Projetos contra mudanças climáticas vão exigir US$ 10 trilhões em cobertura extra de seguradoras

Estimativa é de estudo realizado pela consultoria Boston Consulting Group (BCG), pela seguradora Howden e pelo Climate Change High-Level, da ONU

Fonte: Estadão

O setor de seguros terá um papel importante no combate às mudanças climáticas: o de diminuir riscos e tornar viáveis investimentos em projetos ambientais e para a transição energética. De acordo com estudo realizado pela consultoria Boston Consulting Group (BCG), pela seguradora Howden e pelo grupo da Organização da Nações Unidas (ONU) Climate Change High-Level, as seguradoras precisarão fornecer uma cobertura adicional no valor de US$ 10 trilhões para garantir a realização de US$ 19 trilhões em investimentos.

O estudo foi realizado com base no mapeamento de projetos voltados para questões ambientais nos setores da iniciativa The 2023 Breakthrough Sectors da COP-26, além da estimativa da parcela do investimento necessário que depende de um produto de seguro para ser viabilizado.

Segundo o levantamento, US$ 19 trilhões em investimentos já foram comprometidos por empresas de energia, governos e capital privado para financiar a transição climática até 2030. No entanto, muitos projetos não atendem aos limites de risco exigidos pelos investidores e, para que o montante que falta seja liberado, o setor de seguros precisará fornecer mais de US$ 10 trilhões em cobertura adicional aos projetos.

“O seguro tem um papel importante, de proteger, limitar as perdas, mas também tirar o risco de um certo investimento. Ainda há produtos que precisam ser cocriados pelas realizadoras dos projetos com as seguradoras para destravar a cadeia”, explica Gabriel Purkyt, sócio do BCG.

Ele cita como exemplos dois parques eólicos a serem construídos: um no Senegal, na África, onde havia um problema de liquidez da moeda corrente, e outro nos Estados Unidos, que sofria com a volatilidade nos investimentos ambientais. Em ambos os casos, os seguros ajudam a limitar as possíveis perdas.

Para criar modelos de seguros que funcionem, ainda será necessária uma boa dose de inovação entre os envolvidos — que pode vir tanto da tecnologia como de novas ideias entre as partes. Por exemplo, um modelo que consiga prever enchentes com mais precisão pode ajudar a criar um produto mais adequado para avaliar o perfil de risco, como já ocorre com os seguros de automóveis.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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