Fitch vê primeiras Letras de Risco de Seguro como marco para mercado brasileiro

Primeira emissão de Letra de Risco de Seguro no Brasil abre caminho para capital alternativo e diversificação no mercado de (re)seguros, avalia Fitch

A emissão inaugural de uma Letra de Risco de Seguro (LRS) no Brasil, realizada em maio pela Andrina Sociedade Seguradora de Propósito Específico (SSPE), ligada ao IRB Brasil RE, representa um novo capítulo para o mercado local de (re)seguros, segundo relatório da Fitch Ratings. O título, de R$ 33,7 milhões, securitiza risco de seguro-garantia — diferente do padrão internacional, que costuma ter lastro em catástrofes naturais.

Inspiradas nos insurance-linked securities (ILS), as LRS podem ampliar o acesso das seguradoras a capital alternativo, diversificar portfólios e contribuir para a estabilidade dos custos de resseguro. Para investidores, oferecem retornos com baixa correlação aos ativos tradicionais, reduzindo risco sistêmico e aumentando resiliência. No mercado global, as ILS já representam 16% da capacidade total de resseguro.

A Fitch destaca que a demanda no Brasil dependerá da busca por capacidade alternativa, do comportamento das taxas de resseguro e do potencial de retorno. Em 2024, investidores globais obtiveram retorno próximo a 13%, com spreads de risco de 9% e rendimento de renda fixa entre 4% e 5%. Em 2025, a expectativa é de retorno menor, em torno de 11,5%, diante de spreads mais baixos.

A avaliação das LRS pela agência considera o elo mais fraco entre risco do evento segurado, perfil de crédito do patrocinador e risco dos investimentos permitidos. São exigidos modelos robustos e validados, amplamente utilizados no setor e revisados de forma independente. Estruturas que envolvam riscos de difícil modelagem, como ataques cibernéticos ou terrorismo, podem não receber classificação.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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