Covid-19 ainda não afeta o resultado operacional do setor segurador no primeiro trimestre

Impacto na linha final deveu-se à queda geral da bolsa de valores e juros baixos

FonteL CNseg

A queda dos resultados na linha final das seguradoras, entidades abertas de previdência privada e empresas de capitalização, no primeiro trimestre do ano, demonstra os  impactos da perda geral do valor das ações no mercado financeiro e da queda da taxa de juros. Já os demais indicadores, como as receitas operacionais, ainda não foram afetados pelo novo coronavírus, informa a Conjuntura CNseg (edição nº22). “Houve uma queda nos resultados financeiros, mas o impacto da Covid-19 ainda não figurou no setor, até porque os primeiros efeitos do estado de emergência ocorreram na última semana de março”, afirma o Presidente da Confederação Nacional das Seguradoras – CNseg, Marcio Coriolano.

A instabilidade do mercado financeiro e o ajuste da taxa de juros já vinham acontecendo antes da pandemia. Para o conjunto das seguradoras, o resultado financeiro, de R$ 1,5 bilhão no primeiro trimestre, encolheu 49,4% em relação ao mesmo período de 2019, levando o lucro líquido a R$ 1 bilhão, 50,1% menor na comparação de igual período.

No segmento de previdência privada, a queda do lucro líquido foi de 35,1%. Na capitalização, o resultado financeiro e o lucro líquido global foram, respectivamente, R$ 20 milhões e R$ 188,5 milhões, correspondendo à queda de 92,8% e 46,0%, na mesma sequência. Ainda assim, segundo Marcio Coriolano, o setor segurador mantém níveis adequados de solvência, somando, ao final do primeiro trimestre de 2010, provisões técnicas de R$ 1,1 trilhão, com um total de ativos superior a R$ 1,2 trilhão.

Na margem (variação mês a mês), a arrecadação de prêmios é outro indicador que mostra que as altas taxas de crescimento observadas desde o segundo semestre de 2019 não conseguem se sustentar. A receita de março último, de R$ 19,9 bilhões, foi 4,3% inferior à obtida em fevereiro, que já caíra 11,5% na comparação com o mês anterior. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, o dado é positivo, com crescimento de 3,3% em março e outros 4% em fevereiro sobre o mesmo mês de 2019, ano que teve um desempenho tímido nos meses iniciais em termos de prêmios.

No primeiro trimestre deste ano, constata-se evolução operacional do setor, acumulando R$ 64,5 bilhões, o que corresponde evolução de 7,8% na arrecadação sobre os três primeiros meses de 2019. Na ótica de 12 meses, móveis fechados em março, o crescimento foi de 12,5%, maior ainda do que o obtido em fevereiro (12,2%), mais uma vez em razão de um desempenho tímido nos primeiros meses de 2019.

Os dados de abril, já disponibilizados pela Susep, e em fase de análise, serão objeto da próxima edição da Conjuntura CNseg (nº 23).

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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