Susep autoriza operação da canadense Fairfax
Por Denise Bueno em 10/03/2010
Depois de quase nove meses, a Susep liberou a autorização para a Fairfax Brazil Participações atuar no Brasil. Toda a operação já está montada. A meta é abocanhar parte dos grandes riscos no país. Engana-se quem pensa que agora Jacques Bergmann vai se acalmar, depois de tanto lutar pela licença.
Bergman parece ter sido treinado para conviver com pressões. Passou pela crise financeira ainda comandando as operações de grandes riscos da Itaú XL. Enfrentou os problemas vividos pelo grupo das Bermudas durante a crise, que lhe trouxe outro stress: a compra pelo Itaú da Unibanco AIG. Com o fim da parceria entre Itaú e XL, optou por sair do banco, onde estava há muitos anos, para assumir novos desafios, como montar a operação da seguradora canadense no Brasil.
Jacques Bergmann está determinado a conquistar clientes com qualidade de serviços e técnica, como pode observar qualquer pessoa que o encontre. Munido de uma equipe reconhecida pelo talento e com números, ele conta que atuamente há um potencial de prêmios para seguro garantia e seguro de riscos de engenharia de R$ 3 bilhões, considerando-se os programas de investimentos já aprovados no Brasil, segundo levantamento feito pela revista Exame.
“Considerando-se os que ainda estão para ser aprovados, o volume de prêmios dessas duas carteiras pode chegar a R$ 9 bilhões até os Jogos Olímpicos”, disse ele durante palestra proferida no II Brazilian Reinsurance, realizado nos dias 4 e 5 de março, no Rio de Janeiro.
A autorização é para operar com seguros de danos e de pessoas em todo o território nacional. Na mesma portaria, a Susep informa que o capital social de seguradora é de R$ 44,3 milhões. O objetivo é atuar no mercado de grandes riscos para médias e grandes empresas, em 22 setores da economia, como aeronáutico, seguros marítimos, propriedade, transporte, energia e petróleo.
No resseguro, o grupo está trazendo ao Brasil a Odyssey Re, com sede nos Estados Unidos, uma das cinco maiores resseguradoras do país e das 15 maiores do mundo, com mais de US$ 2 bilhões em prêmios. A resseguradora vai operar na categoria “admitida”, que exige abertura de escritório de representação no país.
Setor mantém crescimento na AL, revela estudo
Por Denise Bueno em 08/03/2010
A indústria de seguros da América Latina figura como uma das mais potenciais do mundo dentro do contexto internacional dos grandes grupos seguradores, que buscam expandir suas operações em mercados que apresentam boas condições macroeconômicas. “E este com certeza é o caso do Brasil, que tem o maior mercado de seguros da região”, diz Mercedes Sanz, uma das responsáveis pela elaboração da oitava edição do estudo “El mercado asegurador latinoamericano”, produzido pela Fundación Mapfre e lançado hoje no Brasil.
O crescimento sólido do Brasil tem ajudado a aumentar a participação da indústria de seguros da região em relação as vendas mundiais. “Graças aos indicadores sólidos, os países da América Latina enfrentaram a crise financeira mundial sem tantos percalços”, comenta a executiva da Fundación Mapfre, que esteve em São Paulo ontem e segue para divulgar o estudo no Rio de Janeiro nesta semana.
Segundo o estudo, a América Latina registrou crescimento nominal das vendas de seguros de 11% em 2008, para € 69 bilhões. “Apesar do índice ter ficado abaixo dos 11,6% registrado no ano anterior, é um resultado bastante positivo diante da crise financeira que iniciou em setembro de 2008 e que abalou a economia mundial”, diz.
Em 2009, a tendência de alta nas vendas se mantém. No primeiro semestre de 2009, os mercados de seguros da América Latina registraram crescimento médio nominal de 7,3%, para € 35,7 bilhões. Apenas Chile e El Salvador reportaram vendas menores, aponta o estudo. O maior incremento foi na área de Seguros Gerais (No Life), com evolução de 13%, com o segmento Vida (Life) recuando 2,5% na região, como conseqüência do menor ingresso de recursos em seguros de vida e planos de previdência na Argentina, Chile, México e Puerto Rico.
“Também é preciso citar dois acordos importantes fechados em 2009 e que terão efeito na nova configuração da indústria de seguros local a partir de 2010”, diz Mercedes. O Itaú Unibanco comunicou associação com a Porto Seguro para a venda de seguro de carro e de casa e o Banco do Brasil e a Mapfre anunciaram uma aliança estratégica para desenvolver as operações de seguros gerais.
As perspectivas para 2010 são ainda melhores, principalmente pelo Brasil ter sido escolhido como anfitrião de dois importantes eventos esportivos mundiais: a Copa Mundial em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016. “Estes dois eventos vão atrair muitos investimentos, potencializando ainda mais o crescimento da indústria de seguros na região”, comentou Bento Zanzini, vice-presidente da Mapfre. Segundo ele, os resultados do primeiro bimestre deste ano já mostram uma forte tendência de crescimento da indústria para 2010.
Dados de 2008 - O segmento de Seguros Gerais apresentou comportamento estável, com índice de crescimento de 11,6%, pouco abaixo dos 12% de 2007, o que se explica pela menor expansão da atividade econômica e da forte competição entre as seguradoras. Em Vida, o faturamento chegou a € 25 bilhões, com incremento de 10% em relação ao ano anterior.
Os países que apresentaram maior crescimento em volume de prêmios foram Venezuela (36,3%), Paraguai (33,4%) e Uruguai (26,9%). Como nas edições anteriores, a valorização do euro frente a diversas moedas não favoreceu o crescimento de prêmios na região com a conversão.
A concentração do mercado diminuiu, com as sete maiores indústrias de seguros da região detendo 93,6% das vendas totais. Brasil e México permanecem como os principais mercados da região, seguidos pela Venezuela, Porto Rico, Argentina, Chile e Colômbia.
O segmento de Seguros Gerais responde por 63,9% das vendas totais de seguros na América Latina e Caribe, ficando Vida com 36,1%. O principal seguro vendido na região é o seguro de vida individual e coletivo, com 31,2% dos prêmios totais. Seguro de automóvel é o segundo maior, com 24,8%, seguido por saúde, com 14,5%.
Em relação ao PIB, a indústria de seguros dos países da região apresentou crescimento para 2,6%, tendo Porto Rico na dianteira, com participação de 15,5%, seguido por Chile (3,9%). Panamá, Brasil e Venezuela empatam na terceira colocação, com 3,3%. O Brasil, apesar de ser o maior mercado de seguros da região, ainda tem uma participação no PIB ínfima.
“O lado positivo disso é que este indicador revela o grande potencial brasileiro”, diz Mercedes. Enquanto em nações maduras a penetração de seguros equivale ao tamanho da economia, no Brasil há um descompasso. O país está entre as maiores economias do mundo e entre os vinte maiores mercados de seguros.
Porto Rico registrou o maior prêmio per capita da região, com € 1.625 por habitante em 2008, seguido pelo Chile (€ 270), Venezuela (€ 254), Brasil (€ 186), Panamá (€ 156), Argentina (€130) e México (€ 117). Bolívia e Nicarágua, com €13, são os países com a menor penetração de seguros por habitante na região.
Indústria de seguros no Brasil desenha novo perfil
Por Denise Bueno em 07/03/2010
O novo perfil da indústria de seguros brasileira começa a ficar mais claro, após dois anos de intensas mudanças realizadas para preparar o setor para este ciclo virtuoso de evolução da economia no qual o Brasil está engrenado. “O crescimento do país não é mais uma expectativa e sim uma realidade. As seguradoras têm um papel importante na manutenção deste circulo virtuoso que se criou“, disse Joaquim Levy, secretario de Finanças do Rio de Janeiro, em sua palestra de abertura do II Brazilian Reinsurance Conference, realizado no Rio de Janeiro entre os dias 4 e 5 de março.
O evento, promovido pela revista britânica Reactions e que teve como principais patrocinadores o grupo francês Scor e o IRB Brasil Re, debateu os desafios e oportunidades da indústria de seguros no Brasil. Tanto um quanto outro são enormes. De um lado, um setor que vem crescendo a taxas de dois dígitos desde 1994, com a estabilização da moeda brasileira. Em 2009, as seguradoras faturaram quase R$ 100 bilhões.
O Brasil é um forte candidato a galgar cinco posições no ranking mundial das maiores economias do mundo. Isto quer dizer que haverá negócios para todos os segmentos da indústria de seguros, desde seguros de R$ 2 para ofertar a uma nova classe de consumidores que se consolida com o crescimento da economia brasileira até garantias para assegurar que os milionários contratos que serão assinados para viabilizar a realização dos dois jogos esportivos mundiais, a Copa Mundial em 2014 e as Olimpíadas em 2016.
Jacques Bergmann, ex-executivo do Itaú na área de grandes riscos e que há quase um ano aguarda a autorização da Superintendência de Seguros Privados (Susep) para oficializar a atuação da seguradora canadense FairFax no Brasil, prevê que entre 2010 e 2014 os prêmios dos seguros de garantia de contratos e de riscos de engenharia deverão somar R$ 9 bilhões. Hoje as duas carteiras somam menos de R$ 500 milhões.
Prêmios de R$ 9 bi em garantia e riscos de engenharia
“Se levarmos em conta os mais de 200 programas de investimentos estimados com investimentos acima de US$ 200 bilhões já em andamento no Brasil, os prêmios deste dois seguros, presentes em praticamente todos as obras de infraestrutura, representam R$ 3 bilhões. Além dos investimentos já anunciados, muitos outros virão para sustentar o crescimento do Brasil e preparar todos os setores para a demanda da Copa e Olimpíadas”, argumenta o executivo.
Além dos jogos esportivos, Pierre Ozendo, presidente e CEO da Swiss Re América, cita a importância da agricultura brasileira, um mercado ainda incipiente para seguro e resseguro e com grande demanda, os investimentos necessários em energia para suportar o crescimento.
Segundo previsões da segunda maior resseguradora do mundo, os preços das commodities e de alimentos ficarão elevados nos próximos anos, favorecendo o Brasil, tido como a quinta maior economia do mundo em 2050 e o terceiro maior em vendas de automóveis em 2025, atrás da China e Estados Unidos. “Este cenário traz um panorama muito positivo para o crescimento da indústria de seguros e resseguros brasileira”, disse em sua palestra.
Com tais números, o otimismo é uma realidade. Mas os desafios também são, principalmente se considerarmos que este mercado sofre hoje da asfixia que monopólios criam a uma economia. Durante 69 anos as seguradoras conviveram com apenas um ressegurador, o IRB Brasil Re, único autorizado a fazer resseguro, popularmente conhecido como o seguro das seguradoras.
Todos estão animados com a abertura, até mesmo o IRB Brasil Re. Nos dois primeiros anos de mercado, que se completam em abril, o IRB ainda detém quase 80% dos negócios. “É notável que o Brasil já tem quase 70 empresas de resseguros atuando em dois anos de abertura”, diz Joaquim Levy. Cingapura, por exemplo, demorou quase seis anos para ter o número de sindicatos do Lloyd’s of London que o Brasil atraiu em dois anos.
“Estas empresas já movimentam prêmios de R$ 500 milhões e o IRB Brasil Re tem se adaptado ao mercado aberto”, acrescenta Levy. Tanto se adaptada que se prepara para expandir suas operações para a América Latina e também operar com mais força no seguro garantia, ramo que tinha pouco apetite na época do mercado fechado.
Mas se depender dos concorrentes, o market share do IRB vai se reduzido. “Só estamos aqui porque acreditássemos na queda da participação do IRB”, disse Mark Byrne, presidente e fundador da Flagstone Re. Benjamin Gentsch, CEO da Scor Global Property & Casualty, reconhece que a participação do IRB é elevada após dois anos de abertura. “Mas é preciso ressaltar que o mercado não é totalmente aberto e isso justifica a eleva participação”.
Durante os dois primeiros anos de abertura, os resseguradores locais, onde se encaixa o IRB, tiveram o direito da oferta preferencial de 60%. A partir de janeiro, o percentual foi reduzido para 40%. “Isso vai mudar e vamos desenvolver um mercado aberto. A Scor quer otimizar os ramos que são atraentes. Há carteiras muito expostas e que necessariamente não se encaixam no nosso foco de negócios”, acrescenta o executivo da Scor.
IRB mantém a preferência mesmo com abertura
O IRB, que há anos vem se preparando para o mercado aberto, reage a críticas com um tom de parceria. “Estamos motivados e com grande expectativa no curto e médio prazo. Há muitos investimentos programados para acontecer e eles vão precisar de todo o mercado. Há negócios para todos no Brasil”, diz Rogério Acquarone, diretor do IRB.
As seguradoras, por sua vez, correm contra o tempo. João Carlos Botelho, responsável por resseguro no Itaú Unibanco, afirma que as seguradoras demoraram a se preparar para um mercado aberto de resseguro porque não acreditavam que a abertura realmente aconteceria. “Foram tantos anos de discussão, que era difícil acreditar que ela fosse concretizada”.
“Como seguradora esperamos uma contribuição mais profunda e intensa dos resseguradores, que hoje oferecem capacidade. Precisamos, no entanto, de novos produtos e que eles tragam experiência para as seguradoras”, afirmou Akira Harashima, presidente da Tokio Marine.
A vingança do underwriter
A quebra de paradigmas e das mudanças internas dentro das seguradoras é uma realidade no dia-a-dia. Elas investem em tecnologia para ter um banco de dados capaz de ajudar na precificação do contrato de seguro. “Eu diria que é a vingança dos underwriters”, brincou o presidente da Generali, Frederico Baroglio. Ele se refere a mudança de padrão de prioridades no fechamento de contratos, sendo hoje o cálculo técnico mais importante do que o aspecto comercial. Este profissional é importante, pois assim como há grandes contratos para serem segurados, há grandes sinistros para serem pagos caso as contas não sejam bem feitas.
Em razão dos atuários terem sido ignorados durante os anos de monopólio, uma vez que o preço do resseguro era determinado pelo IRB, há uma grande carência de profissionais que façam subscrição de riscos, executivos conhecidos como underwriting. “Nem mais roubar funcionários da concorrência atende a necessidade que temos no mercado. Precisamos preparar nossas equipes para estarem aptas a encarar os desafios do setor nos próximos anos”, afirma Antonio Trindade, executivo do Itaú Unibanco responsável por grandes riscos.
Além dos profissionais, o monopólio podou a criativadade das seguradoras em relação a produtos, uma vez que as apólices eram desenhadas pelo IRB para todo o mercado. Agora é preciso oferecer ao cliente contratos e serviços diferenciados. “Criamos mais de 20 novos produtos neste último”, disse Luis Maurette, presidente da Liberty Seguros, em sua fala no painel onde CEOs de seguradoras analisaram os dois anos de abertura do resseguro. Além dos produtos, a Liberty diversificou a operação, trazendo para o Brasil a subsidiária de gestão de grandes riscos do grupo Liberty Mutual, a Liberty Internacional Underwrinting (LIU).
Marcos Couto, presidente da ACE, aproveitou o momento para ressaltar a importância do cliente. “Neste evento estamos falando nós para nós mesmos. Precisamos envolver o cliente na discussão. Fazer mais evento com o segurado”, reforçou.
Cliente quer ser ouvido pelo setor
A única empresa compradora de seguro com direito a proferir palestra no evento foi Marcos Mendonça de Mello, coordenador de seguros da AES Brasil Company. E ele fez questão de dizer que a parceria entre cliente, seguradora, ressegurador e corretor é prioritária. “Quem conhece o risco é o segurado. Com certeza nós podemos desenvolver juntos soluções para o mercado”, afirmou.
Muitos clientes queixam-se dos preços elevados e da falta de apetite das seguradoras pelo risco. No próximo dia 15, a Petrobrás vai receber as propostas das seguradoras para três apólices de seguros, com riscos avaliados em mais de US$ 50 bilhões e prêmios acima de US$ 25 milhões. “Espero uma boa redução de preço e ampla cobertura, afinal o mercado internacional de seguros está num momento muito favorável”, comentou Luiz Octavio, gerente de risco da Petrobras.
Algumas seguradoras deixaram de operar com grandes riscos. De um lado este fato reduziu a oferta. Umas ficaram temerosas do risco de crédito de resseguradores com a crise financeira, uma vez que na ocorrência de um acidente a seguradora é responsável por pagar a indenização, mesmo se o ressegurador não honrar o contrato. Outras em razão de uma nova estratégia de atuação que privilegia mais os seguros massificados do que grandes riscos.
“Por outro lado, esta realidade acirrou a competição entre as seguradoras especializadas internacionais, como Liberty, ACE, Allianz, Mapfre entre outras”, afirma Paulo Pereira, presidente da Associação dos Resseguradores (Aber) e da Transatlantic Re. Para ele, o que há na verdade é risco mal taxado.
Ou seja, alguns clientes não apresentam informações suficientes para o calculo do risco ou tem um histórico ruim. Como conseqüência, o preço do seguro sobe e as coberturas ficam reduzidas. Alguns sequer encontram ofertas no mercado, como é o caso da CSN, que há mais de dois anos está sem seguro e conta com um reserva para fazer frente a perdas inesperadas. A Celesc também enfrenta dificuldades, com várias licitações já realizadas sem o comparecimento de seguradoras com ofertas.
“Dos dez maiores resseguradores do mundo, nove estão no Brasil, que representa apenas 1% do mercado mundial de resseguros”, informa Pereira. E vai além: “Estes números mostram que quem está encontrando dificuldade de comprar resseguro é quem tem um risco ruim, inadequado ou quer um preço que não condiz com a análise de risco exigida pelo mercado internacional”.
Resseguro da Transnordestina fechado em uma semana
Outros riscos, no entanto, são disputados a tapa e com isso o preço fica competitivo. Rodrigo Protássio, da corretora de resseguros JLT, disse que em uma semana conseguiu fechar o resseguro de riscos de engenharia da rodovia Transnordestina, com mais de R$ 5 bilhões em investimentos. “Fizemos uma análise de risco tão detalhada que o primeiro ressegurador que ofertamos ficou com toda a cobertura”, disse. O contrato foi fechado com a seguradora Mafpre e com a resseguradora alemã Munich Re.
Como bem definiu o secretário de finanças do Rio de Janeiro, Joaquim Levy, a recente catástrofe que aconteceu no Chile mostra a importância do seguro na reconstrução do país. As indenizações, estimadas em US$ 8 bilhões, serão pagas pelas seguradoras aos clientes que tiveram perdas com terremoto e tsunamis que devastaram o país no início de março, causando mais de 800 mortes.
Apesar de o Brasil contabilizar um pequeno número de catástrofes, elas não são mais um item ignorado dos clientes, investidores e governo. “A crise financeira mostrou que ninguém está inume de riscos, sejam eles criados pelo homem ou pela natureza”, comentou Levy. Diante de um cenário de incertezas, a demanda pelo seguro cresce e isto faz com que as apostas neste mercado sejam animadoras.
SulAmérica passa a integrar o IBrX
Por Denise Bueno em 04/01/2010
2010 começa com notícias da SulAmérica. A seguradora passou a integrar o Índice Brasil IBrX da BMF&Bovespa. Trata-se de um índice de preços que mede o retorno de uma carteira teórica composta por 100 ações selecionadas entre as mais negociadas da bolsa brasileira, em termos de número de negócios e volume financeiro. O IBrX serve como importante referência para fundos de ações e carteiras administradas. Com esta inclusão, as units da SulAmérica passam a fazer parte das carteiras dos seguintes índices: IGC (Índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada), ITAG (Índice de Ações com Tag Along Diferenciado), SMLL (Índice Small Cap), ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial), IFNC (Índice BM&FBovespa Financeiro) e IBrX (Índice Brasil).
JMalucelli e Allianz garantem leilão de eólica
Por Denise Bueno em 14/12/2009
A JMalucelli e a Allianz foram as seguradoras que mais emitiram apólices de seguro para o leilão de energia eólica do governo federal que começou as 10 horas e ainda não terminou (17 horas). Foram habilitados para a disputa de hoje 339 projetos com capacidade de gerar 10 mil MW. A JMalucelli, seguradora líder de garantia no Brasil e na América Latina, emitiu mais de 120 contratos de seguro garantia e a Allianz outras 62 apólices de Garantia de Concorrência, conhecida como BID. Este tipo de seguro é responsável por garantir a participação e a manutenção das propostas das empresas interessadas no leilão junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
O leilão está sendo promovido pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), sob delegação da Agência Nacional de Energia Elétrica. A disputa é pela internet e não tem horário previsto para término. Segundo nota da Allianz, a expertise da subsidiária brasileira, que conta com engenheiros que participaram de treinamentos na Alemanha para entender e identificar bons projetos deste setor, foram fundamentais para analisar a demanda. Por trazer na bagagem esse amplo conhecimento, o diferencial da Allianz está justamente em não analisar apenas a saúde financeira das empresas candidatas, mas todos os projetos de usinas propostos por elas, verificando a viabilidade.
SulAmérica passa a integrar o ISE
Por Denise Bueno em 26/11/2009
A SulAmérica integrará a carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da BM&FBovespa a partir de dezembro, segundo composição divulgada ontem. Um feito e tanto para a seguradora, única listada no índice. A carteira do índice,que começa a vigorar a partir de dezembro, terá 43 ações de 34 empresas que representam 15 setores e somam R$ 730 bi em valor de mercado. Ontem, o Ibovespa atingiu a maior pontuação em mais de 17 meses, após encerrar o pregão em alta de 0,89%, aos 67.917 pontos, maior nível de fechamento desde o dia 17 de junho do ano passado (68.437 pontos). Com isso, a valorização do índice no ano passa as ser de 80,87%.
A SulAmérica foi uma das oito novas companhias que passaram a fazer parte do ISE, composta por ações de empresas que apresentam alto grau de comprometimento com práticas de sustentabilidade e governança corporativa. As outras sete são Copel, Even, Itaúsa, Indústrias Romi, Redecard, Usiminas e Vivo. Celesc e Odontoprev saíram fora. Na carteira anterior, eram 38 ações, emitidas por 30 empresas de 13 setores, totalizando, em 1º de dezembro de 2008, R$ 1,21 trilhão em valor de mercado, o equivalente a 39,6% da capitalização total da bolsa. O número foi reduzido devido a fusões.
O ISE foi criado em dezembro de 2005 e formulado com base no conceito internacional Triple Bottom Line (TBL), que avalia, de forma integrada, elementos ambientais, sociais e econômico-financeiros. Aos princípios do TBL, foram adicionadas outras três dimensões: governança corporativa, características gerais e natureza do produto.
Para a composição da carteira, são selecionadas as 150 empresas com ações mais liquidas na Bovespa no período de um ano. Para a nova carteira, foram convidadas 137 companhias. Dessas, 51 responderam ao questionário e participaram ativamente. Algumas participaram como “treineiras”, pois não eram elegíveis entre as com maior liquidez. Para carteira do ISE que entrará em vigor no ano que vem, serão levados em consideração os ativos das 200 companhias com maior volume de negócios. O número de empresas para compor a carteira é limitado a 40.
Veja as empresas que compõem a carteira 2009/2010
AES Tiete
Bradesco
Cemig
Dasa
Energias do Brasil
Indústrias Romi
Redecard
Tim Participações
Cesp
Duratex
Even
Itaúsa
Sabesp
Tractebel
Banco do Brasil
Coelce
Eletrobrás
Fibria
Itauunibanco
Sul América
Usiminas
Braskem
Copel
Eletropaulo
Gerdau
Light
Suzano Papel
Vivo
BRF Foods
CPFL Energia
Embraer
Gerdau Metalúrgica
Natura
Telemar
Mapfre lança projeto destinado à mulher
Por Denise Bueno em 06/11/2009
A seguradora espanhola Mapfre, que atua de forma independente e também é sócia do Banco do Brasil em vida e ramos elementares, lança no próximo sábado, dia 7, em São Paulo, um projeto destinado ao público feminino. Nele, as mulheres terão um espaço inovador com dicas de mecânica, economia, decoração, saúde, moda, entre outros temas. Segundo comunicado do grupo, o projeto reunirá quatro blogueiras, que fornecerão às mulheres um mix de informações e curiosidades, como serviços domésticos, tratamentos de beleza, trânsito, contas a pagar e até como lidar com a família.
Baden Baden: queda de preço para 2010
Por Denise Bueno em 27/10/2009
O futuro do resseguro, uma operação que ajuda as seguradoras a mitigar o risco de catástrofes naturais ou feitas pelo homem, está sendo traçado no tradicional encontro em BadenBaden, refúgio de milionários na Alemanha, que teve início no domingo e termina na quinta-feira. Lá, instalados em um belo SPA e cassino, elas se reúnem com seus clientes para discutir a renovação dos maiores contratos de resseguro do mundo que vencem em janeiro de 2010.
A recuperação dos mercados acionários em 2009 ajudou resseguradoras e seguradoras a reconstruir seus balanços financeiros. Aliado a este fato, a natureza foi, digamos, generosa com a indústria de seguros. A safra de furacões nos EUA até agora está bem aquém das previsões, com perdas abaixo do previsto.
Neste cenário, as seguradoras e resseguradoras estão conseguindo recuperar capital, o que já é demonstrado pelo fim do ciclo de alta de preço. Em vários nichos de negócios já se observa descontos, porém as condições de cobertura e exigências de informações permanecem severas.
A demanda por resseguro, até então em queda em razão da recessão da economia, deve crescer em 2010. Tanto pela maior consciência de riscos a que todos estão expostos, percepção aguçada com a crise financeira, como também para fazer frente a uma forte necessidade de capital das seguradoras para cumprir novas regras de Solvência II, elaboradas pela Comissão Europeia.
O objetivo do órgão regulador é fortalecer o capital das seguradoras, impondo que elas priorizem a qualidade na subscrição de risco, tornando o seguro caro e as coberturas limitadas para os segurados com pouca transparência, que não investem em segurança e também em relacionamento duradouro, assim como para aqueles com um histórico de sinistros volumoso e com custos elevados. A compra de resseguro é uma das saídas para dar um fôlego ao comprometimento do patrimômio e poder alavancar as vendas sem ter de injetar capital.
Este é o tom do 25º tradicional encontro de resseguros. Munich Re disse ter uma farta capacidade para ofertar aos clientes. Swiss Re acrescentou que tem uma equipe profissional para buscar as melhores soluções para contratos saudáveis. Hannover Re aposta em queda de preço para os riscos na Alemanha. A Scor disse que irá buscar aumento de preço em algumas carteiras deficitárias. A Guy Carpenter vislumbra um cenário de queda de preços. A expectativa dos analistas que acompanham o encontro é de uma queda média de preço entre 5% e 10%.
Uma das preocupações mundial é com a inflação, que pode vir a prejudicar a rentabilidade dos resseguradores em todas as linhas de negócio, segundo alerta feito pela Towers Perrin durante palestra no evento. Isso porque em muitos contratos há claúsulas onde as reclamações podem ser feitas anos depois de ocorrido o acidente. Com a inflação, pode haver um valor maior do que o previsto de desembolso. Historicamente, a inflação tem gerado créditos futuros. Mas atualmente, a indústria não vinha introduzindo o risco de inflação, que era praticamente um indicador descartado nas economias desenvolvidas.
Uma taxa de inflação de 3% poderia causar um forte impacto nas contas das resseguradoras. Além do valor financeiro, geralmente em economias com um período de inflação mais longo, a ocorrência de sinistros é maior, afetando mais severamente as contas financeiras das companhias.
A Towers mostrou no evento um estudo interessante, segundo divulgaram as agências internacionais. Quando a inflação chegou em 3,4% em 2000, o índice de sinistralidade em 2002 chegou a 99% nas linhas de ramos elementares. Quando em 2002 a inflação teve baixa para 1,6%, a sinistralidade caiu para 73% em 2004.
Resseguro foi tema da abertura da VIII ABGR
Por Denise Bueno em 26/10/2009
Uma grande expectativa de melhora no cenário do resseguro em 2010 deu o tom da abertura do VIII Seminário Internacional de Gerência de Riscos e Seguros, evento tradicional promovido pela Associação Brasileira de Gerenciamento de RIsco (ABGR), patrocinado pelas seguradoras, corretores e resseguradoras e que teve início hoje e termina na quarta-feira, em São Paulo.
Um fato que todos lamentam é o país ter esperado tantos anos pela abertura do mercado de resseguros e quando ela efetivamente aconteceu, em abril de 2008, o mundo é abalado por uma crise financeira sem precedentes. “Afortunadamente, no Brasil a crise chegou mais tarde e mais leve. Assim, o País sai da crise antes do que outros países”, diz Andres Holownia, presidente da ABGR e gerente de riscos da Scania.
Todos concordam que o Brasil é o país do momento e que a abertura de resseguros dá mais brilho e sustentabilidade ao mercado. No entanto, os executivos são unânimes em afirmar que é preciso melhorar algumas regras e procedimentos. “Esta abertura, ainda que imperfeita, com um complexo sistema de diferentes tipos de resseguradores, restrições e exigências, precisa ser aprimorada para atrair a farta capacidade de capital que o Brasil precisa diante de um potencial tão relevante de crescimento para os próximos anos”, acrescenta Holownia.
Segundo o Banco Mundial, o Brasil pode se tornar a quinta maior potência do mundo até 2016. Hoje, o país ocupa a décima colocação no ranking das maiores economias do mundo. Segundo o presidente Lula, em seu discurso no “Café da manhã com o presidente” hoje, o Brasil terá de se esforçar muito para que esta previsão se torne realidade.
O mercado de seguros também terá de continuar se esforçando para que os efeitos positivos da abertura do resseguro sejam efetivados. Felipe Smith, diretor de grandes riscos da Tokio Marine, disse se sentir frustrado com a abertura. “A nossa expectativa era ter mais produtos, mais capacidade e preços mais acessíveis logo no primeiro ano de abertura para ofertar aos nossos corretores e segurados. Mas não é bem este cenário que estamos vivenciando com quase um ano e meio de mercado livre e quase 70 resseguradores instalados no País”.
Segundo o executivo da Tokio, grupo japonês que tem três braços de resseguros no Brasil, sendo duas resseguradoras e o Klin, um dos maiores sindicatos do Lloyd’s of London, o que se vê hoje no Brasil são produtos que já estavam disponíveis no mercado brasileiro e eram pouco comercializados. “Como o POSI, um seguro para proteger os diretores de empresas envolvidos em emissões de ações”, comentou durante a abertura do evento da ABGR.
Os palestrantes citaram outros problemas, além da falta de produtos. “Temos uma série de ações que precisam ser tomadas para atrair um número maior de resseguradores para o Brasil”, diz Francisco Pinho, executivo da Aon Benfield Re. Seu concorrente, Eduardo Hussen, executivo do grupo Marsh McLennan, que tem corretoras na área de seguros e de resseguros, concorda. “Nosso grande desafio é como atrair resseguradores internacionais. Apesar do grande número já instalado no Brasil, ele significa menos de 50% dos resseguradores mundiais”, enfatiza.
Segundo avaliação de números divulgados pela Superintendência de
Seguros Privados (Susep), dos 67 resseguradores listados no site da autarquia, os cinco locais têm 85% do prêmio de R$ 2,4 bilhões dos prêmios de resseguro até agosto. Mesmo com tantas resseguradoras, Pinho acredita que o Brasil enfrentará dificuldades para fazer a colocação de riscos facultativos em razão de a legislação limitar a atuação dos resseguradores eventuais, geralmente empresas especializadas em nichos de negócios complexos e de riscos vultosos.
“A legislação para eventuais já foi flexibilizada, mas é preciso um pouco mais de estímulo para que estes resseguradores eventuais se interessem mais pelo Brasil”, diz Pinho. A Petrobras é um dos clientes que precisa encontrar mais capacidade para a colocação de seu milionário contrato de resseguros. Segundo um executivo da Petrobras, o contrato foi prorrogado em razão da necessidade de buscar uma capacidade acima da que estava disponível no mercado brasileiro para riscos facultativos.
A redefinição da estratégia das seguradoras brasileiras dentro deste momento de crise e de consolidação do mercado brasileiro de seguros também é um dos fatores que frustrou os compradores de seguro. “Alguns clientes se queixam da falta de oferta, mas acreditamos que este novo cenário do setor estará definido em 2010”, diz Pinho, da Aon.
No entanto, uma simples volta na feira que acontece paralelamente ao evento, se nota a falta de interesse de seguradoras locais. Apenas a Allianz, Itaú, Tokio Marine e J.Malucelli tinham estandes no evento, em um local pequeno e dividido com corretores como Marsh e Aon, além dos prestadores de serviços da indústria de seguros. Na última edição, Bradesco, SulAmérica e Mapfre disputavam a tapa cada milímetro da feira de exposição.
Para Jacques Bergmann, executivo que deixou o grupo Itaú no início deste ano para montar a operação da seguradora canadense Fairfax no Brasil, elogiou a abertura e enfatizou que ela foi feita da melhor forma que pode e que como acontece em todos os mercados requer aperfeiçoamentos. Principalmente na parte tributária.
Segundo os palestrantes, é preciso definir melhor a tributação do mercado de resseguros, pois está havendo bitributação dos contratos de seguro. Também é importante avaliar as regras de solvência das seguradoras. “Muitas vezes o banco não está preparado para fazer a operação de câmbio para as seguradoras por falta de uma regulamentação mais clara e isso acaba gerando risco de oscilações das moedas. Esta situação pode afetar a capacidade de subscrição das seguradoras”, comenta Bergmann.
Fazer o repasse de riscos para seguradoras cativas de clientes também se tornou um problema na indústria de seguros. Antes da abertura do resseguro, esta operação, conhecida como fronting, era disputada pelas seguradoras, uma vez que o risco de crédito era nula por ser o IRB Brasil Re, detentor do monopólio nos últimos 69 anos, ser controlado pelo Tesouro Nacional.
Com a abertura, as seguradoras passaram a ter o risco de crédito da operação de resseguro e isso praticamente inviabilizou os contratos de fronting. Segundo os seguradores, é difícil calcular o preço de uma operação de fronting, principalmente em um momento onde a crise ainda pode esconder surpresas. Diante do risco, a opção tem sido não atuar neste tipo de operação.
Afinal, ninguém quer arriscar fazer parte dos grupos que foram engolidos pela crise, como AIG, Lehman Brothers e outros 101 bancos americanos. Ou memso o grupo ING, que anunciou hoje que venderá das operações de seguros no mundo para pagar o empréstimos de 10 bilhões de euros que teve de solicitar ao governo holandês. “As empresas que sobrevirão a esta crise não são as maiores e sim as que se adaptarem mais rapidamente às mudanças”, diz o executivo da Marsh.
Chubb dobra lucro no trimestre
Por Denise Bueno em 25/10/2009
A Chubb Corp. mais do que dobrou o lucro líquido no terceiro trimester deste ano, comparado com o mesmo período do ano passado. Entre julho e setembro deste ano, a seguradora obteve ganho de US$ 596 milhões, enquanto no mesmo período do ano passado o resultado foi de US$ 264 milhões.
Enquanto o lucro subiu, as vendas de seguros recuaram 7%, tanto nos EUA como nas operações internacionais, segundo nota sobre o balanço financeiro do terceiro trimestre divulgada na última sexta-feira. No terceiro trimestre, os prêmios somaram US$ 2,7 bilhões, US$ 200 milhões inferior ao resultado do mesmo período do ano anterior.
Segundo informou John D. Finnegan, presidente e CEO do grupo, enquanto as condições da economia continuarem adversas, os prêmios sofrerão impactos negativos e a companhia continuará a manter sua política de subscrição dentro dos padrões de segurança. Ele também destacou que o bom resultado do grupo foi beneficiado pela fraca safra de furacões nos Estados Unidos neste ano.



