Lucro da Porto Seguro recua 37% no segundo trimestre

Captura de Tela 2016-08-02 às 16.43.56A Porto Seguro divulgou hoje lucro líquido, já considerando o aumento de tributos (CSLL), de R$ 175 milhões no segundo trimestre e de R$ 415 milhões no semestre, correspondendo a um decréscimo de 37% e 18% em relação aos mesmos períodos de 2015, respectivamente. O ROAE foi de 11,9% no 2T16 e de 14,3% no 1S16.No segundo trimestre e primeiro semestre do ano, as receitas totais evoluíram 7% e 6% respectivamente.

Na operação de seguros, os prêmios auferidos da empresa aumentaram 8% no 2T16 e 6% no 1S16. O seguro de auto consolidado das 3 marcas cresceu 6%, enquanto o mercado1 recuou 4% no semestre. O número de veículos segurados atingiu 5,5 milhões (+7%) e incrementamos aproximadamente 800 mil vidas no seguro de pessoas, alcançando 7,5 milhões de vidas seguradas.

O desempenho operacional de seguros piorou em ambos períodos em decorrência do aumento da sinistralidade. O índice combinado atingiu 100,1% no 2T16 e 99,5% no 1S16. No trimestre, os sinistros foram pressionados por alagamentos, chuvas de granizo e vendavais, inesperados para esse período, pelo aumento dos roubos de veículos e pela base de comparação com o trimestre anterior, quando o resultado foi melhor em relação a média histórica. Além disso, a alta elevação da frequência de utilização do seguro saúde impactou as margens. Por outro lado, o índice de despesas administrativas decresceu em 0,5 p.p., enquanto que os gastos nominais permaneceram praticamente estáveis, resultado da melhora na eficiência da operação.

As receitas das empresas financeiras e de serviços cresceram 5% no trimestre e 3% no semestre, associadas ao aumento das vendas dos produtos de telefonia móvel (Conecta) e consórcio. Entretanto, as receitas financeiras das operações de crédito decresceram significativamente, em consequência das ações de redução de risco da carteira.

O resultado financeiro apresentou um aumento de 11% no trimestre, explicado pelos investimentos em ativos atrelados a Juro Real+Inflação e a renda variável, que apresentaram uma performance acima do índice de referência e também por um CDI médio maior no período. A rentabilidade trimestral da carteira foi de 3,6% (108% do CDI) e de 7,7% (114% do CDI) no semestre, excluindo-se os recursos previdenciários.

Segundo nota divulgada, a estratégia de expansão geográfica e diversificação de produtos têm contribuído para o incremento das vendas, a despeito da crise econômica. Por outro lado, o resultado foi prejudicado principalmente em decorrência da maior incidência de sinistros.

Mais detalhes do comunicado:

Os prêmios e a frota segurada das três marcas cresceram 7% no trimestre, representando um incremento de R$ 142 milhões e de 361 mil itens respectivamente, ao passo que os prêmios do mercado de seguro auto decresceram 4% nos meses de abril e maio (dados disponíveis na Susep até maio/16).

Os seguros de auto foram impactados por uma maior incidência de sinistros, em grande parte decorrente das chuvas de granizo e alagamentos inesperados para esse período do ano, por uma maior criminalidade e pela base de comparação com o 2T15, quando o resultado foi atípico em relação a média histórica. O volume de furto e roubo aumentou nos Estados do RJ e SP, e se intensificou em algumas cidades do sul do país. Nos cinco primeiros meses do ano a sinistralidade consolidada da Companhia aumentou em linha com a média de mercado (+2,2 p.p) e a sinistralidade consolidada do 2T16 aumentou apenas 1 p.p. no comparativo com a média dos últimos 5 anos.

Os prêmios auferidos da carteira de automóvel da Porto Seguro atingiram R$ 1.139 milhões no 2T16, um aumento de 3% em relação ao 2T15, beneficiado pela expansão no número de veículos segurados (a frota segurada cresceu 2% no período). A sinistralidade aumentou 5,7 p.p. devido ao aumento das frequências de sinistros.

Os prêmios auferidos da Azul Seguros atingiram R$ 591 milhões no 2T16, crescimento de 12% em relação ao 2T15, favorecido pelo aumento no número de veículos segurados (frota segurada cresceu 16% vs. 2T15, impulsionada pela expansão geográfica). A sinistralidade aumentou 6,3 p.p., atingindo 62,7%, afetada principalmente pelas maiores frequências de sinistros e devido a reposicionamento do produto, que reduziu as margens em função desse período de crise econômica, onde a procura por preço é mais relevante. Por outro lado, a sinistralidade do produto ainda está melhor do que a média dos últimos 5 anos (cerca de 3 p.p.).

A carteira de auto da Itaú Auto e Residência atingiu R$ 506 milhões no 2T16, 9% maior que o 2T15, impulsionada por diversas ações comercias, pela ampliação de benefícios aos clientes do Banco Itaú (ex: uso de pontuação do programa “Sempre Presente”) e também pelo aumento de vendas em produtos com coberturas diferenciadas. A sinistralidade do trimestre piorou em 4,5 p.p., influenciada pelo aumento no número de colisões e roubos no período.

O total de prêmios auferidos com seguro patrimonial foi de R$ 315 milhões no 2T16, 9% acima do 2T15, devido sobretudo ao crescimento dos prêmios dos seguros empresarial e residencial da marca Porto Seguro. Além da expansão geográfica, que tem beneficiado os dois segmentos, o desempenho do produto empresarial tem sido alavancado por seguros mais personalizados, voltados para segmentos como academias, pet shops e perfumarias, enquanto as vendas do produto residência foram intensificadas pelas campanhas de vendas realizadas no período.

No seguro de residência da marca Itaú, os prêmios do 2T16 decresceram 9% em relação ao 2T15, associado a menor performance do canal bancário. De todo o modo, para o segundo semestre estão sendo programadas novas campanhas comerciais.

A sinistralidade total alcançou 32,0% no 2T16, 9,4 p.p. maior (vs. 2T15), explicado por uma maior incidência de eventos climáticos, elevando a frequência de destelhamentos e de danos elétricos no período.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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