IRB muda presidente a dois meses da abertura de capital

Fonte: O Globo

A apenas dois meses de abrir o captai na Bolsa de Valores, o IRB RE (ex-Insttuto de Resseguros do Brasil) trocou o canando. Segundo fontes ouvidas pelo GLOBO, o presidente Leonardo Paixão foi exonerado ontem na reunião do Coreelho Diretor. A pressão dos sócios prividos foi o que teria provocado a sua queda e a ascensão de José Carlos Cardoso, que assume a tarefa de gerir a empresa durante o lançamento inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).

Maior resseguradora da América Latina, o IRB RE faz o “seguro do seguro”, ou seja, cobre o risco das seguradoras, mecanismo normalmente usado em operaçõei de grande porte, como a proteção para acidentes em plataformas de petróleo) ou desastres aéreos, por exemplo.

A abertura de capital do IRB RE deve proporcionar um elevado pagamento de tributos, e, por isso, a operação é encarada pela governo como uma das alternativas pan reforçar o caixa do Tesouro e tentar fechar as contas neste ano. No entanto, a troca de presidentes num momento como este faz com que a União perca influência dentro do IRB.

A ligação entre o lançamento de ações e o uso dos recursos para reforçar o caixa do governo preocupa os acionistas privados e motivou a mudança no comando. O argumento usado foi que um nome mais amigável ao mercado poderia agradar investidores. “Isso tira o dedo do governo. A ideia é dar cara de empresa puramente privada”,revelou uma fonte sob condição de anonimato.

Outra fonte a par da mudança, que tira poder da União e do Banco do Brasil, confirmou que os sócios privados fizeram pressão pela troca no comando da empresa. Com a alteração, os bancos privados – Bradesco e Itaú – ganham mais espaço no comando do IRB Brasil RE. Foram as duas instituições financeiras que indicaram Cardoso para a vice-presidência de Resseguros, cargo que ocupava até a decisão do conselho.

Cardoso ficará à frente do IRB durante o IPO, que deve arrecadar cerca de R$ 4 bilhões. A operação é esperada para a primeira semana de outubro. Além de ser uma grande injeção de capital na instituição, deve render bom dinheiro para o governo federal, que anda com dificuldades de fechar suas contas.

Se, com a venda de 40% do capital no mercado secundário (os recursos não passarão pelo caixa da empresa, mas irão direto para os acionistas), o IRB conseguir captar R$ 4 bilhões, só o pagamento de Imposto de Renda e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) deve render ao governo federal a quantia de R$ 1,8 bilhão.

A mudança dos executivos foi encarada internamente como o último passo antes da formalização do pedido de IPO para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que deve ocorrer no dia 14 deste mês.

DIRETOR FINANCEIRO TERÁ MAIS FUNÇÕES

Com a nomeação de Cardoso para a presidência, o diretor financeiro, Fernando Passos, ganha mais poder dentro do IRB RE. Ele também é um dos indicados pelos sócios privados e deve ter as funções ampliadas. Assumirá parte das atribuições que eram do atual chefe. Entre elas, está o controle dos escritórios no exterior, em Londres, Nova York e Argentina. Outra nova tarefa é comandar a gestão de sinistros.

A assessoria de imprensa do IRB RE foi procurada no início da noite – por telefone e e-mail – mas não retomou os contatos até o fechamento desta edição.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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