CNseg: setor de seguros debate novos padrões rumo à COP30

por CNseg

Transparência não é mais diferencial, é exigência. E no setor de seguros, o reporte ASG ganha cada vez mais protagonismo como instrumento de credibilidade e confiança. Essa foi a conclusão do o webinar “Reporte ASG e Transparência no setor de seguros”, realizado pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) em 23 de setembro. 

O quarto e penúltimo encontro da série “Jornada do Setor de Seguros Rumo à COP30” reuniu especialistas para discutir a regulação internacional de reporte de sustentabilidade e seus impactos para o mercado segurador.

A abertura ficou a cargo do gerente de Sustentabilidade da CNseg, Pedro Werneck, e as apresentações foram conduzidas por Elanne Almeida, sócia de Mudanças Climáticas e Sustentabilidade da EY Brasil, e Diego de França Pereira, sócio de ESG para o setor financeiro da EY Brasil.

Elanne Almeida iniciou sua apresentação abordando os IFRS S1 e S2, as normas internacionais de reporte de sustentabilidade elaboradas pelo International Sustainability Standards Board (ISSB). Segundo ela, essa nova regulação visa atender à necessidade de divulgação do setor segurador em relação ao seu desempenho ASG (Ambiental, Social e de Governança) e como esse desempenho impacta as demonstrações financeiras.

O objetivo é criar uma base global de informações claras, comparáveis e úteis para investidores e demais stakeholders, conectando relatórios financeiros e de sustentabilidade em um modelo de relato integrado.

A executiva destacou que o Brasil já iniciou a adaptação às normas, com exigência obrigatória para companhias abertas a partir de 2026, conforme decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Até lá, haverá período de adoção voluntária.

Diego de França Pereira ressaltou as diferenças entre o IFRS e a Circular Susep nº 666, em vigor desde 2024. Enquanto a Susep adota um modelo mais prescritivo, com tabelas padronizadas a serem preenchidas pelas supervisionadas, o IFRS estabelece uma abordagem baseada em princípios, exigindo divulgações mais detalhadas e com foco direto no investidor e no mercado de capitais.

Apesar das diferenças, ambos os modelos compartilham a base do TCFD (Task Force on Climate-related Financial Disclosures), com quatro pilares: governança, estratégia, gestão de riscos e métricas/metas.

Riscos, oportunidades e materialidade financeira

O debate também abordou como as seguradoras devem identificar e reportar riscos e oportunidades relacionados ao clima e à sustentabilidade. Isso inclui desde o impacto de desastres naturais sobre os sinistros e reservas técnicas até a possibilidade de desenvolver novos produtos e serviços para setores expostos a riscos climáticos.

Um ponto central, segundo os palestrantes, é a materialidade financeira: as informações divulgadas devem demonstrar de que forma as mudanças climáticas e outros fatores ASG afetam diretamente o desempenho econômico da companhia.

Os especialistas destacaram que a adoção dos novos padrões demandará maior integração entre as áreas de sustentabilidade, governança, controladoria, riscos e tecnologia. Também será necessário definir claramente os horizontes temporais de curto, médio e longo prazo, de acordo com as especificidades de cada setor.

“Para uma mineradora, longo prazo pode significar mais de 30 anos, enquanto no setor de moda o horizonte é de apenas cinco”, exemplificou Elanne Almeida.

Encerrando o webinar, Pedro Werneck reforçou que a série da CNseg prepara o setor de seguros para os desafios e oportunidades que estarão em evidência na COP30, em Belém, em 2025. “Transparência e reporte estruturado de informações ASG são fundamentais para consolidar a confiança do mercado e dos investidores”, concluiu.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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