Venda da carteira de grandes riscos do Bradesco pode definir comprador do IRB Brasil Re

12494789_10207586312310830_7546417180031749788_nTudo depende do Bradesco. Engana-se quem pensa que o investidor aguarda o fim da crise política brasileira com os possíveis cenários da aprovação ou não do impeachment da presidente Dilma Rousseff, cassação do vice Michel Temer ou do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. A venda do bloco de controle ou de parte do IRB Brasil Re vai ser definida depois de concluída a negociação da carteira de grandes riscos do Bradesco. Essa foi a principal aposta dos executivos de resseguros para a pergunta: quem você acha que pode comprar o IRB Brasil Re no leilão anunciado pelo governo ontem para o jornal O Estado de S.Paulo, após a desistência da oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês)?

Ainda não se sabe como será o modelo de venda do IRB anunciado por fontes do governo em “off” ao jornal. O anúncio, aliás, feito justamente no dia de abertura do 5o. Encontro de Resseguros, que acontece no Rio de Janeiro e reúne mais de 500 pesos pesados do mercado local e mundial, pegou todos de surpresa. Até mesmo o presidente executivo do IRB, José Cardoso. “São negociações tratadas pelos acionistas, as quais terei acesso quando engatilhadas e confirmadas”, disse. Esse formato de venda por leilão era o que vinha sendo perseguido pelo IRB antes da decisão de fazer o IPO, que também foi colocado de lado em razão do agravamento do cenário politico e econômico no Brasil no ano passado.

A União é sócia majoritária do IRB, com 27,4% de participação, seguida de Banco do Brasil e Bradesco (20,4% cada um), Itaú (15%), e dos fundos de pensão e funcionários. Boa parte dos executivos acostumados a gerenciar riscos e fazer apostas afirma que a definição da venda da carteira de grandes riscos do Bradesco, que já está em curso desde meados do ano passado, é importante para definir o valor do IRB. “Apesar de o Bradesco já ter tirado o pé do acelerador em grandes riscos, ele ainda é um grande cliente do IRB, além de um dos principais acionistas”, disse uma fonte qualificada que pediu anonimato.

A negociação envolvendo a carteira de grandes riscos do Bradesco voltou a ficar intensa novamente há poucos dias, com a definição do executivo Randal Zanetti no comando do grupo Bradesco Seguros, responsável por gerar cerca de 30% do lucro do banco. Zanetti assumiu como interino em novembro, após a morte de Marco Antonio Rossi em acidente aéreo. “Nesta semana já foram realizadas algumas vídeo conferências para ajustar com será realizada a venda, se terá exclusividade entre outros detalhes”, confirmou um pessoa próxima do bloco de executivos envolvidos na venda.

A aposta é que a disputa pela carteira de grandes riscos do Bradesco está entre a resseguradora Swiss Re e alemã HDI. Já sobre o interesse na compra pelo pedaço que for colocado à venda pelo IRB, a Swiss Re desponta novamente como favorita para adquirir o controle, seguida pela Munich Re, as mesmas favoritas quando se começou a discutir o leilão de privatização do IRB em 2000 e que só tomou forma depois de 13 anos, quando se optou pela venda do controle da União para BB Seguridade, o equivalente a 21,24% do capital total da companhia, por por R$ 547,4 milhões em 2013.

“O governo precisa de caixa e isso também pode determinar o formato da venda. Pode entrar um fundo de private equity para dar saída para o Itaú, que já declarou que não quer manter esse ativo, ainda mais com a venda da carteira de grandes riscos para a ACE, hoje Chubb”, analisou outro executivo. Um fundo ou uma resseguradora internacional também poderiam entrar como estratégia para o IPO do IRB em um momento de melhora dos mercados financeiros. “Faz sentido para o IRB ter um parceiro internacional para dar apoio a estratégia de internacionalização que tem dado bons resultados neste momento em que o mercado local está praticamente parado”, disse um outro executivo. Praticmaente 20% da receita do IRB já vem do mercado internacional.

Sem comentar detalhes da intenção do governo com a venda do IRB, Cardoso ressaltou o lucro recorde obtido em 2015 e que em 2016 o crescimento das vendas e da rentabilidade será uma realidade mesmo diante da crise do país, como mostrará o balanço do primeiro trimestre a ser divulgado na próxima semana. Entre as ofensivas para driblar a crise brasileira, ele citou o atendimento diferenciado aos clientes locais e parcerias em contratos de resseguros com outros players, que já apresentam bons resultados. Entre as parceiras ele citou Chubb, Korea Re e Factory Mutual.

Resultados do IRB

No ano de 2015, o lucro líquido recorrente da companhia foi de R$ 764 milhões, 97% maior se comprado ao ano anterior, de R$ 388 milhões. O retorno sobre o patrimônio líquido, em bases recorrentes, foi de 29%, praticamente o dobro, quando comparado ao índice de 2014 que foi de 15%.

O volume total de prêmios emitidos pelo IRB Brasil RE no ano de 2015 totalizou R$ 4,3 bilhões, um aumento de 35% em relação a 2014. Desse montante, R$ 3,3 bilhões foram prêmios emitidos no Brasil e R$ 1,0 bilhão no exterior, que ampliou sua participação de 11% dos prêmios emitidos para 24% em 2015. Os prêmios emitidos no Brasil avançaram 15%, com as contribuições positivas dos ramos de Property, Rural e Vida. No exterior, o crescimento foi de 203% no volume de prêmios emitidos, explicado pela estratégia da Companhia de ampliar sua presença na América Latina e fortalecer sua presença no mercado global, bem como pela variação positiva da moeda estrangeira em relação ao Real.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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