Por Túlio Fumis, Associate Partner na Page Executive e líder para as áreas de serviços financeiros, saúde e seguros
Neste quarto artigo da série das oito mais importantes preocupações dos executivos em 2018, entenderemos como a automação e a tecnologia moldam a demanda por talentos.
Reflexões:
• Os talentos de amanhã precisarão passar a vida inteira aprendendo?
• As reuniões com clientes poderão ocorrer em realidade virtual?
• O mercado de seguros será muito ou pouco impactado por tecnologia no futuro?
• Você está preparado para isto?
Uma coisa nós sabemos com certeza: o ambiente de trabalho do futuro vai exigir líderes competentes e preparados para começar a pensar de maneira diferente da atual.
Contemplar o futuro do trabalho pode ser um exercício fascinante ao considerarmos como e onde as futuras gerações irão trabalhar. E mais: quais inovações poderão potencializar o nosso ambiente de trabalho futuro.
Uma vez que os avanços tecnológicos aceleram e os “futuristas” respondem de volta, as últimas previsões são de que o escritório do futuro será modificado por várias inovações como ambientes mais oxigenados e verdes, também conhecidos como “design biofílico”, impressoras 3D e secretárias-robôs. Porém, poucas previsões englobam os fundamentos de como a liderança e nosso uso dos talentos nas empresas deverá mudar.
Transformação Analítica
Um ativo garantido para transformar o ambiente de trabalho e as decisões tomadas por lá é a “big data”. De fato, uma prioridade para os líderes seniores será explorar uma quantidade enorme de informação de qualidade.
Larysa Melnychuk, CEO e fundadora do International FP&A Board, uma incubadora de idéias para profissionais de finança seniores, previu que inteligência artificial e sistemas avançados de conhecimento vão dar para os líderes do futuro um entendimento claro, exato e atualizado dos números que norteiam o sucesso ou fracasso de uma empresa.
Ela diz que como tudo é baseado em indicadores de negócio, e aproximadamente 20% destes indicadores explicam 80% dos resultados, obviamente estes indicadores mudarão. Menciona um cliente do mercado financeiro em New York que antigamente demorava por volta de um mês para rever seus números de balanços, na casa das dezenas de bilhões, e que atualmente demora trinta e seis minutos para fazer isto.
A chave para este processo, que ela descreve como “transformação analítica”, vai gerar uma necessidade crescente de profissionais de talentos, incluindo novas posições para cientistas de dados, arquitetos de informações e “contadores de histórias” que podem ajudar líderes seniores a trazer a estratégia para a realidade. Estas posições irão de certo modo tomar lugar de outras como a de um contador tradicional, por exemplo, cuja atividade será rapidamente ultrapassada por automação baseada em inteligência artificial.
Proteger pessoas acima dos trabalhos
Não existe disfarce para isto: o ambiente de trabalho de hoje está repleto de funções que irão ser redundantes no futuro. É uma mensagem difícil para o C-level de hoje e de sérias implicações para organizações e educadores.
As empresas podem não estar aptas a proteger as funções que serão redundantes devido a tecnologia e automação, mas elas devem manter a responsabilidade pelos colaboradores e por ajuda-los a se adaptarem e se “reinventarem” para as novas funções que surgem.
Existe um papel muito claro para a liderança nesta fase de transição. Laurence O’Neill, Coordenador de Infraestrutura para a Europa, no Grupo Page, comenta que continua sendo uma prioridade para os CEOs manterem-se focados em seus papéis de mantenedores do rumo da empresa. Ressalta que enquanto os avanços da tecnologia vão moldar o cenário dos ambientes de trabalho futuros, caberá às pessoas garantir que nós não percamos o foco do que nos faz humanos e caberá aos futuros líderes facilitar este tipo de pensamento.
Similarmente, no nível individual, será necessário para a força de trabalho do futuro entender a demanda de nos esforçarmos cada vez mais em engajarmos com outras pessoas neste processo e ao mesmo tempo manter nossa identidade e valores essenciais.
Para proteger os meios de subsistência e manter a competitividade em alta, os líderes do futuro devem estar preparados para as tarefas prioritárias, particularmente encontrando novas maneiras de responder aos grandes desafios que vão aparecer e construir os modelos para ajudar a resolvê-los.
Vender para as pessoas que a educação formal delas não irá travar seus caminhos aos vinte e pouco anos e que o trabalho deve ser um ambiente de readaptação de alto nível constante, vai requerer um pensamento diferente sobre como elas vão ver suas carreiras mais para frente. E se os nossos talentos precisam voltar constantemente para escola, para alavancar suas carreiras, que outros pilares neste “pós-guerra” do ambiente de trabalho, como dias fixos de trabalho na semana, também poderão ser desmantelados?
Os competidores de jogos online de hoje vão mudar o mercado
Mudar as expectativas dos consumidores irá levar também a uma mudança radical no mercado. Por exemplo, todos aqueles que atualmente estão envolvidos com jogos online, será que irão demandar do mercado as mesmas especificidades relativas a serviços bancários, comércio, reuniões ou e-commerce do que outras gerações? O tempo investido em análise de mercado de games e em jogos on-line, pode ter sido de bastante proveito.
Já há previsões de que dentro de uma década, a maioria dos consumidores terá um equipamento dentro de seus bolsos capaz de proporcionar uma experiência de realidade virtual impressionante. Isto poderia também ajudar-nos a superar o que muitos executivos chamam de “tirania da distância” que muitos CEOs globais enfrentam.
Com a melhoria da interação entre humanos e máquinas, que gera cada vez mais experiências mais envolventes, detentores de grandes marcas terão o potencial de engajar e se conectarem emocionalmente com consumidores de uma maneira que os líderes seniores jamais imaginaram.
Conclusões:
• Uma transformação analítica irá oferecer visões de indicadores exatos que levam um negócio ao sucesso ou à derrota;
• Planeje sua estratégia de talentos para proteger as pessoas e não as funções;
• Elabore o quanto antes seu discurso de mudança, incluindo re-treinamento de talentos chave;
• Os modelos de ambientes de trabalho serão cada vez menos baseados apenas em escritórios formais;
• Desenvolva uma perspectiva de realidade virtual e de experiências de realidade aumentada dentro de seu modelo futuro de oferta de serviços.
Atualmente liderando a área de serviços financeiros e seguros na Page Executive, consultoria global de recrutamento para o alto escalão executivo (pertence ao PageGroup Brasil), compartilharei mensalmente com o blog dicas sobre tendências, carreira, CVs, entrevistas e outros assuntos relacionados a recrutamento e seleção, voltados para empresas e profissionais de seguros.
Até breve!


















