nos últimos anos crescemos acima de 20% e o plano é dobrar a companhia até 2029. Mesmo com a desaceleração até julho, seguimos com projeções de dois dígitos para 2026, puxadas pelo seguro de vida”, afirma. A expectativa é encerrar 2025 com avanço de 17% considerando vida e dental, percentual acima da média do mercado.
Na visão do executivo, o país reúne características únicas que atraem multinacionais e novos entrantes, como seguradoras que atuavam apenas em seguros de bens e agora correm para conquistar uma fatia do seguro de pessoas. “Quando olhamos o mundo, não é fácil achar mercados tão atrativos quanto o Brasil. Temos uma população grande, relativamente jovem, e uma estabilidade política que, na comparação internacional, chama atenção. É por isso que vemos tanto capital vindo para cá. A própria MetLife aumentou seus investimentos no país nos últimos dois anos”, diz.
Em sua visão, a competição mais acirrada tende a beneficiar corretores e clientes. “Uma empresa provoca a outra, e isso gera novas ideias. No fim, quem se favorece é a sociedade como um todo.” Gomes reforça que o desafio da indústria está em ampliar o alcance do seguro de vida além das classes A e B, onde a penetração já avançou. “O microseguro tem um grande potencial e desperta muito o interesse dos investidores, mas o desafio maior é democratizar de fato, com produtos que façam sentido na vida dos consumidores. Não adianta vender barato e criar frustração no cliente. Isso atrapalha toda a indústria que tem investido muito para consolidar a cultura do seguro no Brasil”, avalia.
Para isso, a companhia aposta em novas parcerias com corretores que tenham clientes com acesso a uma base grande de cleintes, como temos com o iFood e com o Mercado Pago, que aproximam o produto de públicos com alta penetração tecnológica. “Aprendemos muito com o público de motociclistas e entregadores, por exemplo. Esse aprendizado ajuda a ajustar produtos para novas realidades de consumo.” O acordo com o iFood foi assinado em 2019, com seguro de acidentes pessoais e, hoje, já são mais de 15 coberturas na operação e cerca de 360 mil entregadores com a proteção, como um benefício oferecido pela empresa.
Com a regulamentação recente da lei 213/2025, que permite que cooperativas de seguros operem em todos os ramos, com exceção daqueles que forem vedados pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), como previdência e capitalização, a MetLife avalia a possibilidade de parcerias com este segmento, que vêm ganhando protagonismo em crédito e em seguro de vida. “É um canal super importante e sei que algumas concorrentes já têm acordos. Acredito em modelos de ganha-ganha. Entendemos que isso é possível, pois vida é um negócio que exige elevado valores de capital e por isso acredito que naturalmente vão surgir parcerias pelo interesse mútuo das seguradoras e das cooperativas”, comenta.
Outro vetor de transformação é a ampliação das coberturas que podem ser utilizadas em vida. Mais de 50% do número de sinistros pagos pela MetLife já correspondem a casos como doenças graves, incapacidade temporária e hospitalizações. “Seguro de vida deixou de ser apenas um seguro de morte. Isso ajuda a quebrar a antipatia histórica das pessoas em relação ao produto, mas ainda temos o desafio de educar a sociedade sobre produtos e serviços acessíveis e vitais para proteger o patrimônio das famílias em situações de emergências”, diz o CEO.
Apesar das pressões conjunturais, Gomes destaca que o negócio é menos sensível a oscilações de curto prazo. “O seguro de vida é um negócio de longo prazo. Trabalhamos com horizonte de dez anos, não de um ou dois. Esses produtos têm feedback muito mais longo do que os de automóvel, que viram carteira anualmente”, afirma. Com o plano de dobrar a operação até o fim da década, a MetLife reforça seu compromisso com o mercado brasileiro. “Vai ser mais concorrido, mas também mais divertido. E quem vai sair ganhando é o cliente”, conclui o executivo.

Participação no Conec
O estande da companhia levou ao público a atmosfera da Copa do Mundo, inspirado no MetLife Stadium, palco de jogos do torneio de 2026. No espaço, corretores e parceiros participaram de ativações como disputa de pênaltis, roleta de prêmios e um cenário especial que simulava a visão de torcedores acompanhando uma partida no estádio.
Além do ambiente descontraído, a MetLife apresentou novidades em seu portfólio, com destaque para o Cot.AI, ferramenta de inteligência artificial integrada ao WhatsApp que agiliza a cotação de seguros para pequenas e médias empresas. A solução permite gerar simulações com poucos dados, utilizar comandos de voz e encaminhar propostas diretamente para o sistema da MetLife, simplificando a rotina comercial dos corretores.
“O Conec é sempre uma oportunidade incrível para estreitarmos ainda mais a relação com os corretores e parceiros estratégicos. Ter toda a nossa equipe comercial presente fez a diferença para conversarmos sobre negócios, apresentarmos novidades e reforçarmos o papel da MetLife no desenvolvimento do mercado”, finalizou Ramon Gomez, vice-presidente Comercial da MetLife Brasil.


















