“Esse é só o começo”, disse Marco Antonio Barros, presidente da Federação Nacional das Empresas de Capitalização (Fenacap) e responsável pela área de seguridade do Banco do Brasil, no encerramento do seminário Microcrédito & Microsseguro – Inclusão Social, realizado ontem pelo Valor Econômico, em São Paulo. “Demos um passo grande com a regulação do microsseguro. Temos muito trabalho pela frente para falar que a nossa sociedade está protegida e tem condições melhores para enfrentar um fato adverso na vida”, disse.
Segundo ele, dobrar a participação de seguros no Produto Interno Bruto, chegando a 7% ou 8% é um grande otimismo. “Para conquistar isso temos muitos desafios e muita estrada pela frente”. Para ele, o ponto mais importante dessa jornada está na comunicação. “Insisto que temos de deixar 100% claro para quem se direciona o nosso produto, para que serve, qual o benefício que oferece”. Um ponto em que todos tem batido é na simplificação dos termos técnicos. “Falar a linguagem deste novo cliente. Tirar o segurês das apólices e de toda a comunicação que fazemos com a sociedade em geral. A sociedade está cansada de ouvir falar de prêmios, sinistros. É preciso falar a linguagem dos clientes”.
Outra questão chave, segundo Barros, é a distribuição. “Temos de reinventar. Pensar além dos modelos tradicionais. Chegar a algo que não vimos para termos custos compatíveis com o negócio e que seja sustentável no tempo”, sugere. A educação continuada para todos os agentes do setor é o outro ponto relevante dentro da filosofia que Barros pretende compartilhar com o setor. “Temos sim a responsabilidade de educar os consumidores. Mas antes temos de educar os vendedores. So atingiremos a sustentabilidade se os distribuidores tiverem a clareza de vender os produtos certos para as pessoas certas. Isso vai livrar o setor de ter de escutar comentários como “leia com atenção as letras miúdas”, ditas por órgãos de defesa dos consumidores e jornalistas”, comentou, referindo-se a um vídeo de uma matéria transmitida pela teve Globo, usada por um dos palestrantes do evento.
Barros também defendeu a busca de incentivos por parte governamental para que o setor possa levar produtos a preços mais compatíves a realidade das pessoas de menor renda. “Esses incentivos têm de se transformar em investimento, de forma que todos enxergem. Temos experiências interessantes. Parte das renúncias é alocada na própria comunidade, como a geração de emprego ou benefícios diretos em infraestrutura como temos visto no projeto Estou Seguro, liderado pela CNseg, no Morro Santa Marta, no Rio de Janeiro”.
Segundo o executivo, o setor de seguros tem grande oportunidade de contribuir para ter uma sociedade mais protegida. “São sociedades protegidas que garantem gerações futuras mais promissoras. Na medida em que nossas soluções cheguem as mais diversas famílias, nos mais longinquos lugares, iremos consolidar o crescimento do pais. O primeiro passo foi dado. Agora temos de fazer tudo para que de fato o seguro e o microsseguro se consolide todas as classes.”.
Um compromisso e tanto fazer esse discurso. Vamos acompanhar a prática agora. O setor já tem boas histórias para contar sobre reduzir o segurês, como o projeto da Mapfre, que investe R$ 100 milhões para acabar com o segurês. Objetivo é criar, até 2016, uma nova interface de comunicação com o cliente e decifrar a “linguagem segurês”. A SulAmérica também colocou no ar o site “Previdência Sem Blá Blá Blá”, que decifra a previdência para os internautas. Muito didático, o portal deixa claro os benefícios fiscais e o efeito dos juros compostos. Pelo que tenho escutado, teremos muitos projetos com esse foco daqui para frente. Que bom!

















