Artigo: Franquia nos planos de saúde. Por que não utilizar?

Roberto Parenzi, diretor do Grupo Capitolio

Até onde sei e já tive a oportunidade de presenciar, os seguros de saúde nos Estados Unidos da América, aplicam, de forma generalizada, uma espécie de franquia.

Em geral, é preciso pagar uma quantia extra para consultas médicas, exames, tratamentos e outros serviços não incluídos. Quanto mais cara for a mensalidade fixa, menos o usuário do plano terá de pagar a cada vez que utilizar o convênio, o que equivaleria à nossa coparticipação.

Além disso, no modelo americano, é preciso pagar uma espécie de franquia, chamada “deductible”, na hora de contratar o plano. Por exemplo, se você contratar um seguro cujo “deductible” é US$ 3 mil, significa que a seguradora só começará a cobrir os gastos depois que esses US$ 3 mil iniciais forem gastos. Por outro lado, há o “Out of Pocket Maximum”, que coloca um limite no quanto o usuário pode tirar do próprio bolso por ano. Se o valor estabelecido for US$7 mil e ele precisar de um tratamento complexo, que custe muito mais caro, a seguradora se encarregará de pagar a diferença.

Estamos assistindo, no Brasil, a resultados operacionais negativos dos Planos e Seguros de Saúde, com anos de discussão sobre alterar o modelo, porém sem que nada tenha sido feito de concreto, até aqui.

Sabemos que a Resolução Consu n° 08/98, permite aos planos adotar mecanismos de “regulação financeira”, como coparticipação e franquia, mas só vemos o uso da coparticipação e em assim mesmo em alguns planos.

Se o sistema de saúde suplementar vive um momento turbulento, pergunto, porque não adotar, daqui para frente, em todos os novos planos vendidos, a COPARTICIPAÇÃO e a FRANQUIA, em conjunto? Previsto na regulamentação está!

Já seria um passo rumo a alteração do modelo atual, copiando, em parte, o modelo americano, levando a um uso mais consciente dos planos uma vez que os usuários teriam participação mais elevada nos custos das despesas médicas.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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