Notícias sobre incêndio registram queda no semestre, revela estudo do ISB

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No primeiro semestre deste ano, o número de incêndios estruturais no Brasil foi cerca de 15% menor em comparação com o mesmo período de 2013. No total, foram contabilizadas 534 ocorrências na imprensa brasileira – média de 89 por mês, segundo dados do Instituto Sprinkler Brasil (ISB). Trata-se de uma pesquisa realizada pelo próprio Instituto desde 2012 para desenvolver uma estatística sobre ocorrências de incidentes causados por fogo no País. Os dados representam entre 2% e 3% dos incêndios que ocorrem de fato no Brasil devido à indisponibilidade de números divulgados oficialmente e com regularidade por diversos Corpos de Bombeiros, bem como pela inexistência de um órgão nacional que compile esses dados.

Para efeito de comparação, no mesmo período de 2013, foram encontradas 634 notícias sobre incidentes do gênero, o que representa uma média mensal de 105,6 matérias sobre o tema. Apesar de o número total ter sido menor, o levantamento apontou o crescimento da quantidade de notícias sobre incidentes em alguns meses, estados e ocupações específicos. Foi o caso das ocorrências em estabelecimentos de serviços de saúde (hospitais, clínicas, postos de saúde), abordadas em 27 reportagens no semestre passado contra 21 dos primeiros seis meses de 2013, e de serviços de hospedagens (hotéis, motéis, pousadas e pensionatos), com sete registros em 2014 e seis no último ano.

Os meses de maio e junho deste ano também tiveram um total de notícias sobre incêndios estruturais (102 e 101, respectivamente) maior do que seus correspondentes em 2013 (94 e 82). Finalmente, na comparação entre os períodos, foram encontradas mais matérias jornalísticas sobre incidentes com fogo nos estados do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Amazonas, Alagoas, Piauí e Sergipe em 2014 do que em 2013. a quantidade de ocorrências encontradas em São Paulo segue consideravelmente maior do que nas demais unidades federativas, assim como ocorreu nos anos anteriores.

No entanto, deve-se destacar que essa diferença pode ser explicada pela forma como a imprensa de cada estado cobre especificamente este assunto. de maneira geral, os números de cada estado tiveram pequenas variações nos semestres comparados. No entanto, algumas mudanças podem ser consideradas significativas, com destaque para o Mato Grosso do Sul, que foi o que registrou maior aumento de notícias sobre incêndios estruturais e saltou da 15ª posição em 2013 para a 9ª neste ano, além de ter se tornado a unidade federativa com mais reportagens sobre o assunto na Região Centro-Oeste.

Para Marcelo Lima, Diretor-Geral do ISB, mesmo com a queda, o número de notícias sobre incêndios ainda é alto. “É fundamental reforçar, em primeiro lugar, que a queda do número de notícias sobre incêndios estruturais não significa necessariamente que o total de ocorrências do gênero também diminuiu. O levantamento que fazemos reflete como está a cobertura que a imprensa tem feito sobre incidentes com chamas. Essa redução pode ser explicada pelo fato de o primeiro semestre do ano passado ter sido atípico por causa do incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria. Devido às proporções que aquela tragédia alcançou, com centenas de mortos e feridos, foi dada mais atenção a esse assunto naquele momento. Aliás, isso mostra como o número de notícias sobre incêndios e, consequentemente, de ocorrências segue alto, pois no último semestre não houve um acidente como o da casa noturna gaúcha, mas as reportagens publicadas sobre o tema continuaram sendo frequentes”, explica ele.

Com relação à distribuição das notícias de incêndio por ocupação, a proporção ficou praticamente estável. Estabelecimentos comerciais, depósitos e indústrias seguem sendo, respectivamente, os três locais com maior número de incêndios noticiados e quantidade significativamente superior à de outras ocupações, que tem um total de registros mais aproximado e, portanto, apresentam menos discrepância em suas proporções. “As proporções serem mantidas se explica porque cada ocupação tem uma determinada carga de incêndio e elas diferem umas das outras. Isso significa que alguns lugares apresentam risco maior de passar por um incidente com chamas do que outros e é normal que isso aconteça em estabelecimentos comerciais, depósitos e indústrias, que muitas vezes podem trabalhar com grande quantidade de materiais combustíveis. Por eles apresentarem maiores riscos de passar por uma ocorrência assim, merecem ainda mais cuidado ao se planejar a sua proteção contra chamas e mesmo que os números de notícias tenham sido menores, ainda seguem sendo altos”, aponta o Diretor Geral do ISB. Uma última ressalva que deve ser feita é que para cada ocorrência de incêndio foi contabilizada apenas uma notícia, inclusive nos casos de incêndios de grandes proporções e impactos que tiveram ampla repercussão em vários veículos de comunicação.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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