Resseguro: regulação pró-ativa

3o.resseguro cnsegKelly Lubiato
Revista Apólice, do Rio de Janeiro

Roberto Westenberger, recém empossado superintendente da Susep, falou com exclusividade à revista sobre os planos que estão sendo traçados para sua gestão frente à autarquia.

Quais são as suas expectativas ao assumir o cargo, o que pode mudar a partir de agora?

Os planos já estão sendo elaborados para nortear a ação a curto prazo. Mas as ideias e os conceitos que vão orientar nossa gestão já estão definidos. São seis pilares: valorização do servidor da Susep, porque sem a superintendência motivada, aparelhada e capacitada tudo é mais difícil.
Há também a questão de capacitação de mercado, no sentido mais amplo. Internacionalização, atuação da Susep nas interações obrigatórias e não obrigatórias com os órgãos reguladores internacionais. Com os órgãos reguladores regionais se submetendo e discutindo em linha com o que o órgão regulador internacional determina.

A melhoria da gestão com aceleração da implementação de uma supervisão baseada em risco, com filosofia de regulação baseada em riscos, para que a Susep efetivamente possa contribuir para a melhoria da gestão das seguradoras.

Uma atuação desenvolvimentista, ou seja, a Susep atuando muito mais como órgão fomentador do mercado brasileiro do que propriamente na situação policialesca. Evidentemente, não exclui essa ação porque ela é função da Susep. Mas vai mudar o direcionamento, para o fomento do mercado de seguros, sem esquecer o talão de multas em um bolso e o lacre, no outro, para os casos em que será mandatória essa ação.

O mercado reclama muito sobre a aprovação de coisas que dependem da Susep. Como vocês pretendem agir para resolver essas questões?

Esse é o sexto pilar. É o que eu chamo da atuação da Susep mais no atacado do que no varejo. O papel do órgão regulador é garantir a solvência do sistema. Isso passa por análise individualizada do produto, mas não na intensidade que a Susep está adotando hoje. Ela vai, efetivamente, continuar ano seu processo de análise de produtos, mas para produtos em que essa ação seja necessária, com a rapidez que não trave o desenvolvimento do mercado.

Se a análise individualizada de produtos se presta a uma avaliação da saúde financeira da seguradora, existem outros meios de olhar essa saúde financeira que são os quantitativos de reserva e capital, com a atuação no provimento de informações para o mercado. Isso vai gerar uma adequação do papel da Susep que é de garantidor da solvência, muito mais que da ação varejista produto a produto, que acaba travando o mercado. Em contrapartida, a Susep vai pensar e ajudar o mercado a visualizar os nossos produtos que são necessários para preencher as demandas daquele que é o objetivos do mercado, que é o consumidor de seguros.

É uma mudança de foco, procurando atuar no desenvolvimento dos nichos onde o produto de seguros ainda não está de forma adequada, do que propriamente no garimpo dos detalhes de produtos já existentes.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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