Governo sem seguro para reconstruir a destruição causada por bolsonaristas extremistas

Sem seguro. O governo federal não tem o hábito de contratar seguro para seus bens. E mesmo que contratasse, atos de vandalismo são excluídos das apólices. “Atos de vandalismo são riscos excluídos na maioria das apolices de seguros de danos”, disse um porta voz do segmento de seguros de bens e responsabilidades (ou, na sigla em inglês, Property & Casualty – P&C). Com terrorismo, como classificam algumas mídias, as seguradoras são ainda mais rígidas. Até oferecem a cobertura, mas a preços tão elevados que praticamente ninguém contrata. “Alguns ministérios até tem uma ou outra apólice, mas planalto, congresso e STF não”, afirmou um executivo do setor que pediu anonimato.

Mais de 400 criminosos já foram presos pelas forças de segurança após os atos de vandalismo e destruição praticados ontem por bolsonaristas extremistas, que invadiram Brasília em mais de uma centena de ônibus que chegaram a capital federal no domingo. O grupo protesta contra a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições 2022. As áreas do térreo do Planalto, como a galeria de presidentes da República, e outras áreas do segundo e terceiro andar foram danificadas. Uma obra do pintor carioca Di Cavalcanti no Palácio do Planalto, vidraças e peças artísticas históricas estão na lista dos estragos.

“Estive agora à noite no Palácio do Planalto e no STF. Os golpistas que promoveram a destruição do patrimônio público em Brasília estão sendo identificados e serão punidos. Amanhã retomamos os trabalhos no Palácio do Planalto. Democracia sempre. Boa noite”, escreveu o presidente Lula em sue twitter.

As agitações sociais estão no radar das seguradoras em todo o mundo. No Brasil, diante da polarização política, o tema é acompanhado com muita atenção, pois podem causar danos físicos, interrupção de negócios ou perda de receitas. Ontem, as perdas geradas pelas manifestações, até agora, estão concentradas em Brasília.

A Verisk Maplecroft, uma empresa de pesquisa especializada em análise de risco global, estimou que 75 países vivenciaram um aumento nos protestos até o final de 2022. Destes, mais de 30 – grande parte na Europa e nas Américas – provavelmente verão uma atividade significativa. A violência política também causou importantes sinistros de seguros em 2020.

Enquanto os protestos, após a morte de George Floyd, que ocorreu em 140 cidades dos EUA, foram em sua maioria pacíficos; os incêndios, o vandalismo e os saques que ocorreram custarão ao segmento segurador pelo menos US$ 1 bilhão a US$ 2 bilhões em sinistros, de acordo com Axios.  Este valor leva em conta também o lucro que as empresas deixam de ter, numa cobertura chamada lucro cessante. Durante as manifestações dos “Coletes Amarelos”, lojas ao longo da Champs Elysees em Paris foram saqueadas e muito danificadas, o que afugentou os clientes. Após apenas algumas semanas de protestos, a federação francesa de varejo informou que os varejistas haviam perdido, em todo o país, US$ 1,1 bilhão em receitas, relata a AGCS, seguradora de grandes riscos do grupo Allianz, em recente estudo.

As empresas também devem rever suas apólices de seguro. As apólices de P&C podem cobrir sinistros de violência política em alguns casos, mas as seguradoras também oferecem cobertura especializada para mitigar o impacto de greves, motins e comoção civil através do mercado especializado em violência política. “Anteriormente, esta cobertura era vista como um ‘é bom ter’ para os clientes e ‘nada com que se preocupar demais’ pelas seguradoras. Entretanto, isto mudou desde 2018, pois tanto a frequência quanto a gravidade destes eventos aumentaram significativamente. Vemos o crescente interesse e demanda por coberturas de violência política por parte das empresas”, comentou Bjoern Reusswig, director global de Violência Política e Soluções para Ambientes Hostis da AGCS, no estudo.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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