Desconhecimento e má informação colocam saúde sob risco, afirma FenaSaúde

Fonte: FenaSaúde

A diretora executiva da FenaSaúde, Vera Valente, expôs, nesta quarta-feira, 20/5, os riscos que o sistema de saúde tem sofrido devido à má informação sobre o seu funcionamento, sobretudo no período atual da pandemia de covid-19. As ameaças estão, por exemplo, na grande quantidade de projetos de lei que desorganizam a saúde suplementar e em propostas para adoção de uma fila única de leitos gerenciada pelo SUS.

“O desafio maior é manter o sistema organizado: SUS e saúde suplementar. Essa complementaridade está sendo colocada em risco”, afirmou Vera no webinar “O Desafio da Saúde Privada em Tempos de Covid-19”, promovido pelo Colégio Brasileiro de Executivos da Saúde (CBEXs). 

Com relação à profusão de projetos de lei, a diretora executiva da FenaSaúde salientou que boa parte deles não contempla uma visão abrangente e realista sobre a complexidade do sistema de saúde brasileiro. Isso fica claro, por exemplo, quando busca-se permitir a inadimplência ou alterar prazos de carência.

“A saúde suplementar irriga todo o sistema privado. Ao comprometer algum elo dessa cadeia, estão comprometendo a cadeia como um todo e, claro, a assistência aos pacientes. O conceito de mutualismo, onde todos contribuem, não é bem compreendido”.

Com relação à fila única de leitos, Vera Valente lembrou que muitas das propostas não levam em conta sequer a recomendação do Conselho Nacional de Justiça segundo a qual a medida deve ser aplicada apenas quando se esgotarem todas as demais alternativas, em especial a contratação direta de bens e serviços pelo Estado junto aos prestadores privados. “Que seja feito chamamento público. Esse sistema tem de ser pago”, explicou. 

Também participaram do webinar o presidente executivo da Central Nacional Unimed,  Alexandre Ruschi, e o presidente da Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (Fehoesp), Yussif Ali Mere. A mediação foi do presidente do Conselho de Administração do CBEXs, Francisco Balenstrin.

Presidente executivo da Central Nacional Unimed, uma das 16 associadas à FenaSaúde, Ruschi defendeu a união de toda a cadeia de produção da saúde como medida essencial para superar a atual crise.

Segundo ele, a saúde suplementar sofre dificuldades adicionais, como em relação à regulação e a entraves impostos ao acesso às reservas das próprias operadoras, que, conforme proposto pela ANS, só podem ser utilizadas com a contrapartida de aceitação da inadimplência. “Ativos garantidores estão lá exatamente para os momentos de dificuldades que são esses que estamos vivendo”, afirmou Ruschi.

Vera Valente também criticou as pré-condições impostas pelo órgão regulador para acesso às reservas. “Se você tem uma medida da ANS que diz que todo esse público, se não pagar, continuará sendo atendido, não é difícil imaginar que irão parar de pagar. E isso traz o risco de colapso em todo o sistema”, alertou.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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