Os promotores de cidadania e do consumidor sempre têm casos interessantes para contar. Afinal, o dia a dia destes profissionais é estudar as queixas que chegam a eles sem acordo entre as partes. Dois casos engraçados foram contados pelo promotor da Cidadania e do Consumidor de Jacareí (SP), José Luiz Bednarski, durante sua palestra no 8º Seminário Ética e Transparência na Atividade Seguradora, em São Paulo, realizado em agosto de 2009.
Segundo ele, há alguns produtos “defeituosos” vendidos no mercado de seguros. Um deles é o seguro contra roubo para armário embutido. Isso mesmo.
“Tenho o caso de uma senhora, que acabara de ficar viúva e estava com o dinheiro do pecúlio do falecido marido. Foi até uma loja do Ponto Frio para comprar um paneleiro. Um armário para guardar suas panelas. Segundo ela, o preço estava ótimo. R$ 400.
Disse ao vendedor que levaria e pagaria à vista. Minutos depois o vendedor voltou e disse que havia se enganado no preço e que o valor era R$ 500. Apesar de consciente de seus direitos, sobre poder levar pelo preço informado no início da conversa, manteve a compra porque realmente tinha gostado do armário.
Quando chegou em casa e colocou óculos, se deu conta que os R$ 100 a mais se referiam a um seguro contra roubo. Voltou à loja para dizer que queria seu dinheiro de volta, pois não pediu o seguro. O vendedor que a atendeu disse que a velha senhora teria de procurar outro departamento, pois ele tratava apenas de vendas. Seguro era em outro lugar.
Bem, resumindo, o caso foi para a Justiça, que mandou a varejista e a seguradora devolver o dinheiro e pagar dez salários mínimos de indenização por danos morais.
Este fato ilustra bem o que quero dizer. É preciso fazer uma varredura nos seguros defeituosos. Imaginem o ladrão chegar na sua casa e dizer: fique tranquila minha senhora. Não quero roubar a sua tevê de plasma. Só me empresta uma chave de fenda que quero roubar o seu paneleiro!!!!!”
Realmente, esta história foi engraçada e demonstra que as seguradoras que usam vendedores de lojas precisam investir muito em treinamento, evidenciando que fazer uma boa venda, pautado pela ética, é mais lucrativo do que a ilusão do ganho imediato.
Um outro produto defeituoso citado pelo promotor foi alguns tipos de seguro desemprego. “Um senhor, demitido da Embraer no auge da crise, entre outros 4,2 mil que foram desligados pela empresa aérea em 19 de fevereiro deste ano, pensou que no meio de tanta notícia ruim pelo menos tinha um consolo. O seguro desemprego comprado pelo cartão Carrefour. Quando ligou para pedir a indenização foi informado que o seguro não cobria desemprego em massa”. A plateia deu gargalhadas. Porém, a situação é dramática para quem a viveu. Pior ainda se levarmos em conta que a indústria de seguros está apenas embrionária no Brasil.
(banco de imagem www.dreamstime.com)

















