IRB(Re) registra lucro líquido de R$ 114,2 milhões em 2023

Índice de sinistralidade apurado no ano passado é de 70%, registrando queda de 34,3 p.p. ante 2022. É o menor desde 2020.

O IRB(Re) fechou 2023 com lucro líquido de R$ 114,2 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 630,3 milhões apurado em 2022. Houve crescimento de R$ 744,5 milhões na comparação anual. Os números, divulgados hoje (28/03), consideram a Visão Negócio e mostram a evolução do ressegurador, que obteve resultado positivo pelo quarto trimestre consecutivo: R$ 37,9 milhões no 4T23 frente prejuízo de R$ 38,8 milhões no 4T22.

“Nossos números mostram que, trimestre a trimestre, evoluímos de forma consistente nos resultados líquido e de subscrição. Iniciamos 2023 com índice de solvência de 101% e encerramos com 146%, com a geração de resultados do negócio. Trabalhamos para produzir resultados sustentáveis, no longo prazo. É claro que, entre os meses e os trimestres, pode haver uma volatilidade inerente ao negócio. Mas temos confiança que continuaremos evoluindo trimestre a trimestre”, comenta Marcos Falcão, CEO do IRB(Re), em nota enviada à imprensa.

“Em 2024, seguimos comprometidos com a rentabilidade do negócio e controlando os itens que estão sob nossa gestão: preço, despesas e custos. Reportamos, essa semana, de forma positiva, os números de janeiro para a Susep. O lucro líquido foi de R$ 36,8 milhões, com resultado de subscrição de R$ 45,2 milhões, índice de sinistralidade em 55,3% e índice combinado de 97%. Vamos seguir, assim, cada vez mais próximos de nossos clientes e investidores, criando intimidade e melhorando nossos processos e a qualidade de nossos serviços”, completa Falcão.

O resultado de subscrição do IRB(Re) também avançou e encerrou 2023 positivo em R$ 155 milhões, frente a R$ 1,4 bilhão negativo do ano anterior. A linha rural registrou o melhor resultado, com R$ 216 milhões em 2023 contra R$ 949,9 milhões negativos em 2022. Vale destacar que, no ano passado, o resultado de subscrição no Brasil foi positivo: passou de R$ 893 milhões negativos, em 2022, para R$ 352,8 milhões positivos. Já no exterior, em 2023, o resultado de subscrição evoluiu, mas ainda foi negativo em R$ 197,7 milhões, ante R$ 556,4 milhões negativos em 2022. 

Em linha com a limpeza de carteira, que foi acelerada em 2023, o prêmio emitido total caiu 17,4% na comparação com 2022, alcançando R$ 6,521 bilhões. No ano passado, a participação de negócios firmados no Brasil teve alta, alcançando 76% do portifólio. Esse percentual era de 68% um ano antes. Em relação ao volume, houve recuo de 7,4% na comparação com 2022: R$ 4,980 bilhões. O prêmio emitido no exterior, que representou 24% do portifólio, totalizou R$ 1,540 bilhão em 2023, queda de 38,7% em relação a 2022. 

“A redução do prêmio emitido total é coerente com a estratégia de melhoria na qualidade de subscrição do IRB(Re). No ano passado, renovamos 83% de todos os negócios que desejávamos manter e seguimos com uma carteira diversificada em nove linhas de negócios. Além disso, a cada quatro novos contratos prospectados, fechamos um. É um sinal importante de que estamos mais próximos dos nossos clientes. Em relação à distribuição de negócios, em 2023, a linha patrimonial segue como destaque, com 37% da carteira”, explica Daniel Castillo, vice-presidente de Resseguros do IRB(Re).

“Nossa estratégia de subscrição continua centralizada no Brasil. No 4T23, os negócios fechados aqui responderam por 82,8% da carteira. Consolidamos a participação no mercado local, alavancando nossas vantagens competitivas. Um passo à frente, refinamos nossa estratégia para, em 2024, concentrar 70% dos nossos negócios no Brasil, 20% na América Latina e 10% nas demais exposições internacionais. Dessa forma, o mercado global continua sendo analisado e mantemos a estratégia de desenvolver negócios não proporcionais, sem assumir grandes exposições. Acredito que temos boas oportunidades na Europa”, completa Castillo.

Sinistro retido total caiu 45,3%

O sinistro retido total caiu 45,3%, na comparação de 2023 com 2022, fechando em R$ 2,906 bilhões. Com isso, o índice de sinistralidade passou de 104,3% para 70%, uma queda de 34,3 p.p.. A companhia também melhorou o índice combinado – que inclui sinistralidade, comissionamento e demais despesas – em 28,1 p.p., passando de 136,7%, em 2022, para 108,6%, em 2023. Considerando apenas as linhas de negócio não vida, o índice combinado foi de 106,4%.

“No 4T23, o índice de sinistralidade ficou em 55%, contribuindo para que fechássemos 2023 com 70%, o menor índice desde 2020. Considerando a geografia, houve redução de 44,8 p.p. no Brasil – passando de 105% em 2022 para 60% em 2023 – e 16 p.p. no exterior – de 104% para 88%. Vale lembrar que a sinistralidade resulta dos contratos firmados em períodos anteriores. Dessa forma, os efeitos de contratos assinados antes de 2020 ainda impactam nossos números, mas seguem decrescendo. Em 2023, R$ 713 milhões ou 25% dos sinistros pagos tiveram origem nesses contratos”, explica Castillo.

Evolução do fluxo de caixa

O consumo de caixa operacional acumulado dos últimos 12 meses apresentou resultado de R$ 518 milhões. “A evolução do caixa operacional está em linha com a nossa expectativa. Os números dos últimos trimestres mostram melhoria em relação aos mesmos trimestres do ano anterior. No 4T23, especificamente, houve geração de R$ 256 milhões devido à sazonalidade na operação que torna o fluxo positivo. Vale dizer que desenvolvemos diversas ações de melhoria na nossa gestão de cobrança, que já contribuem para um consumo de caixa menor. Ressalto que, em outubro, efetuamos pagamento de R$ 487 milhões em debêntures e reduzimos o nosso endividamento pela metade”, diz Rodrigo Botti, vice-presidente Financeiro, Atuarial e Tecnologia do IRB(Re).

Em 2023, houve aumento de 7,4% nas despesas administrativas, principalmente em função do acordo assinado com o Departamento de Justiça dos EUA (DoJ), de R$ 25,4 milhões, e da despesa com os dois Programas de Demissão Voluntária (PDV), de R$ 13,2 milhões. “Excluindo-se estes efeitos não recorrentes, as despesas administrativas totalizariam R$ 315,4 milhões, abaixo dos R$ 329,7 milhões apurados em 2022”, ressalta Botti.

O resultado financeiro e patrimonial da companhia fechou 2023 em R$ 548,7 milhões, uma redução de 20,5% em relação ao ano anterior (R$ 690,1 milhões). Vale ressaltar que efeitos não recorrentes, referentes a ganhos judiciais e venda de ativos, têm impacto nos valores verificados em 2022. “Iniciamos 2023 com R$ 9 bilhões em ativos financeiros e encerramos com R$ 8,3 bilhões”, conta Paulo Valle, diretor-geral da IRB(Asset), braço de investimentos do ressegurador.

Suficiência nos indicadores regulatórios

O IRB(Re) deve observar dois indicadores regulatórios, conforme dispõe normativo da Susep, órgão responsável pela supervisão do setor de seguros e resseguros: Índice de Suficiência de Patrimônio Líquido Ajustado em relação ao Capital Mínimo Requerido (CMR) e o Índice de Cobertura de Provisões Técnicas. Em 2023, a companhia apresentou suficiência em ambos os índices.

“O primeiro indicador fechou o ano com suficiência de R$ 534 milhões, ou seja, 46% acima do capital requerido, o melhor patamar desde setembro de 2021. Vale ressaltar que, com a melhor seleção de riscos, reduzimos a necessidade de capital mínimo requerido em mais de R$ 400 milhões em 2023. O indicador de suficiência de garantia encerrou o ano passado com suficiência de R$ 438 milhões”, diz Thais Peters, diretora de Controles Internos, Riscos e Conformidade do IRB(Re).

IFRS 17

O IRB(Re), além de reportar seus números considerando a Visão Negócio, utilizada pela empresa para tomar suas decisões, publicou suas Demonstrações Financeiras de 2023 em IFRS 17, conforme exigência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A norma internacional, direcionada ao mercado de seguros e resseguros, trata os fluxos operacionais trazidos a valor presente, considerando o valor do dinheiro no tempo. 

“A partir de agora reportamos nossos números em mais uma metodologia contábil. A IFRS 17 é uma lente que permite olhar uma projeção para o futuro. O resultado da companhia é o mesmo, o que muda é a temporalidade. Aplicando a nova metodologia, verificamos uma transferência de resultado de 2022 para 2023, mas, na soma, os resultados são praticamente equivalentes. Compreendemos que entender essa transição é um desafio para o mercado como um todo. Reitero que a companhia, nesse momento, seguirá gerenciada pela Visão Negócio do IFRS 4, adotada pelo nosso regulador setorial, a Susep”, afirma Falcão. 

Considerando a metodologia em IFRS 17, o resultado da companhia em 2023 foi negativo em R$ 123,8 milhões, ante resultado negativo em 2022 de R$ 420,7 milhões, também em IFRS 17. A soma do valor apurado em 2022 e 2023 é negativa em R$ 544,5 milhões. O valor é próximo do saldo negativo apurado em IFRS 4, considerando 2022 e 2023: R$ 516,1 milhões. 

“A análise dos dados em IFRS 17 exige olhar para períodos mais longos. Veja: o resultado de 2022 melhorou em R$ 210 milhões, e o de 2023 piorou em R$ 238 milhões. Ou seja, em um combinado de dois anos houve uma variação de R$ 28 milhões. É importante notar que, com a adoção da metodologia da IFRS 17, o patrimônio líquido da companhia fechou 2023 em R$ 4,257 bilhões. Ou seja, variou em menos de 1%, positivamente, considerando o resultado em IFRS 4, que apurou PL de R$ 4,216 bilhões”, comenta Botti.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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