O corretor de seguro é insubstituível na tarefa de vender proteção de vida e previdência e a tecnologia é o que nos facilita a vida, afirma o presidente do Conselho de Administração da MAG Seguros e do Instituto de Longevidade, Nilton Molina, participou da 7a. edição do LC Summit, realizado pela Lojacorr no Centro de Eventos Positivo, em Curitiba (PR), nos dias 1 e 2 de junho.
Envelhecer é algo que mudou muito com o passar dos anos – e, diante desse novo conceito de longevidade, o planejamento da aposentadoria sustentável é um cuidado que todos devem ter. “As crianças que estão nascendo hoje serão centenárias e saudáveis. Por isso é preciso priorizar discussões sobre as mudanças que precisam acontecer na sociedade para acolher esta nova realidade”, defende.
O executivo destacou duas oportunidades primordiais para o avanço e futuro do mercado de seguros: a longevidade e o seguro de vida. “Hoje o corretor da Lojacorr praticamente vende muito pouco seguros de pessoas, concentrando as vendas eu automóvel. O que custa fazer uma pergunta singela ao cliente de carro: o senhor tem um tempinho para eu lhe mostrar um seguro de vida para proteger a sua família”, sugeriu.
“Nem era para eu estar vivo. Quando nasci, a expectativa de vida era de 42 anos. E eu estou com mais de 80”, citou. Brincadeiras à parte, ele trouxe um tema crucial para o setor de vida e previdência: o pacto intergeracional foi quebrado e em poucos anos a aposentadoria do governo não passará de um salário mínimo, com poucos jovens pagando para bancar a aposentadoria de muitos velhos, disse.
“Ou seja, nasce menos gente e os velhos não querem morrer. Isso causa um grande problema. O Brasil tem 16 milhões de pessoas com mais de 65 anos. Daqui a 30 anos, serão 60 milhões. O seguro social vai remunerar com uma renda mínima universal. Sendo assim, o setor de seguros é quem vai prover a sociedade com produtos de proteção financeira, como vida e previdência. E este é um grande desafio que depende de todos nós em criamos condições econômicas e atuariais sustentáveis”, disse.
Segundo ele, os corretores têm um papel fundamental para ajudar o brasileiro a se preparar para o futuro. Os seguros de vida individuais, aqueles que efetivamente garantem proteção para uma família, não alcançam sequer 5% da população brasileira.
Hoje, uma pessoa com mais de 60 anos tem todas as possibilidades de permanecer ativa, com vitalidade para aproveitar todas as reservas que constituíram ao longo da vida. “Eu mesmo sou um exemplo vivo disto”, diz. No entanto, 80% delas não estão satisfeitas com os produtos e serviços que consomem. “Esse grupo de idade mais velha tem uma participação no PIB imensa, ele tem mais poupança para gastar do que um jovem que está comprometido com a família”, afirma.
Reforçou ainda como reflexão que o mercado precisa pensar em mais produtos voltados às pessoas da 3ª idade já que, no futuro de curto prazo, o número de idosos será muito maior do que crianças até 15 anos no Brasil. Entre os produtos, citou planos de cuidados com o envelhecimento (long term care), coberturas para saúde para fazer frente ao elevado custo com planos de saúde que acabam sendo cancelados diante do orçamento mais apertado de pessoas já aposentadas.
Há também o hipoteca reversa, onde a pessoa negocia com a seguradora uma renda vitalícia em troca do apartamento enquanto ele viver. “Não é um produto simples e é para a alta renda”, citou. O quarto produto é um “resort para velhos baleados”, ou seja idosos sozinhos que ficam em instituições dedicadas a este segmento. “Esses projetos já existem nos EUA e devem chegar ao Brasil”.
Além disso, Molina destacou que como serviço à comunidade, a MAG criou o Instituto de Longevidade que tem como propósito ajudar o cidadão brasileiro a entender e por isso garantir a sua longevidade financeira em todas as fases da vida. “O Instituto de Longevidade MAG tem ainda a missão de levar a sociedade a discutir de forma virtuosa os impactos sociais, econômicos e comportamentais do aumento da expectativa de vida no Brasil”, reverberou.
“Eu sou um corretor, eu sou um vendedor, nasci menino pobre, fiquei um homem rico, fazendo uma única coisa: vendendo seguro de vida. Nunca vendi nenhum outro tipo de seguro, só seguro de vida. E assim virei corretor, gerente, superintendente, diretor, presidente, etc e trabalho em uma companhia grande, que é a MAG. Eu fiz muitos outros negócios. Perdi dinheiro em todos. Só ganhei dinheiro vendendo seguro de vida. Esse é um recado, é a mais clara verdade, que é a minha vida”, afirmou.
Carlos Heitor Campani, PhD em Finanças, definiu bem os 5 produtos sugeridos por Molina. “Todos eles tratam de resolver problemas na longevidade e se configuram em soluções de proteção social. Naturalmente, um arcabouço legal precisaria acompanhar a regulação desses produtos”, escreve Campani que também é pesquisador da Cátedra Brasilprev em Previdência e da ENS – Escola de Negócios e Seguros.
Long-Term Care: garantiria uma renda mensal até determinada idade (ou até de forma vitalícia) por perda (parcial ou total) da autonomia física ou intelectual. Note que se trata de algo diferente do seguro invalidez por conta do nível de especificidade. Por exemplo: se um cantor passa a ter problema severo com sua voz, ele não se torna um inválido, mas perde a chance de gerar renda com o talento de cantar. O produto serviria exatamente para recompor a sua renda devido à essa perda inesperada.
Hipoteca Reversa: imóvel próprio vendido antecipadamente a instituição financeira (ou seguradora). Imagine que o único bem que você possua seja a sua casa própria e que você não gostaria de vender para morar de aluguel. Esse produto garantiria uma renda mensal vitalícia em troca da instituição financeira receber a posse do seu imóvel após a sua morte. Enquanto você viver, o imóvel é seu!
Compra Atuarial: de moradia, alimentação, saúde etc. Produto que garantiria, como diz Nilton Molina, o custeio “da última milha da vida”. Ao longo de sua vida ativa, você pagaria por este produto e, caso venha a chegar à sua última milha (definida por você, tal como, por exemplo, 90 anos de vida), teria direito a usufruir, por exemplo, de um hotel para idosos pelo resto da vida. Esse hotel proveria as condições (moradia, alimentação e saúde) para um final de vida adequado. Alternativamente, esse produto poderia prover essas condições na residência do idoso.
Capital Segurado de Saúde: auxílio financeiro pontual decorrente de algum evento de saúde, como por exemplo o aparecimento de um câncer ou de outra doença grave. Se, por um lado, um plano de saúde custeia (de forma parcial ou total) os gastos médicos e hospitalares, por outro, é muito usual que a pessoa perca renda por não ter como trabalhar pelo período de tratamento. Este produto serviria de apoio financeiro neste tipo de situação.
Capital Segurado de Sobrevivência: auxílio financeiro pontual ou vitalício que você receberia caso atingisse determinada idade avançada. Note que seria um produto atuarial e, portanto, mais barato porque você só receberia caso atingisse aquela idade. Quanto maior a idade escolhida, mais barato esse capital sairia hoje porque a probabilidade de chegar até lá se reduz. Isso permitiria que as pessoas se aposentassem por planos previdenciários com uma renda temporária (que é maior que a renda vitalícia), tendo em vista que sua longevidade estaria financeiramente protegida por este produto.


















