Mulheres ainda ganham menos e ocupam poucos cargos na direção das seguradoras, revela pesquisa

funensegO mercado segurador tem quatro mulheres gerentes para cada dez homens e uma diretora para cada cinco diretores. Na diretoria da CNseg, por exemplo, a presença feminina inexiste. Assim Maria Helena Monteiro, diretora da Escola Nacional de Seguros (Funenseg), começou sua palestra nesta manhã, em São Paulo, para apresentar a pesquisa Mulheres no mercado de seguros do Brasil. “Essa foto nos motivou a pesquisar o tema e foi um estudo muito interessante realizado juntamente com o consultor Francisco Galiza. Temos ainda um mercado machista”, afirma Maria Helena.

As mulheres, por exemplo, já são 57% dos profissionais do setor hoje, contra 49% em 2000. As mulheres compõem 70% dos menores salários. Sim, dos menores. “Existe preconceito?”, questiona Maria Helena, comprovando com os dados. Cerca de 41% dos gerentes são mulheres. A maior concentração é na área comercial. “Nos cinco maiores níveis hierárquicos das companhias, os homens ainda ocupam 69% dos cargos”, ressalta.

A pesquisa revelou que há ainda um preconceito contra as mulheres, uma vez que elas recebem pouco mais de 60% da renda dos homens, abaixo da media de 70% da pesquisa nacional do IBGE. “Isso mostra que o mercado segurador tem muito a fazer para garantir igualdade de oportunidades e acesso ao emprego e de desenvolvimento de carreira”.

Outro dado que chamou a atenção na pesquisa foi de 2% das mulheres não voltam a trabalhar depois da licença maternidade. Porem, apos 1 ano s de retorno da licença 30% das mulheres deixam de trabalhar na companhia. “Isso mostra que o setor tem de discutir estratégias para manter as mulheres em seu quadro, pois é um numero muito preocupante”, ressalta Galiza.

De uma forma geral, a mulher escuta mais atentamente as mensagens, fazem distinções mais apuradas ao escolher os produtos, nas compras online, as mulheres preferem ver os produtos dentro de um contexto prático. A interação pessoal é mais importante e as mulheres são mais conservadoras em sua escolha. Se influenciam também pelo modismo. “O homem comemora a vitória do time no bar. Já a mulher vai às compras”, compara Maria Helena.

Em produtos financeiros, os homens focam em preço e as mulheres em benefícios e priorizam estabelecer relacionamento de longo prazo. “Isso abre uma grande oportunidade para os corretores de seguros”, frisa a diretora.

Entre as frases selecionadas para reforçar as vantagens de ter mulheres no corpo diretivo, o estudo destaca que a mulher tem mais empatia no relacionamento, uma visão mais cuidadosa sobre as pessoas, é mais dinâmica. Já entre as frases ditas pelas entrevistadas e que podem servir de sugestões para as empresas, os coordenadores destacaram “a mulher tem maior consciência sobre o futuro”, “melhor gestão de pessoas”, “maior sensibilidade e perspicácia”, maior sensibilidade na percepção da necessidade dos clientes”.

Uma dica de Maria Helena é que as empresas passam a entender a agenda feminina. “As mulheres muitas vezes não tem tempo para happy hour, pois precisam voltar para casa para fazer a lição com o filho e isso não é um fator que deve comprometer a carreira profissional dela”. Já mudou muito, afirma, mas ainda é preciso entender melhor a agenda da profissional. “Muitas tem um período da vida que não podem viajar muito. E isso também deve ser observado”.

A mulher já conta com cursos técnicos para profissionais que operam com este mercado específico. “Mas isso não é suficiente. Precisamos fazer muito mais para que a participação de mulheres nos órgão de direção seja proporcional ao total de mulheres no quadro funcional”. A próxima pesquisa já tem objetivo: a mulher como consumidora, informa.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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