Alarys: gerenciamento de risco ainda não é prioridade para grande parte das empresas brasileiras

Pena que a Alarys, Fundación Latinoamericana de Administracion de Riesgos, dedicada a apoiar a difusão do gerenciamento de risco na região, não convidou a imprensa para cobrir o evento realizado a cada dois anos e que neste foi realizado no Brasil entre os dias 25 e 26 de novembro, no Rio de Janeiro. Jornalistas estrangeiros foram convidados. A instituição reclama que as corporações brasileiras não priorizam o gerenciamento de risco e ela mesma ignora um dos principais riscos: a gestão da comunicação. Além, é claro, de trazer jornalistas estrangeiros e ignorar a mídia local ser algo bem deselegante, sendo Jorge Luzzi praticamente um brasileiro de coração. Mora e trabalha no Brasil. Por muitos anos foi o responsável por gestão de risco na Pirelli, presidente da Associação Brasileira de Risco (ABGR) e hoje está na Herco Consultoria, uma empresa do grupo MDS. Mesmo tendo várias cidadanias, inclusive a suíça, ainda desdenha a imprensa brasileira.

A ABGR e Alarys alegam que muitas empresas não valorizam a contratação de seguros e por isso colocam o patrimônio do acionista em risco. Se isso acontece, boa parte vem da falha na comunicação. Eu sou testemunha que muitos executivos não valorizam a comunicação e por isso perdem oportunidades de difundir a cultura do seguro. Alguns alegam que a imprensa não se interessa por seguro. Eu afirmo que a imprensa tem grande interesse por boas notícias e muito pouco por looby ou discursos centrados no próprio umbigo.

Resumindo, está na hora de entender que a comunicação é um dos itens prioritários no gerenciamento de risco de qualquer governança corporativa. Desculpas não podem justificar a grandeza de superar desafios e transformar oportunidades em ações efetivas e com resultados positivos para todos os envolvidos. Sendo assim, vou apenas traduzir o que a Business Insurance publicou, com autoria do editor Paul Bomberger, sobre o evento realizado nesta semana no Rio de Janeiro. E só faço isso porque o tema é relevante para os leitores do blog Sonho Seguro.

Segue o texto com tradução livre:

business insuranceApesar de várias grandes catástrofes desde 2000, incluindo um acidente de avião em São Paulo em 2007 e um afundamento de uma plataforma de petróleo no mar, perto do Rio, em 2001, muitas empresas no Brasil ainda não estão praticando gestão de risco inteligente e não compram um seguro para cobrir a maior parte de seus riscos, disse a presidente da Associação Brasileira de Gestão de Risco (ABGR) disse à platéia dia de abertura quarta-feira no ALARYS 2014, a conferência Latino-americana de gestão de risco bienal. (o texto não menciona, mas a presidente é Cristiane Alves).

“Várias pessoas não entendem o que a gestão de risco é dentro das empresas. O que estamos falando é de gestão de risco de todo o empreendimento”, disse Marcelo D’Alessandro, diretor da ABGR, aos gestores de risco brasileiros.

Os principais players priorizam investimentos e continuam dispostos a implementar programas eficazes de gestão de risco corporativo para tentar mitigar riscos operacionais significativos”, disse D’Alessandro. Segundo ele, apesar de existir uma lei desde 1966 exigindo a contratação de seguros para perdas com riscos patrimoniais e de responsabilidade civil, muitas empresas da maior economia da América do Sul ignoram este decreto. “Os CEOs vão dizer que as seguradoras não fazem o seguro”, disse o gerente de risco que participou da comissão que garantiu o Rio como a cidade anfitriã dos Jogos Olímpicos de Verão de 2016.

D’Alessandro citou vários exemplos convincentes de catástrofes graves em todo o Brasil que afetam os setores público e privado. Ele disse que depois de um desastre torna-se claro que não há cobertura de seguro no lugar e nenhuma previsão para tornar-se mais seguro. Além da queda do avião e afundamento da plataforma da Petrbras, ele mencionou um acidente de 2004 com um trem de passageiros em uma floresta e a seca, em 2007, que aleijou quase todos os sistemas primários de energia hidroelétrica do Brasil. “Há uma falta de preparo para seguros no Brasil”, disse ele. “Nós estamos sempre correndo atrás de problemas em vez de previno-los.

No entanto, um par de gestores de risco de grandes empresas no Brasil explicou que a gestão está melhorando, mas ainda há muito trabalho a ser feito em função da maioria das empresas ter ainda uma equipe reduzida dedicada ao planejamento de riscos.

Andrea Almeida, diretora de gestão de risco da Vale no Rio, disse que durante os últimos dez anos, a empresa de mineração havia se tornado uma empresa mais consciente dos riscos, e que ajudou a empresa a alcançar seus objetivos estratégicos corporativos. “Conseguimos estabelecer objetivos de risco para os próximos cinco anos em todo a empresa”, disse Almeida. O nosso lema é que “o melhor gasto do dinheiro é para a redução do risco.”

O gerente de riscos no Grupo Endesa, Michelle Lyporage Miguel, disse que “o barômetro de risco está começando a chegar no Brasil”. Ele informou que a Endesa monitora ativamente os riscos em toda a empresa e tem programas de cobertura e de transferência de risco adequadas para proteger o patrimônio do acionista. Ela ressaltou que a Endesa é uma das empresas que tentam estimular outras empresas a abraçarem gestão de riscos. “A gestão de risco é a alma da empresa”, disse. “A gestão é que dá a continuidade para a nossa empresa”.

A agenda de dois dias de conferência ALARYS conta com painéis de discussões previstas para quinta-feira, com destaque para programas globais de seguro no Brasil e uma apresentação de empresas sediadas nas Bermudas, o país anfitrião para a conferência de 2016 ALARYS.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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