Apesar de sinais melhores para atividade, inflação segue preocupando, com Selic no radar em semana de Copom

As projeções para o crescimento do PIB deste ano continuam aumentando lentamente, de 5,29% para 5,30%, neste ano. Para 2022, manteve-se em 2,10%

O Boletim Focus publicado nesta segunda-feira mostra que a pressão inflacionária se mantém no radar das mais de 100 instituições financeiras analistas ouvidas pelo Banco Central. A previsão para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) subiu para 6,79%, ante 6,56% na semana anterior. Essa foi a 17ª semana consecutiva em que os analistas elevaram a expectativa para inflação. “Nesta semana também temos a reunião do Comitê de Política do Banco Central (Copom), que se reúne, na terça e quarta-feira 3 e 4, para decidir a taxa básica de juros (Selic), atualmente em 4,25%. As apostas sinalizam alta por ser a taxa de juros a principal ferramenta do Banco Central para o controle da inflação”, comenta Pedro Simões, do Comitê de Estudos de Mercado da CNseg, a Confederação Nacional das Seguradoras. O BC já sinalizou que continuará o movimento de alta dos juros. 

As projeções para o crescimento deste ano continuam aumentando lentamente. Nesta semana, a mediana das projeções do Focus subiu de 5,29% para 5,30%. Para 2022, manteve-se em 2,10%. “Mesmo em um cenário de um novo surto nos próximos meses, o que é um risco considerável, bastando conferir o que ocorre nos EUA nas últimas semanas – as autoridades públicas não devem implementar novas medidas de bloqueio, dada a melhoria da capacidade hospitalar, a falta de apetite político por restrições e o claro esgotamento social com o isolamento, que não foi tão intenso nem durante a forte segunda onda do primeiro semestre. Com isso, as projeções para o crescimento deste ano continuam aumentando lentamente”, destaca Simões. 

Na agenda da semana, destaque para a pauta do Congresso Nacional, que voltou hoje do recesso, com temas que podem impactar as projeções, como a Reforma do Imposto de Renda. “Na sexta-feira passada, tivemos uma amostra de como o câmbio pode se desvalorizar rapidamente por conta de um acontecimento com fracas ligações com a conjuntura econômica. O Ibovespa caiu 3,08% e o dólar subiu 2,57% como reação às declarações do ministro da Economia sobre uma conta de vários bilhões em precatórios para 2022, que pode prejudicar sobremaneira a política fiscal, que já deve estar pressionada pelo novo programa de transferência de renda (o “novo Bolsa Família”) e pelos demais aumentos de gastos que são costumeiros em anos eleitorais”, acrescenta o economista. 

Leia a íntegra do Boletim Acompanhamento de Expectativas Econômicas produzido pela CNseg

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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