Reforma da Previdência contribui para formar a consciência de que é preciso poupar

Fonte: CNseg

Conjuntura – A mídia divulga a Carta de Seguro, publicação da CNseg, que traz entrevista com Edson Franco, presidente da FenaPrevi, e análise dos números de 2016 por Lauro Faria. “A discussão da reforma contribui para a formação de consciência de que o Estado, sozinho, não vai conseguir prover toda a necessidade do indivíduo na aposentadoria. As pessoas começam a entender que precisam formar sua própria poupança. Então, é natural que esse segmento continue crescendo”, comenta Franco. Já Faria destaca que o mercado de seguros regulado pela SUSEP teve um faturamento de R$ 239,3 bilhões, 9,2% acima do ocorrido em 2015. Descontada a inflação (IPCA), a variação foi positiva em 2,8%, um excelente resultado dada a situação recessiva em que vive o país. Também destaca os desmontes. “O pleno funcionamento da lei viabilizaria também o recém- regulamentado seguro de carros populares devido à possiblidade de reaproveitamento nos consertos de peças usadas, porém certificadas. O reflexo seriam apólices mais baratas e acessíveis, beneficiando milhões de donos desse tipo de automóvel no país.”
Em meio à forte crise econômica, o segmento de previdência privada e vida cresceu, em termos nominais, 15,4% em 2016, com destaque para seguro individual (27,4%) e VGBL (21,9%). O presidente da FenaPrevi, Edson Franco, fala ao boletim Carta do Seguro sobre as perspectivas para 2017.

Como o cenário de baixo crescimento estimado para este ano afeta o segmento de previdência privada e vida?

Ainda que o setor de seguros tenha mostrado resiliência na crise, não há segmento que possa crescer num contexto em que o país não cresça. O que temos visto são vários sinais indicando que já começou uma recuperação. Creio que vamos viver dois momentos bem diferentes: o Brasil do primeiro semestre e o do segundo semestre, quando haverá sinais mais evidentes da recuperação. Para o nosso segmento, não temos uma expectativa fechada. Como deve haver a retomada da economia a partir do segundo semestre, espero para os produtos de acumulação uma alta similar à de 2016 (19,5%). Entre os produtos de vida, o vida em grupo deve começar a melhorar à medida que haja melhora no nível de emprego. Então espero um desempenho melhor que o de 2016 (3,6%) nos produtos de risco e similar ao de 2016 nos de acumulação.

Que impacto a reforma da Previdência pode trazer para o segmento?

O segmento de acumulação é relativamente jovem no Brasil. Qualquer segmento de acumulação de poupança de longo prazo dependia de um processo de estabilização monetária e econômica para poder crescer, e isso só veio com o Plano Real. Por isso, é um segmento que cresce muito acima da inflação – na previdência privada já estamos chegando a reservas de R$ 650 bilhões. A discussão da reforma contribui para a formação de consciência de que o Estado, sozinho, não vai conseguir prover toda a necessidade do indivíduo na aposentadoria. As pessoas começam a entender que precisam formar sua própria poupança. Então, é natural que esse segmento continue crescendo.

O VGBL cresceu 21,9% em 2016; o seguro individual, 27,4%. Essa expansão continua?

VGBL e PGBL são os produtos que melhor acolhem os investimentos de longo prazo. Na medida em que as pessoas vão continuar precisando complementar a renda, esperamos que eles continuem em 2017 se expandindo acima da inflação, porque é um segmento ainda em processo de formação e de acumulação. Já o ramo de seguro de vida individual é um dos que mais têm crescido, junto com outros, como seguro viagem e seguro de auxílio funeral. Eles crescem num ritmo muito mais forte porque a base ainda é muito pequena. Um produto que está no forno, que é o Universal Life, os produtos de seguro individual, os dotais, os de auxílio funeral, todos esses têm ainda pela frente um caminho de expansão bastante acelerado.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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