Moody’s afirma que regras de resseguro prejudicam locais como IRB, BTG, Austral e JMalucelli

ranking ressegurosAs mudanças nas regras do resseguro são positivas para as seguradoras e resseguradoras globais, mas negativa para as resseguradoras sediadas no Brasil, afirma a Moody’s em seu recente relatório divulgado a clientes e investidores, ao qual o blog Sonho Seguro teve acesso. A resolução vai reduzir paulatinamente os percentuais mínimos, de 40% praticado hoje, para 15% até 2020, que as seguradoras são obrigadas a repassar aos resseguradores locais. Além disso, a resolução da Susep aumenta os percentuais de repasse entre empresas do mesmo grupo de 20% para 75%.

De acordo com o estudo, assinado por Diego Kashiwakura, os players multinacionais serão os principais beneficiários do novo regulamento, incluindo Zurich Resseguradora Brasil, a Allianz Global Corporate & Specialty Resseguros Brasil, Munich Re do Brasil Resseguradora, Mapfre Re do Brasil Companhia de Resseguros, a Swiss Re Brasil Resseguros e ACE Resseguradora, porque eles serão capazes de tirar pleno proveito dos acordos de transferência de riscos entre as empresas do mesmo grupo.

Uma das principais vantagens para as seguradoras e resseguradoras globais está na capacidade de reunir os riscos em todo o mundo, melhorando assim os acordos de risco de subscrição, capacidade de cobertura e de transferência de riscos. “Os resseguradores globais serão capazes de alavancar o seu tamanho, diversificação do risco e know-how global para fornecer melhores condições e capacidade do que os players nacionais, com operações menos diversificadas.

As resseguradoras domésticas serão mais afetadas, de forma negativa, inclusive o IRB Brasil RE, o BTG Pactual Resseguradora, a Austral Resseguradora e a JMalucelli Resseguradora, uma vez que eles vão competir agora com uma base bem maior de concorrentes, como as admitidas e eventuais. “Esperamos também que as seguradoras brasileiras não só procuram a reter mais dos seus prémios de linha de negócios rentáveis, mas também acreditamos que elas vão tentar ceder mais de suas linhas não rentáveis”, diz o estudo.

A resolução é a mais recente de uma série de passos em direção à liberalização total do regime de resseguros. Até agora, as seguradoras e resseguradoras globais brasileiras operando como empresas “locais” poderiam driblar um pouco a regra existente com triangulações. A nova resolução, no entanto, irá reduzir os custos e a complexidade para cessões e processos de retrocessão, removendo assim as contrapartes desnecessárias nos processos, bem como o risco de crédito do negócio.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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