A Munich Re, maior resseguradora do mundo, reforça sua aposta no Brasil com aumento de capital e expertise internacional para ampliar a carteira de clientes no Brasil. Em janeiro, o grupo praticamente dobrou o capital para R$ 300 milhões. “O objetivo foi melhorar a qualidade e liquidez dos nossos ativos. Parte deles vinha de recebíveis associados à performance dos contratos de resseguro. Infelizmente, com o cenário macroeconômico e político, algumas seguradoras tiveram receita inferior ao estimado quando da celebração dos contratos, aumentando a pressão sobre a confiabilidade dos nossos recebíveis. Com a injeção, nosso balanço ganha em qualidade e tem uma margem de solvência bastante confortável”, explicou Rodrigo Belloube, que assumiu como CEO a partir de 2015.
Nos resultados de 2014, divulgados no dia 26 de fevereiro, a resseguradora local reverteu o prejuízo de R$ 50 milhões registrados em 2013 para lucro de R$ 24,6 milhões em 2014. O volume de prêmios emitidos no país recuou de R$ 370 milhões para R$ 301 milhões no ano passado, um ano difícil para todo o mercado de resseguros.
Em abril a indústria completa seis anos de flexibilização do monopólio de resseguros. Esse período de abertura foi conturbado como o previsto para um segmento que deixa de atuar com um único fornecedor. Mais de 100 resseguradores entraram no Brasil no primeiro ano de abertura, disputando clientes com preços e produtos diferenciados. Para complicar a situação, a economia brasileira virou, com os indicadores macroeconômicos que davam inveja a qualquer país se transformando em um quadro recessivo e preocupante com o temor da perda do rating soberano.
“Temos nos posicionado não apenas como um ressegurador global de primeira linha, mas sim como um parceiro estratégico de nossos clientes. Significa dizer que queremos ajudar nossos clientes, a quatro mãos, a solucionar suas questões estratégicas e operacionais mais intricadas e prioritárias. O foco é no entendimento profundo de um desafio, oportunidade ou problema que esteja na pauta de nosso cliente, através do debate franco e aberto entre parceiros, para que cheguemos à melhor solução customizada. O resseguro, instrumento versátil e fantástico, sela a parceria, pois permite que os riscos e benefícios da solução sejam compartilhados de forma negociada, balanceada”, explica o executivo.
Ele cita como exemplo uma recente parceria com uma seguradora que vinha encontrando certa dificuldade para expandir suas vendas no varejo, por limitações do processo de subscrição, considerado pesado e complexo. “Ajudamos a seguradora a automatizar esse processo, a simplificá-lo, para que a venda fosse mais eficiente”, comemora. O bom desempenho da parceria foi possível pela experiência mundial do grupo, que controla uma empresa na Irlanda especializada em subscrição automatizada e com expertise para viabilizar uma solução adequada. “O resultado? Uma parceria de 10 anos, formatada através de um contrato de resseguro, compartilhando riscos e resultados do projeto”, conta com orgulho.
Outra frente em que a Munich Re pretende atuar é na gestão de capital. “Nossas análises de balanço demonstram que seguradoras vêm no geral alocando seu capital de maneira sub-ótima, sinceramente falando”. Frente a outras alternativas de financiamento, o resseguro possui um potencial de retorno muito atraente, raramente superável, Segundo a avaliação de Belloube. Para atuar nesse segmento, a subsidiária local do maior grupo ressegurador do mundo estruturou uma equipe local especializada em questões de capital, com dois expatriados de Munique junto com colegas brasileiros de diferentes formações. São ao todo quatro atuários, advogado, engenheiros, administradores com formação em finanças. Uma equipe multidisciplinar altamente especializada na regulamentação brasileira e muito conectada ao Capital Partners, centro de expertise do Grupo Munich Re.
Um dos alvos da resseguradora local é a carteira de automóveis. “Há seguradoras com performance bastante inferior à média de mercado, outras que cresceram tanto ao ponto de fazer múltiplas injeções de capital ao longo de um único ano”, comenta. Diante disso, explica, o grupo tem em Munique uma equipe especializada em Auto, a Motor Consulting Unit, e começa a ofertar localmente essa expertise àquelas empresas que tenham interesse. “Nosso objetivo é gerar valor concreto, tangível aos nossos clientes, e compartilhar os riscos e retornos através do resseguro. Com as injeções de capital recorrentes, claramente há solução melhor do ponto de vista do acionista.”
E as novidades que a Munich Re não param. “Temos outras frentes em Big Data, canais alternativos com a expertise da Ergo, empresa do grupo, é a seguradora parceira da Amazon na Alemanha e Áustria, e em desenvolvimento de produtos”, enumera. Com esse investimento no Brasil, fica claro que para a Munich Re o foco não é o crescimento desordenado de curto prazo, mas sim o desenvolvimento de operação. “Apostamos no Brasil com qualidade, consequente de nossa proposta de proximidade e parceria estratégica com nossos clientes, para que os resultados sejam sustentáveis”, finaliza.


















