Óleo e Gás, ano de grandes desafios, segundo JLT

10500462_10205514525917465_1802448701363837478_nEspecialistas em seguros para o segmento de Óleo e Gás estão preocupados com o cenário do segmento. Trata-se de um nicho que vive uma crise internacional, com queda dos preços do petróleo, a Petrobrás, principal geradora de contratos do setor, está envolvida em uma das maiores investigações de corrupção já vista no país, e a economia brasileira está praticamente estagnada, com investimentos em banho maria. Ou seja, um cenário sombrio e com sinais de melhora só para 2018. “E mesmo assim é uma expectativa de melhora, pois ninguém pode prever como a Arábia Saudita vai ditar os preços do petróleo”, disse Luis Eduardo Duque Dutra, assessor da diretoria da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

O cenário é fruto de um debate que aconteceu durante 6o. Seminário de Óleo e Gás, promovido pela corretora JLT no Rio de Janeiro, no início de junho. “A fotografia do Brasil não é boa neste momento, mas o filme é algo que promete boas emoções”, disse o embaixador britânico no Brasil, Alex Ellis, que abriu o evento. “Corretores e resseguradores tem um papel importante neste filme e cabe a vocês determinarem que tipo de atuação vão ter”, comentou, destacando que a Grã Bretanha se firmou como uma das potenciais do mundo por ser um país aberto a parceiras. “E o Brasil sempre esteve e continua no nosso radar”, afirmou.

Segundo os palestrantes, o volume de prêmios com a venda de seguros para empresas envolvidas com a exploração e produção de oleo e gás despencou no primeiro semestre deste ano. Já a expectativa de pagamento de indenizações se mostram uma incógnita no médio prazo. Apesar da farta capacidade mundial de recursos – US$ 8 bilhões, segundo Andrew Barnes, chairman de energy da JLT Specialty — a demanda está fraca e a oferta de seguros e resseguros praticamente fechada para empresas ligadas ao processo de investigação Lava Jato. “Praticamente não há negociações no setor e a saída é buscar negócios lá fora para alimentar o mercado brasileiro”, conta Adriano Oka, vice presidente da JLT Re. Os negócios captados no exterior são repassados para o mercado local, no qual o IRB Brasil RE é um dos principais clientes.

Com tal marasmo, a saída é preparar o mercado para atender a demanda do leilão da 13ª rodada de concessão de petróleo e gás, que deve ocorrer em outubro. Isso significa promover discussões que envolvam os órgãos reguladores, ANP e Susep, clientes, seguradoras e resseguradoras. No debate que encerrou o evento, com a participação de executivos Felipe Smith, da da Tokio Marine, Frank Streidl, da Zurich UK, Daniele Gugelmin, da JMalucelli e Luciano da Silva Pinto Teixeira, da ANP, ficou claro que há muito ainda a ser discutido para ajustar clausulados, ainda com erros de tradução e confusos com ajustes incorporados para obedecer exigências da Susep, da ANP e do Código de Defesa do Consumidor. “Precisamos da ajuda de todos para promover melhorias, especialmente dos clientes”, disse Smith, que também participa da comissão da FenSeg que cuida do tema.

As seguradoras especialistas se dizem prontas para ofertar o seguro dentro dos moldes que a agência pleiteia, mas concordam que é preciso tornar o clausulado mais compreensível para o cliente. Já para a rodada de pré-sal, prevista para 2016, ainda é preciso fazer alguns ajustes para que a oferta se adeque a demanda, principalmente no que diz respeito a cobertura para abandono de poço exigida pela ANP, destacou Carlos Frederico Ferreira, da Austral, citando a nova regulação da Susep 477, que inclui o novo seguro garantia financeiro contra abandono do poço. Para isso, corretores, clientes, seguradoras e Susep estão em conversações para fazer um produto sob medida para as necessidades dos envolvidos, informou Smith. Segundo os participantes, os riscos são grandes, uma vez que envolvem contrato de longo prazo e tecnologia ainda em desenvolvimento.

Segundo Rodrigo Protásio, CEO da JLT Re Brasil, o grupo busca novas oportunidades de negócios e por ter clareza do potencial do Brasil no médio e longo prazo e das oportunidades que a crise traz, tem reforçado a equipe. “Há muitas frentes de negócios. Se um segmento como o garantia de contratos e riscos de engenharia não está bem neste momento, há outros que oferecem boas oportunidades, como o garantia judicial e riscos financeiros em geral”, diz o CEO que lidera uma das principais corretoras de seguros e resseguros no mercado de energia no mundo, que tem em na carteira de clientes oito das 10 maiores empresas de petróleo do mundo. São seis especialistas dedicados ao segmento de óleo e gás e outros cinco exclusivos em gerenciamento de sinistros. A corretora disponibiliza US$ 1,7 bilhão em capacidade para os riscos relacionados à indústria por meio do IRB Brasil RE. Segundo informações do grupo, a JLT é a maior produtora do Lloyd’s of London, produzindo mais de US$ 750 milhões em prêmios.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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