Munich Re lucra €3,2 bilhões no semestre e mantém projeção de lucro anual de €6 bilhões

Com lucro recorde no segundo trimestre, resseguradora alemã mostra resiliência frente à volatilidade cambial e aposta em disciplina técnica para seguir capitalizando bom momento de mercado

A Munich Re reportou um lucro líquido de €3,2 bilhões no primeiro semestre de 2025, sustentada por um resultado recorde de €2,1 bilhões no segundo trimestre. Com esse desempenho, a companhia reafirmou sua meta de lucro anual de €6 bilhões, apesar de uma leve retração no volume de prêmios e do impacto negativo do câmbio, sobretudo pela desvalorização do dólar frente ao euro.

“As linhas de negócio contribuíram para um resultado trimestral excepcional, com índices combinados excelentes na resseguradora patrimonial e na Global Specialty Insurance (GSI), além de um bom desempenho na vida e saúde, na ERGO e em investimentos. Isso nos permitiu mitigar perdas cambiais. Acreditamos que o mercado segue atrativo e precisamos manter a disciplina para aproveitar esse cenário”, afirmou Joachim Wenning, CEO do grupo.

O resultado do segmento de resseguros foi de €1,83 bilhão no segundo trimestre, impulsionado por baixíssimas perdas catastróficas e man-made, o que levou o índice combinado da carteira patrimonial a apenas 61% (normalizado em 79,6%). A nova divisão GSI, agora reportada separadamente, teve lucro de €296 milhões no trimestre e índice combinado de 77,9%, uma expressiva melhora frente aos 93,6% de um ano antes.

Já o segmento de vida e saúde foi impactado por perdas isoladas de grande porte, que reduziram o resultado técnico a €305 milhões. Ainda assim, a geração de novos negócios seguiu forte, com receitas de €3,1 bilhões.

Na rodada de renovações de julho, o volume de negócios recuou 3,2% e os preços caíram 2,5%. A empresa optou por não renovar contratos que não atendiam aos critérios de rentabilidade e disciplina técnica. Mesmo assim, o nível geral de preços segue elevado, segundo a companhia.

A subsidiária ERGO, voltada ao mercado primário, contribuiu com €251 milhões no trimestre e €492 milhões no semestre. A unidade alemã apresentou forte desempenho operacional, com índice combinado de 89,1%. Já a operação internacional teve lucro de €96 milhões, mesmo com a ausência de efeitos não recorrentes que beneficiaram o resultado de 2024.

O resultado de investimentos subiu para €2,2 bilhões no segundo trimestre, puxado por alta nas bolsas e bom desempenho com derivativos, embora o dólar fraco tenha afetado os ativos de private equity. O yield de reinvestimento chegou a 4,2%, e a alocação em ações subiu levemente para 3,4% do portfólio. A carteira de investimentos somava €222,8 bilhões ao fim de junho.

A Munich Re manteve inalterada sua previsão de lucro líquido de €6 bilhões para o ano, mesmo com a revisão para baixo das receitas esperadas com seguros — de €64 bilhões para €62 bilhões no grupo, sendo €40 bilhões em resseguros (antes €42 bilhões). Os demais objetivos estratégicos permanecem os mesmos, com ênfase na disciplina de subscrição e otimização da carteira.

A companhia alerta que as projeções estão sujeitas a riscos adicionais ligados à conjuntura geopolítica, variações cambiais e oscilações nos mercados de capitais, além de possíveis eventos catastróficos acima do esperado.

Destaques financeiros

  • Lucro líquido: €2,1 bilhões no 2T25 (+30%) e €3,2 bilhões no semestre (vs. €3,7 bilhões em 2024)
  • Receita com seguros: €14,8 bilhões no 2T25 (queda de 1,2%) e €30,6 bilhões no semestre (+1,9%)
  • Resultado técnico total: €3 bilhões no 2T25 (+24%)
  • Resultado financeiro: €2,2 bilhões no 2T25, com retorno de 3,8%
  • Índice de solvência: 287%, bem acima da faixa ideal (175% a 220%)
  • ROE anualizado: 25,5% no 2T25

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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