Um tanto quanto tumultuada a saída de Leonardo Paixão do comando do IRB Brasil Re, maior resseguradora local do Brasil e também da América Latina. José Cardoso, que vinha cuidando da área de resseguro e que era tido como certo na presidência, assumiu o cargo oficialmente. Na versão contada por pessoas próximas a Paixão ao blog Sonho Seguro, a saída dele dois meses antes da oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), se deu porque os acionistas privados não concordaram com as exigências feitas para se manter no cargo com responsabilidades muito maiores que são imputadas a um dirigente de uma companhia com ações em bolsa, inclusive respondendo por questionamentos de acionistas internacionais.
Diante da pressão, contam, os acionistas apostaram na saída de Paixão, mesmo com os riscos que isso pode imputar a preparação do IPO, previsto para outubro. Outra informação que circula nos bastidores cheios de meias palavras para entender a saída do executivo que vinha preparando o IRB desde 2013, é que os principais bancos que atuam como advisers, Itaú e Bradesco, ambos também acionistas do IRB, têm expectativa de que o IPO chegue a três vezes o patrimônio líquido da empresa, que gira em torno de R$ 2,8 bilhões. A referência internacional para demandas de IPO é de uma vez e meia o PL.
Mas o que conta mesmo é que o IPO do IRB, que deteve o monopólio por 69 anos e mais cinco de protecionismo, está ai e conta com o empenho do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que se esforça para arrecadar receitas e reduzir o déficit fiscal do governo. A BB Seguridade detém cerca de 20% do IRB, o Bradesco 20%, o Itaú 15% e fundos de pensão 10%.
O balanço do primeiro semestre do IRB, que será em breve publicado, sinaliza bons resultados para o período, com lucro líquido estimado em R$ 340 milhões. A expectativa está em analisar se foram feitas as provisões para sinistros avisados e também estimados, diante da incerteza que todos têm hoje sobre as provisões que devem fazer por conta da Lava Jato, que paralisou obras e tem pago custas judiciais de muitos executivos envolvidos nas investigações.
Temos aqui um tema que promete gerar muitas notícias, desde a abertura da sala de informações para os interessados no IPO até ver quem será o presidente indicado por quem levar os 40% ofertados. Estamos de olho.


















