Seguro rural: obrigatoriedade preocupa profissionais do setor

agricultor familiarArtigo – Munich Re

A ESALQ/USP, em parceria com a Munich Re, realizou o segundo Seminário de Seguro Rural, que vem facilitando o debate a respeito do seguro rural orientado para a demanda de seguro agrícola há vários anos. Sessenta pessoas participaram de um interessante programa e se envolveram em discussões com a presença de representantes do Governo, Produtores, Mercado de Seguros e Resseguros e Instituição de Ensino, Pesquisa e Extensão.

A lei que estabelece a obrigatoriedade do seguro rural para todos os empréstimos para produção rural de até R$ 300.000 entrará em vigência a partir de 01/07/2014. O objetivo é alavancar a contratação de cobertura de seguro rural que, em geral, é bem aceito no setor. No entanto, os participantes manifestaram dúvidas a respeito da disponibilidade de recursos públicos suficientes e sobre a capacidade de o mercado fornecer, de uma hora para outra, cobertura de seguro para a maior parte dos produtores rurais elegíveis. Sem recursos públicos suficientes, não haverá ampla cobertura de seguro contemplada para os tomadores de empréstimos rurais.

Embora o MDA (Ministério de Desenvolvimento Agrário) tenha oferecido uma atualização das melhorias do programa público Proagro (seguro para beneficiários do Pronaf e Pronamp), nem o MAPA (Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento), responsável pelo PSR, nem a Fazenda, responsável pelos orçamentos do PSR e Proagro, estavam presentes para discutir as preocupações apontadas.

Neste evento, uma representante dos agricultores dos Estados Unidos compartilhou a experiência dos produtores rurais dos EUA que sofreram uma seca catastrófica em 2012. No passado, em épocas em que o seguro rural dos EUA estava pouco desenvolvido, os produtores rurais constantemente demandavam auxílio para catástrofes; em 2012, nenhuma solicitação deste tipo foi feita devido ao seguro rural amplamente disponível e apoiado pelo governo. Os bancos dos EUA exigem cobertura de seguro rural para o pedido de empréstimos; no entanto, não há obrigação legal.

A Superintendente Técnica da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária), Rosemeire dos Santos, declarou que o seguro rural apoiado pelo governo era prioridade máxima para a CNA, mas que o suporte governamental era insuficiente para torná-lo amplamente disponível a custos menos onerosos para os produtores rurais brasileiros. Rosemeire dos Santos percebe uma grande discrepância entre as metas declaradas das politicas públicas e seu cumprimento pelas autoridades.

Alysson Paulinelli, Presidente da Abramilho e Ex-Ministro da Agricultura, enfatizou a oportunidade perdida de uma ferramenta eficaz de gestão de risco para a agricultura brasileira via uma parceria público-privada para o seguro rural. Tendo sido tomadas medidas importantes pelo governo, Alysson Paulinelli demandou outras medidas urgentes para aumentar a produtividade e alavancar o potencial internacional do setor agrícola no Brasil.

Os representantes de produtores de SP e do PR enfatizaram a necessidade crescente de soluções de transferência de risco, também sem vinculo obrigatório com os empréstimos. A maior preocupação está no grande contraste com a falta de acessibilidade e confiabilidade do orçamento do Programa de Subsídio ao Prêmio do Seguro Rural. Mesmo para estados como o PR, que oferecem subsídio ao prêmio adicional, a incerteza dos subsídios federais limita significativamente e complica o esforço do estado em oferecer um Programa confiável e seguro para os produtores rurais.

O TCU (Tribunal de Contas da União) anunciou um trabalho de auditoria sobre aspectos operacionais e financeiros dos programas de gestão de risco sustentados pelo governo no início de 2013, que resultará num relatório que será publicado em breve. O setor viu com muitos bons olhos este esforço na esperança d um sistema de seguro rural sustentável. O seminário terá continuidade em 2014.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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