Sonho Seguro – Vale a pena se aposentar por tempo de contribuição neste cenário de possível fim do fator previdenciário, sendo que os dois candidatos a presidência da República, Dilma Rousseff e Aécio Neves, afirmam que vão propor mudanças.
Rogério Araújo – Não enxergo o fim do fator, sem alguma compensação, como algo possível, provável.
Temos hoje o melhor e mais generoso sistema de previdência social do mundo, é tão vantajoso, tão bom, que tornou-se inviável. Se fizermos somente a conta matemática, financeira, do valor de contribuição, formando a reserva futura, essa reserva, em nenhuma tábua atuarial, de nenhuma de nossas entidades de previdência privada, proporcionariam a renda vitalícia que o INSS proporciona, e ainda temos que levar em consideração os riscos, pensão, invalidez, além de várias assistências, como Maternidade, Afastamento Temporário, por exemplo.
SS – Acredita que o novo presidente vai acabar como fator previdenciário?
RA – Se acabarem com o fator irão substitui-lo por outra regra. Uma das hipóteses em que acredito é que mude a idade mínima para aposentadoria, aumente o período de contribuição ou algo semelhante, como o projeto 85/95, com mulheres com soma da idade mais contribuição = 85 anos e homens com soma da idade + tempo de contribuição = 95 anos.
SS – Então quem já completou o período de contribuição (30 anos para mulheres e 35 para homens) deve se aposentar, mesmo com o desconto do fator previdenciário?
RA – Na minha visão quem tem tempo de contribuição para se aposentar, deve se aposentar, pode fazer contas, mas acredito que receber um benefício certo, reaplica-lo por mais 10, 12, 15 anos e formar uma reserva para complementação, é melhor e mais seguro do que esperar “um milagre” que nunca irá acontecer, que seria melhorar o benefício futuro na aposentadoria social. Veja, por exemplo, os índices de reajustes dos aposentados. Sempre inferior aos índices de reajustes do salário mínimo. Com a mudança de nossa pirâmide demográfica para um “jarro demográfico”, aumento da expectativa de vida, menor taxa de natalidade, crescimento da economia informal, é muito provável caminharmos para um Brasil em que receberemos, jovens hoje na faixa de 30 a 35 anos, um salário mínimo de benefício na aposentadoria.


















