PF deflagra operação Canal Seguro, que investiga fraudes envolvendo corretora Wiz

São cumpridos 13 mandados de busca e apreensão, em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a operação Canal Seguro, que investiga fraudes envolvendo a corretora Wiz. Segundo a PF, são cumpridos 13 mandados de busca e apreensão, em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, informa o Valor e outras diversas mídias.

A investigação contou com a participação da Receita Federal e do Ministério Público Federal. Ela teve início a partir de provas produzidas no âmbito da Operação Descarte e seus desdobramentos (Chiaroscuro, Checkout, E o Vento Levou e Chorume).

“A PF conseguiu identificar mais uma organização criminosa dedicada à prática de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, especialmente gestão fraudulenta e desvio de valores de instituição financeira, além de crimes contra a ordem tributária e lavagem de ativos”, diz a corporação.

Segundo a PF, entre 2014 e 2016 três dos diretores da companhia teriam praticado atos de gestão fraudulenta e desviado valores que podem chegar a R$ 28,3 milhões, mediante diversas transferências a título de pagamento por prestação de serviços, superfaturados ou que na verdade não foram realizados.

Foi determinado o sequestro de valores que, somados, superam R$ 27 milhões, bem como o sequestro de um apartamento no Rio de Janeiro, avaliado em R$ 5,5 milhões. Foi também determinada a suspensão do exercício da atividade de natureza econômica ou financeira pelos três diretores diretamente envolvidos nas fraudes investigadas.

“A Wiz esclarece que desconhece qualquer indício da prática dos ilícitos investigados e adotará as medidas necessárias para a apuração completa dos fatos alegados, bem como sempre se colocará à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e prestar quaisquer esclarecimentos necessários para a devida apuração dos fatos”, diz a corretora em nota a CVM.

Há três semanas, a revista IstoÉ Dinheiro publicou a matéria Gigante dos seguros, Wiz avança no crédito. O texto informa que o CEO da Wiz, Heverton Peixoto (foto), prepara a entrada da gigante dos seguros no mercado de originação e distribuição de crédito. “Seremos tão grandes na distribuição de crédito quanto somos na venda de seguros”, afirmou Heverton. Aos 37 anos, o engenheiro com MBA em Corporate Finance no Insead, na França, e ex-consultor da McKinsey & Company, está à frente da transformação da Wiz. Hoje, a empresa é a maior gestora de canais de distribuição de produtos financeiros e seguros do País e chegou a lucrar R$ 223,7 milhões em 2019. No segundo trimestre de 2020, mesmo com a pandemia, a companhia teve receita bruta de R$ 169,4 milhões.

NOTA DA WIZ

A Wiz Soluções foi surpreendida na manhã desta quinta-feira (26) com uma ação de busca e apreensão de documentos no âmbito da Operação Descarte, que investiga atividades entre 2014 e 2016, em gestão anterior da companhia.
A Wiz segue à disposição das autoridades para qualquer esclarecimento necessário. Sendo a maior interessada na elucidação dos fatos, a companhia tomará todas as medidas necessárias para identificar eventuais irregularidades. A empresa reitera seu compromisso com a ética, a transparência e as boas práticas de gestão, base do trabalho realizado ao longo de 47 anos de atuação”

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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