Risco político ameaça multinacionais e investidores, revela estudo da Marsh

Release

As tensões geopolíticas, incertezas nas economias emergentes, aumento do protecionismo e o terrorismo estão entre os maiores riscos paras as empresas e investidores, segundo a mais recente edição do Mapa de Risco Político da consultoria de risco e corretora de seguros Marsh, produzido em parceria com a BMI Research. As duas empresas analisaram e classificaram mais de 200 países, com base nos seus riscos políticos, econômicos e operacionais, que refletem na estabilidade dos países a curto e longo prazo.

O Brasil, de acordo com o mapa, não aparece entre as nações com maior risco político, embora enfrente adversidades e escândalos de corrupção. Segundo a análise, os sinais de queda da inflação mostram que a atividade econômica deve melhorar neste ano. No entanto, o descontentamento público com a corrupção, a má qualidade dos serviços públicos e a desigualdade representam riscos políticos consideráveis e podem levar a protestos generalizados, como os que ocorreram em 2013.

De acordo com esta edição do estudo, os países com ameaças políticas mais elevadas seguem tendências geográficas em mercados emergentes, especialmente no Norte da África e no Oriente Médio – aspecto que reforça que a violência, o conflito e os distúrbios socioeconômicos dessas regiões continuam a afetar territórios como Síria, Sudão, Sudão do Sul, República Centro-Africana e Iêmen.

Já os países nórdicos como Noruega, Suécia, Dinamarca, Finlândia e Islândia foram considerados os mais estáveis por apresentarem baixo índice de desigualdade econômica e instituições transparentes.

O mapa chama atenção para as consequências que os riscos políticos podem causar. Entre eles, estão a interrupção dos negócios e da cadeia de abastecimento, e a geração de danos para os trabalhadores nas áreas em que as empresas operam. Em um ambiente operacional difícil, as organizações precisam identificar e avaliar os eventos de risco político que possam afetar seus negócios e, assim, adaptar suas estratégias para refletir o possível impacto que possam ter. Só assim essas empresas podem se adaptar rapidamente às mudanças do ambiente de risco político e capitalizar sobre as oportunidades que possam surgir, segundo o levantamento.

Instabilidade política nos países da América do Sul

Equador e Venezuela aparecem no relatório com um grau de instabilidade. A instabilidade política permanecerá elevada no Equador antes das eleições presidenciais e parlamentares programadas para fevereiro de 2017. Um declínio econômico amplo e níveis crescentes de desemprego atraíram fortes críticas à administração do presidente Rafael Correa, especialmente dos grupos indígenas e da classe média. No entanto, Correa permanece popular com uma grande parte da população e a oposição é dividida. Como resultado, é provável que seu sucessor escolhido, o ex-vice-presidente Lenín Moreno, vença a presidência nas próximas eleições, o que apoiará uma ampla continuidade política nos próximos anos.

Na Venezuela, a crise econômica e política provavelmente atingirá um ponto de ruptura em 2017. A depressão do país provavelmente se estenderá para um quarto ano, caracterizado por uma severa escassez de bens básicos e uma inflação extremamente alta. O governo liderado pelo PSUV, do presidente Nicolas Maduro, resistiu a fazer ajustes políticos e, em vez disso, concentrou-se em manter o controle sobre o poder, fechando os canais legais pelos quais a oposição pode agir. A sua postura de confrontação é susceptível de minar as tentativas de diálogo político e pode levar a agitação crescente que resultará em violência generalizada, segundo o relatório.

Veja o mapa aqui

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Ouça nosso podcast

ARTIGOS RELACIONADOS