CNP alcança 16 milhões de segurados na América Latina e vê Brasil como pilar estratégico global

Com presença de quase 30 anos na região, grupo francês mira expansão em mercados estratégicos como México e Colômbia, enquanto consolida nova fase com a marca própria CNP Seguradora e liderança digital via Youse

A CNP Assurances, anfitriã do 1º Fórum Brasil–França de Seguros realizado em Paris pela CNseg, a confederação das seguradoras, reafirma seu compromisso com o crescimento sustentável da América Latina como uma de suas prioridades globais. Presente na região há quase três décadas, o grupo francês aposta na combinação de inovação, inclusão e parcerias estratégicas para ampliar os limites da segurabilidade e democratizar o acesso à proteção financeira.

A presidente global da CNP Assurances, Marie-Aude Thépaut, destacou em encontro com jornalistas o papel estratégico da seguradora como agente de inclusão social e desenvolvimento sustentável. Criada há mais de 175 anos e integrante do maior polo financeiro público francês, a CNP Assurances é uma subsidiária do La Banque Postale e hoje figura como a segunda maior seguradora de vida e de empréstimo imobiliário da França, além de ocupar a quinta posição no mercado europeu e a terceira no Brasil.

“A CNP Assurances é, antes de tudo, uma seguradora comprometida com a proteção e o futuro das pessoas. Por isso, buscamos soluções acessíveis e sustentáveis, com foco nas necessidades reais da sociedade”, afirmou Thépaut. Ela destacou que a companhia já oferece 14 produtos voltados especificamente às populações vulneráveis.

Com mais de 8.300 colaboradores no mundo, a CNP Assurances atua como uma seguradora pessoal e patrimonial, oferecendo proteção em saúde, previdência, seguro de vida, aposentadoria, e também coberturas para bens (P&C – Property and Casualty). Atualmente, o grupo cobre mais de 36 milhões de pessoas em previdência e proteção, e 13 milhões em produtos de poupança para aposentadoria, em 19 países. Em 2024, o grupo registrou um lucro líquido de € 1,582 bilhão e um volume de negócios de € 37,4 bilhões. A taxa de cobertura de solvência (SCR) atingiu 237%, um índice robusto que garante solidez e capacidade de honrar compromissos futuros.

Um dos diferenciais da companhia é seu modelo de distribuição multiparceiro, com cerca de 350 parceiros apenas na França. No Brasil, onde a CNP Assurances ocupa a terceira posição entre as seguradoras, mantém uma parceria histórica com a Caixa Econômica Federal e mais recentemente firmou acordo com o Banco de Brasília, reforçando sua estratégia de longo prazo no país.

Também parceira do Correios, que enfrenta uma crise no Brasil, mas que não assusta o grupo francês. “Somos parceiros de longo prazo”, frisou a CEO. Na Argentina, o grupo se manteve parceiro da principal cooperativa do país, durante toda a crise e deve colher frutos com a retomada da economia vizinha.

Falando em cooperativas, há uma grande mudança neste sistema no Brasil, com o qual da CNP é especialista tanto na França como na Argentina. Nada em curso por ora, mas dependendo sobre como for finalizada a regulamentação da Lei 213, que traz para o mercado de seguros cooperativas e associações, parcerias com cooperativas podem ser uma das alternativas para o grupo avançar no Brasil diante da experiência que tem na França, na Argentina e até mesmo no Brasil. No passado, a CNP foi parceira da Sicoob, cooperativa que hoje tem uma joint venture com a MAG Seguros. O que se tem como certo é que há um desejo do grupo de avançar na América Latina. “

Thépaut também chamou atenção para o papel da CNP como investidora responsável. Ao final de 2024, a companhia havia investido € 412 bilhões em diversos setores da economia, com foco em infraestrutura (como redes elétricas, fibra óptica e abastecimento de água) e em empresas comprometidas com os princípios ESG (ambientais, sociais e de governança).

Globalmente, 80% dos ativos do grupo são geridos com critérios ESG, e €29,4 bilhões estão aplicados em investimentos verdes. Na região, a companhia passou a apoiar iniciativas de preservação da Amazônia, em parceria com o Idesam. A meta é atingir € 30 bilhões até o final de 2025. Também houve redução de 58% na pegada de carbono dos investimentos em cinco anos, para 45 kgCO2e por mil euros investidos.

Grupo pensa em acelerar crescimento na América Latina

Maximiliano Villanueva, CEO da CNP Assurances na América Latina, disse que hoje o grupo tem fundos verdes no Brasil com grandes bancos e que somado a investimento com a Caixa chegaria a totalizar 5% das reservas técnicas, acima do percentual que a lei que cria o mercado regulado de carbono exige das seguradoras. “Temos regras muito rígidas para investimentos em fundos verdes. Fazemos uma auditoria no fundo para entender se ele está em conformidade com as políticas da matriz”, citou.

Villanueva detalhou os principais objetivos estratégicos da companhia para os próximos anos na América Latina. “Nosso projeto para a região é de longo prazo. Atuamos com flexibilidade por meio de bancos, grandes empresas e corretores, sempre com o foco de oferecer soluções que atendam ao maior número possível de pessoas. Acreditamos na força da educação financeira e da capacitação para desenvolver a cultura do seguro”, afirma.

O Brasil, maior mercado da CNP fora da França, lidera essa trajetória. Com um faturamento de R$ 35,8 bilhões e lucro líquido de R$ 3,6 bilhões em 2024, o país abriga experiências emblemáticas, como as joint ventures com a Caixa e o pioneirismo em microsseguros — segmento no qual a CNP foi a primeira seguradora autorizada a operar no Brasil. Trata-se de uma fatia relevante do faturamento global de €37,4 bilhões.“Combinamos canais digitais, parceiros regionais e produtos acessíveis com um compromisso firme com a inclusão financeira”, ressalta Villanueva.

A expansão regional também está no radar. México, Colômbia e Chile são mercados sob análise, com possibilidade de aquisições ou novas parcerias. Os critérios incluem o potencial de mercado, o perfil de consumo de seguros e a maturidade regulatória.

Villanueva destaca ainda os aprendizados dos dois principais mercados atuais. “O Brasil nos mostrou o valor de parcerias de longo prazo e inovação social. Na Argentina, mesmo em um ambiente desafiador, mantivemos rentabilidade e inovamos em canais digitais, reforçando nossa resiliência.” A experiência nesses mercados tem contribuído para o posicionamento global do grupo, inclusive em regiões mais maduras como a Europa.

Entre os marcos recentes está o lançamento da CNP Seguradora, em 2023, com o objetivo de ampliar a atuação para além do canal bancário. A estratégia tem gerado frutos por meio de parcerias com Correios, BRB, XP, Americanas e outras grandes redes. “Essa abordagem multi-parcerias traz flexibilidade e amplia o alcance da proteção”, explica o executivo.

A digitalização também ocupa papel central. A Youse, primeira seguradora 100% digital do Brasil, atua como um laboratório de inovação para todo o grupo. “Ela nos dá velocidade e competência em dados, UX e automação. Isso tem sido fundamental para escalar soluções inclusivas”, diz.

O compromisso da CNP com a sustentabilidade e a inclusão se traduz em ações concretas nos dois países. No Brasil, destaca-se a presença feminina em cargos de liderança (50%), o avanço dos microsseguros e os investimentos com viés ESG. Na Argentina, a seguradora manteve estabilidade mesmo com forte volatilidade, reforçando seu papel social.

Em 2024, a CNP contabilizou 12 milhões de segurados em proteção e 4 milhões em acumulação na América Latina. Microsseguros, previdência e consórcios digitais devem liderar o crescimento nos próximos anos, segundo Villanueva.

Apesar dos desafios — como a complexidade regulatória e a instabilidade econômica da região — o grupo se mantém otimista. “Conhecemos bem esses mercados. Sabemos que o potencial de crescimento é enorme e que podemos ser agentes de transformação social e econômica”, conclui o CEO.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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