Rumo ao mundo. Essa é a estratégia do IRB Brasil RE para enfrentar um ano desafiador como 2015. “Nos preparamos nos últimos anos para ganharmos uma posição de destaque no mundo de resseguros. Nos aproximamos de parceiros de negócios, contratamos especialistas de várias nacionalidades, com especialização em riscos e mercados catastróficos, e nosso capital é três vezes maior do que o exigido pela regulamentação”, afirma José Carlos Cardoso, que há três meses assumiu a vice-presidência da maior resseguradora local do Brasil.
Segundo ele, trata-se de uma mudança de paradigma. “Os negócios vinham até nós. Agora partimos em busca de bons clientes e projetos, base para conquistarmos o status de melhor resseguradora na América Latina em nichos específicos e não somente pelo tamanho que temos no Brasil”. Experiente, com passagens por empresas renomadas do setor, Cardoso concorda que tem um desafio e tanto nas mãos diante da acirrada concorrência instalada no mundo de resseguros, que vive um período de farta oferta, riscos agravados e investimentos engavetados pela recessão mundial. No Brasil, o cenário para resseguros também não é muito otimista para 2015. Tanto por ser um ano de ajustes, com projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) próximo a zero, como pela acirrada disputa travada entre os mais de 100 players atuantes no País. “Não vamos entrar em guerra de preços. Enquanto o mercado se acomoda e volta a praticar taxas compatíveis com os riscos, vamos aproveitar nossa estrutura, profissionais e capacidade financeira para buscar bons negócios ao redor do mundo, especialmente na América Latina, África e Ásia “, afirma ao blog Sonho Seguro.
Realmente a situação vivida atualmente no Brasil frustrou os acionistas de resseguradoras que apostaram suas fichas no crescimento significativo do PIB, que não se concretizou, e nos investimentos bilionários do pré-sal, de construção de navios e da obras do PAC, muitos adiados enquanto o país enfrenta uma onda de denúncias de esquemas de corrupção envolvendo construtoras e empresas estatais e privadas.
De acordo com o estudo da Terra Brasis, as resseguradoras locais apresentaram lucro de R$ 386 milhões nos primeiros nove meses de 2014, ante R$ 29 milhões registrado no mesmo período de 2013. Desse valor, quase tudo pertence ao IRB, com ganho de R$ 327 milhões, repartindo as demais resseguradoras minguados R$ 59 milhões.
A boa notícia é que o volume de resseguro cedido (bruto de comissão) ficou em R$ 9,25 bilhões no período de janeiro a setembro de 2014, 22% acima dos R$ 7,53 bilhões do mesmo período do ano anterior. “A reestruturação interna já traz frutos, como trazer de volta ao IRB vários parceiros de negócios que foram buscar na concorrência e hoje temos participação de mercado de 35%, que pretendemos manter com a prestação de um serviço diferenciado”, afirma Cardoso.
Diante dos números, com várias companhias com resultados aquém do que o previsto pelos acionistas para o período de cinco anos de abertura do mercado de resseguros, Cardoso aposta num período de ajuste em 2015, com as taxas deixando níveis comerciais para ganho de market share para voltarem a ser balizadas pelo aspecto técnico. Responsabilidade civil de executivos, conhecido como Directors & Officer (D&O), e seguros de riscos financeiros encabeçam a lista de reajuste de preço para cima, motivado pelo agravamento do risco com sinistros como as empresas do império X do empresário Eike Batista e Pebrobrás, envolvida em investigações de supostos esquemas de corrupção pelo Ministério Público. Além do aumento de preço, há endurecimento nas negociações de coberturas e de franquias.
Já para os contratos de seguro garantia e riscos de engenharia a aposta é de acirrada disputa entre os mais de 100 resseguradores presentes no Brasil pelos minguados projetos de infraestrutura e de expansão previstos para saírem da gaveta neste ano. “Vamos disputar, mas dentro de patamares aceitáveis definidos pela equação risco retorno”, informa. « O mercado vai se acomodar após cinco anos de abertura. É chegado o momento de separar os homens dos meninos », enfatiza.
A base de toda a estratégia de internacionalização e rentabilidade é a programada abertura do capital do IRB pelos principais acionistas (Tesouro, Banco do Brasil, Bradesco e Itaú Unibanco) há cerca de dois anos. “O plano de abrir capital é um incentivo a fazermos mais e melhor. O IRB já é o maior da América Latina, mas queremos ser líderes em alguns mercados de maneira isolada. Não pelo tamanho que temos no Brasil e sim ser líder pela nossa capacidade de subscrever riscos. É um plano para os próximos três anos e destaco que nunca deixei de cumprir minhas metas”, afirma o ex-profissional de companhias como Scor, Munich Re, Unibanco, AON e Odebrecht Corretora de Seguros, entre outras.


















