Chartis investirá mais US$ 50 milhões no Brasil

Por Denise Bueno em 14/06/2010

chartis1A concorrência na indústria de seguros brasileira se torna dia a dia mais interessante. A notícia quente da semana vem da Chartis, novo nome da seguradora de ramos elementares da AIG. Presente no Brasil com a seguradora Chartis Seguros e com a resseguradora admitida American Home, o grupo agora vai aportar US$ 50 milhões para atuar como ressegurador local.

“Pelas normas, precisaríamos de US$ 30 milhões, mas optamos por começar com um valor maior, pois a demanda por resseguro no Brasil nos próximos anos será grande”, diz Guilhermo Leon, responsável pelas três empresas do grupo no Brasil. Ela se juntará ao seleto grupo de resseguradores locais formados pelo IRB Brasil Re, ACE, Mapfre, XL, JMalucelli e Munich Re, para as quais as seguradoras são obrigadas a ofertar 40% dos contratos de resseguros.

Além da resseguradora, a Chartis está preparando a seguradora, com operações praticamente em grandes riscos e seguros financeiros, para atuar no varejo. “Vamos explorar nichos específicos como seguro garantia estendida e carros de luxo, por exemplo”, comentou Leon. Para isso, elevou o capital da seguradora de US$ 30 milhões para US$ 70 milhões. Para atuar em massificado, falta a finalização da implementação do sistema operacional. “Em fevereiro de 2012 ele estará totalmente pronto”.

A previsão é de que a autorização da Superintendência de Seguros Privados (Susep) para ser ressegurador local saia em oito meses. Até lá, o grupo mantém parcerias com IRB Brasil Re e Munich Re, entre os principais resseguradores, para negociar os contratos conquistados pela seguradora do grupo.

Em 2009, a Chartis Seguros movimentou prêmios de US$ 110 milhões. Mesmo considerando-se que 30% deste valor veio de um contrato, das garantias do Rio Madeira, trata-se de um bom recomeço levando-se em conta que no mercado de seguros o que vale mais na hora da contratação de uma companhia é a imagem de solidez. “Nossa previsão é encerrar 2010 com US$ 150 milhões em prêmios”, afirma o executivo.

Em setembro de 2008, a AIG só não foi à falência porque foi socorrida pelo governo americano com US$ 180 bilhões. Mais de 4 mil empresas, de diversos segmentos, formavam o grupo. Após setembro de 2008, o grupo foi divido em três blocos: seguros de ramos elementares, seguros de vida e previdência e outras atividades. O pedaço de ramos elementares virou Chartis e as duas operações de vida, Alico e AIA, negociadas com MetLife e Prudential do Reino Unido.

No Brasil, a Chartis começou praticamente do zero. “Tínhamos os contratos mundiais e 10 funcionários em janeiro de 2009. Hoje já temos uma equipe com 105 pessoas e três andares num prédio em São Paulo”, disse ele, que também se prepara para inaugurar um escritório no Rio de Janeiro.

Leon está empenhado em treinar pessoas para atuarem no setor, que carece de profissionais qualificados em razão dos 69 anos de monopólio de resseguro. A Chartis organizou programas nacionais e internacionais para treinar universitários em subscrição de riscos, profissão conhecida mundialmente como underwriteres. “Temos uma grande demanda por profissionais, principalmente que falem fluentemente o inglês”, disse.

Se hoje já faltam profissionais, o problema ficará ainda maior se nada for feito agora. Isso porque nos próximos quatro anos a demanda por profissionais qualificados será grande. Principalmente porque num mercado aberto de resseguros, a qualidade das informações é que determinará o preço do contrato de resseguro.

A abertura da resseguradora local, segundo Leon, foi decidida para tornar o grupo mais competitivo. “Desta forma podemos controlar melhor o gerenciamento de risco e ofertar uma capacidade financeira mais adequada ao segurado e não apenas ser um intermediário entre o cliente e o ressegurador”, explicou.

Segundo Leon, a Chartis, com US$ 40 bilhões em faturamento em 2009 e atuação em mais de 160 países, tem apetite por todos os segmentos no que diz respeito aos contratos dos eventos esportivos. No entanto, até agora não conquistou apólices que envolvam a Copa e as Olimpíadas. “Estamos na concorrência do estádio Fonte Nova”, disse. A alemã Allianz é quem tem levado boa parte dos contratos de garantia e de risco de engenharia dos estádios. “Todos aguardam a liberação dos financiamentos para comprar o seguro e estamos na disputa”, garante o presidente da Chartis.

 

 

Braço direito de Warren Buffett visita o Brasil

Por Denise Bueno em 14/05/2010

gen-re-franklin-montrossFranklin Montross (foto), CEO da Gen Re e braço direito do megainvestidor Warren Buffett, visitará o Brasil na próxima semana, acompanhado de Daniel Castillo, membro do Conselho de diretores da Gen Re na Alemanha. Eles se encontrarão com clientes brasileiros e com membros do governo para ver de perto as potencialidades de resseguro no Brasil.

A Gen Re, união da General Re e da Cologne Re, é um dos braços de resseguro do grupo Berkishire Hathaway, controlado por Warren Buffett, com investimentos em mais de 60 importantes empresas do mundo, sendo a participação em seguros e resseguros a mais expressiva no porfolio de investimento. Neste ano, o grupo anunciou pagamento de indenizações de US$ 500 milhões com catástrofes como o terremoto no Chile e tempestades na Europa e na Austrália.

A Gen Re abriu escritório no Brasil na época do primeiro ensaio da abertura do resseguro, em meados da década de 90. Com a demora da abertura do setor e privatização do IRB, o grupo deixou o país, mas voltou em 2009, com a modernização do arcabouço regulatório da indústria de seguros brasileira. A resseguradora alemã voltou como admitida e agora vem ver de perto as oportunidades de negócios de um país que virou modo no exterior. Afinal, só o PAC 2 prevê mais de R$ 1 trilhão em investimentos. O BNDES mapeou investimentos de R$ 310 bilhões em infraetrutura no Brasil entre 2011 e 2014, para os quais busca investimentos privados.

Mesmo com as perdas, resseguro tem sido uma aposta de Buffett. Foi ele quem ajudou a Swiss Re no auge da crise financeira, injetando US$ 3 bilhões na companhia como um empréstimo, que já foi quitado. Buffett deu outro sinal de que o resseguro pode ser uma boa fonte de rentabilidade. Comprou uma participação de 3% na maior resseguradora do mundo, a Munich Re, em janeiro deste ano. Segundo agências informaram na época, o investimento chegou a US$ 1 bilhão. Em março, elevou a participação para 8%.

A Berkshire Hathaway Inc, grupo do megainvestidor Warren Buffett, divulgou lucro de US$ 8 bilhões em 2009, alta de 61% comparado ao resultado obtido em 2008. O faturamento quase bateu US$ 110 bilhões, 4% acima das vendas do ano anterior. A Gen Re está entre as dez maiores resseguradoras do mundos. Tem rating A.M. Best A++; Moody’s Financial Strength Rating Aa1 e Standard & Poor’s Claims Paying Ability Rating AA+, segundo informações do site do grupo.

 

 

Liberty faz seguro de turbinas de Jirau

Por Denise Bueno em 14/05/2010

liu2A Liberty International Underwriters (LIU), divisão de riscos especiais da Liberty Seguros, foi contratada para a emissão da apólice de seguro de transporte de parte das turbinas e subestações relacionadas que serão usados na construção da hidrelétrica de Jirau, uma das maiores obras do Plano de Aceleração do Crescimento do governo federal.

Segundo nota da empresa divulgada pela revista Apólice, a apólice, com prêmio no valor de US$ 1,1 milhão, terá vigência de 2 anos e 10 meses e prevê cobertura de US$ 335 milhões para danos ocorridos no deslocamento de 18 turbinas e subestações fabricadas na China e Coréia, respectivamente. A corretora responsável é a JLT.

A apólice contempla uma cobertura adicional de R$ 286 milhões para o caso de atraso no início das operações de Jirau decorrente de problemas no transporte dos equipamentos desde o fabricante até o local de instalação no Rio Madeira.

“Este tipo de cobertura não era aceito pelo IRB antes da abertura do mercado. Neste programa incluímos este novo clausulado que é amplamente aceito no mercado internacional e traz novas garantias para as empresas envolvidas no projeto”, diz Paul Conolly, diretor da LIU.

Conforme o roteiro de transporte das turbinas, os equipamentos serão embarcados em Xangai e descarregados em Manaus. De lá percorrerão trechos terrestres e em barcaças até a entrega final na Ilha do Padre, em Porto Velho (RO), onde acontecem, as obras. Serão 36 viagens que foram desenhadas nos mínimos detalhes. “Todo o deslocamento, que acontecerá ao longo dos 2 anos e 10 meses, será acompanhado por engenheiros marítimos da Liberty, especializados neste tipo de operação”, diz Conolly.

O executivo destaca que a Liberty assumiu 100% do risco, no seguro e resseguro. “A operação demonstra nossa capacidade e compromisso com os grandes riscos no mercado brasileiro”, diz o executivo. Segundo Conolly, a divisão de riscos especiais da Liberty está crescendo rapidamente no Brasil.

A unidade, que começou a operar no mercado local no primeiro semestre de 2009, fechou o ano passado com US$ 7,5 milhões em prêmios apenas no segmento de riscos de construção, operação e transporte. Este ano, a companhia projeta negócios da ordem de US$ 11 milhões , volume 46,5% maior que o do ano anterior. Na área de grandes riscos como um todo, que engloba também seguro garantia, D&O, e outras operações, o volume de prêmios foi da ordem de US$ 12 milhões. Para este ano, espera movimentar cerca de US$ 16 milhões para cobertura de riscos especiais no país.

Além de Jirau, a companhia participa no País de apólices de cobertura de riscos operacionais de grandes produtores da cadeia de óleo e gás, tem programas já firmados nas áreas de energia, transporte ferroviário e mineração.

 

 

Itaú Unibanco é a seguradora do Ponto Frio

Por Denise Bueno em 12/05/2010

incendioA Itaú Unibanco é a seguradora líder do grupo Globex, controlador do Ponto Frio que teve seu centro de distribuição destruído por um incêndio iniciado às 16 horas da quarta-feira. Segundo o professor da Funeseg Gustavo Mello e também sócio da corretora Correcta, do Rio, a Globex possui apólice de seguros multi-riscos, com cobertura global de R$ 470,7 milhões (estoques) e R$ 854 milhões para o prédio.

Contratos deste volume sempre contam com um amplo programa de resseguros, que é o seguro da seguradora. Desta forma, o prejuízo será diluído entre as participantes do contrato, que geralmente é pulverizado no mercado internacional por meio de contratos automáticos de resseguro.

A seguradora é especializada no atendimento em momentos de crise. Foi ela quem prestou toda a assessoria no acidente da Tam, em julho de 2007, com a morte de 199 pessoas, e também foi quem prestou atendimento no desabamento ocorrido nas obras da Linha 4 do Metrô, no canteiro da Marginal Pinheiros, em janeiro do mesmo ano.

Nos dois acidentes, a Unibanco Seguros, hoje Itaú Seguros, montou um plantão imediatamente no local, prestando todo o apoio necessário aos envolvidos no acidente. No caso da Tam, uma das primeiras providências foi contratar equipes especializadas no atendimento psicológico para ajudar os familiares das vítimas.

No desabamento do Metrô, a primeira ação foi prestar assistência aos familiares das pessoas que estavam desaparecidas e providenciar hotel, dinheiro, roupas, remédios e outras necessidades para todas as famílias que precisaram deixar as casas interditadas por motivos de segurança.

Neste caso do Ponto Frio, como não há feridos, o maior desafio é o plano de contigências para que a distribuição de produtos possa ser continuada a partir de parceiros estratégicos e assim evitar perda de lucro dos clientes do varejista.

Veja a seguir o comunicado distribuído pela assessoria de imprensa do Ponto Frio.

“O Ponto Frio informa que hoje, por volta das 16h00, teve inicio um incêndio no Centro de Distribuição da empresa localizada em Guarulhos, na Av. Papa João Paulo I, 5500. Não houve vitimas ou feridos. A equipe de segurança e prevenção foi acionada e atuou prontamente para que os colaboradores evacuassem o prédio. A empresa informa que trabalha de acordo com as normas de segurança vigentes e mantém o mais alto nível no controle de suas instalações para garantir a segurança e bem estar dos seus colaboradores. A rede já instituiu uma comissão interna para apurar o ocorrido e irá tomar todas as medidas cabíveis para minimizar o impacto desse incidente.Todas as compras já realizadas e futuras terão suas entregas garantidas pelos demais centros de distribuição do Grupo.”

 

 

Empresas buscam contratos milionários*

Por Denise Bueno em 12/05/2010

matéria produzida com exclusividade para o especial Infraestrutura, do jornal Valor Econômico, publicado dia 12 de maio de 2010*

O risco de uma crise no mercado de seguros mundial, em consequência da turbulência financeira iniciada na Grécia e que já atinge outros países europeus, começa a ser alvo de atenção das principais seguradoras e compradores de seguros no Brasil. A criação da seguradora estatal Empresa Brasileira de Seguros (EBS) pelo ministro da Fazenda Guido Mantega aconteceu exatamente um dia antes de um forte estresse vivido pelo mercado financeiro mundial. No dia 6 de maio, investidores do mundo todo se assustaram com a queda de 9% na Bolsa de Nova York, durante o dia. No final do pregão, porém, a principal bolsa do mundo amargou uma baixa de 3,2%.

As seguradoras são investidoras institucionais e recebem valores, chamados de prêmios, para garantir pagamentos futuros em caso de perdas de seus clientes. Enquanto essas perdas não ocorrem, as companhias de seguros e de resseguros aplicam os recursos no mercado financeiro. Se o mercado financeiro apresentar perdas, elas também terão prejuízos. A Munich Re, maior resseguradora do mundo, já deu sinais de preocupação. Na sexta-feira, dia 7, afirmou a investidores que talvez não consiga atingir o lucro líquido alvo de € 2 bilhões em 2010, mesmo tendo superado a expectativa do primeiro trimestre, em razão da turbulência financeira.

A incerteza dos mercados aliada a um elevado volume de indenizações pagas com o terremoto no Chile, tempestades na Europa e afundamento da plataforma Deepwater Horizon, alugada pela Brithsh Petroleum da Transoceanda, no Golfo do México, com danos recordes ao meio ambiente, faz com que o cenário realmente seja preocupante para um governo que precisa garantir mais de R$ 1 trilhão em investimentos em infraestrutura do país, como prevê o Programa de Aceleração do Crescimento 2 (PAC-2).

Ao criar a EBS, o governo brasileiro quis evitar o risco de passar novamente por um grande aperto como o vivenciado em setembro de 2008, ápice da crise financeira mundial com a falência do banco de investimento Lehman Brothers e a quase derrocada da AIG, até então a maior seguradora do mundo. O susto veio quando todas as garantias para a concretização do “project finance”, com crédito de R$ 6,2 bilhões, da Usina Santo Antonio, com prazo de 25 anos, estavam negociadas e com a crise vários seguradores e resseguradores foram obrigados e sair do contrato ou reduzir a participação em razão da crise. Principalmente a AIG, socorrida pelo Tesouro americano com US$ 180 bilhões, e que tinha uma fatia significativa no acordo da terceira maior hidrelétrica do mundo no Rio Madeira.

De acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a EBS não concorrerá com o mercado, porque a concessão de seguro garantia ocorrerá sempre em consórcio com o setor privado. A seguradora estatal será a responsável por administrar os fundos garantidores do governo e também a concessão de seguros não cobertos pelo mercado. Sendo uma seguradora, os recursos dos fundos serão ampliados, uma vez para cada real de risco assumido pela seguradora pode garantir vários mil reais em volume de empréstimos.

A EBS será usada pelo governo caso haja necessidade. Se a atual turbulência financeira for superada, a indústria de seguros tem farta oferta de capital para o Brasil. Estão presentes no país praticamente todas as maiores seguradoras e resseguradoras do mundo. Todas elas disputam os contratos milionários dos investimentos em infraestrutura que suportarão o crescimento da economia do Brasil e também que visam preparar o país para ser o anfitrião da Copa em 2014 e dos Jogos Olímpicos em 2016.

São várias frentes de negócios. Desde o seguro que garante que o consórcio vencedor do leilão irá honrar o preço ofertado até o atraso no início de funcionamento de uma hidrelétrica, por exemplo. A Liberty International Underwriters (LIU), divisão de riscos especiais da Liberty Seguros, foi a vencedora da licitação para a emissão da apólice de seguro de transporte de parte das turbinas e subestações relacionadas, que serão usados na construção da hidrelétrica de Jirau, uma das maiores obras do PAC.

A apólice, com prêmio no valor de US$ 1,1 milhão, terá vigência de dois anos e dez meses e prevê cobertura de US$ 335 milhões para danos ocorridos no deslocamento de 18 turbinas e subestações fabricadas na China e Coréia, respectivamente. A apólice contempla uma cobertura adicional de R$ 286 milhões para o caso de atraso no início das operações de Jirau decorrente de problemas no transporte dos equipamentos desde o fabricante até o local de instalação no Rio Madeira.

“Este tipo de cobertura não era aceito pelo Instituto Brasileiro de Resseguros (IRB) antes da abertura do mercado. Neste programa, incluímos esta nova cláusula que é amplamente aceita no mercado internacional e traz novas garantias para as empresas envolvidas no projeto”, diz Paul Conolly, diretor da LIU, que projeta crescimento de 46,5% em grandes riscos em 2010.

Segundo o suíço Emanuel Bats, responsável pela carteira de seguro de riscos de engenharia da Zurich, o grupo atende 134 das 225 construtoras globais, entre elas as principais brasileiras. Luciano Calheiros, diretor da área de seguro patrimonial da Zurich, afirma que há capacidade suficiente no Brasil para investimento de qualquer porte. “Temos US$ 140 milhões em capacidade para contratos de risco de engenharia, o suficiente para garantir a perda máxima de um projeto com investimentos de R$ 1 bilhão”, diz. Em seguro garantia, a capacidade é de US$ 500 milhões e em transporte de grandes equipamentos a Zurich tem US$ 90 milhões por embarque.

A agressividade espanhola tem rendido contratos para a Mapfre, entre eles o da Transnordestina, ferrovia com mais de 1,8 mil quilômetros no Nordeste do país. Nos contratos de seguros envolvendo Copa e Olimpíada, a expectativa da Mapfre é de que o setor terá uma receita extra de R$ 1 bilhão em contratos diversos. “Nos preparamos para ter no mínimo uma fatia de 10%”, diz Octavio Bromatti, diretor de grandes riscos da subsidiária da Mapfre, maior grupo segurador da Espanha e da América Latina em riscos patrimoniais.

Felipe Smith, diretor-técnico da Tokio Marine, está de olho no mercado de petróleo e gás. A expectativa é de que os investimentos atinjam R$ 295 bilhões entre 2010 e 2013, de acordo com projeções do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Só para embarcações são R$ 18,2 bilhões do BNDES”, afirma. A canadense Fairfax começou operar no Brasil no inicio deste ano e conta com quase 40 profissionais para desenvolver negócios corporativos.

Entre as resseguradoras, a subsidiária local da alemã Munich Re fechou o contrato de resseguro para as seguradoras ACE, RSA e Allianz, que juntas dão coberturas para proteger a Impsa dos riscos de construção de 10 instalações eólicas em Santa Catarina, com ativos segurados que superam US$ 1 bilhão, segundo Christian Garbrecht, executivo responsável por desenvolvimento de negócios da Munich Re.

Entre os corretores de seguros e de resseguros a briga promete ser intensa. “Temos mais de 900 projetos de infraestrutura com investimentos de US$ 3 bilhões até 2030″, diz Marcelo Elias, diretor de infraestrutura da Marsh Brasil e América Latina. A Aon investe na captação dos negócios entre os clientes mundiais e no Brasil aposta no treinamento. “Fizemos mais de 15 mil horas de treinamento e mandamos mais de 20 técnicos para serem treinados no exterior”, acrescenta Fernando Pereira, da concorrente Aon.

 

 

Swiss Re leva opções de resseguro para governo*

Por Denise Bueno em 12/05/2010

*matéria produzida com exclusividade para o especial Infraestrutura, do jornal Valor Econômico, publicado dia 12 de maio de 2010

Swiss Re, segunda maior resseguradora do mundo, vai apresentar ao secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Machado, as opções financeiras que o mercado de seguros tem a oferecer para ajudar o Brasil a reduzir os custos dos financiamentos em infraestrutura.

“Queremos entender o que o governo precisa, porque temos muitos produtos que se encaixam nas necessidades citadas pelos participantes dos debates, inclusive pela pré-candidata à presidência da República Dilma Rousseff”, disse Filipe Bonetti, diretor da Swiss Re. Nelson Machado aceitou a oferta, que veio em boa hora diante da necessidade do governo em atrair a iniciativa privada para os investimentos em projetos de infraestrutura, que hoje contam com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Segundo Barbosa, os investimentos privados nos projetos de infraestrutura representam um desafio. “Desafio tangível tendo as políticas adequadas, com aumento da poupança interna e mecanismos para baixar o custo da estrutura do financiamento como os que foram divulgados na semana passada pelo governo”, afirma.

Ele se referia a criação da Empresa Brasileira de Seguros (EBS). “A seguradora vai administrar os vários fundos garantidores, criados para apoiar o desenvolvimento e também poderá fazer resseguro para contribuir com a iniciativa privada em projetos que excedam a capacidade da indústria”. Mas, só isso não basta, principalmente diante do risco da crise na Europa aumentar. “Caso isso se confirme, veremos falta de capacidade para projetos, como na época do ápice da crise em setembro de 2008″, afirmou Jacques Bergman, presidente da subsidiária local da seguradora canadense FairFax.

Bonetti explicou que a Swiss Re desenhou para o governo da China um instrumento financeiro para viabilizar a transferência de riscos agrícolas ao setor privado. No México, este mesmo produto, conhecido como “insurance linked securities”, foi desenhado para transferir ao mercado de capitais os riscos do governo com terremoto. “No Brasil, podemos ter como fator de transferência os riscos de infraestrutura para o mercado de capitais”, diz Bonetti.

Segundo ele, além de mitigar o risco dos projetos, por ser um instrumento usado no exterior e conhecido dos investidores estrangeiros, o produto ainda baixa o custo do financiamento, um dos pontos que precisa ser melhorado para atrair os bilhões de dólares da poupança dos asiáticos e países árabes, que buscam retornos mais elevados do que os títulos soberanos de países como Estados Unidos, muito baixos atualmente.

“Tenho certeza que se todos sentarem para achar soluções, o mercado de seguros pode se tornar um importante aliado na estruturação de financiamentos com um custo melhor”, disse Otavio Azevedo, diretor-presidente da Andrade Gutierrez. Hoje, segundo ele, a indústria de seguros precisa se organizar de forma mais eficiente para ter capacidade de ofertar garantias que os clientes precisam neste cenário de crescimento.

 

 

Custos do vazamento de petróleo preocupam setor

Por Denise Bueno em 04/05/2010

vazamentoOs custos do vazamento de petróleo no México, que já causam danos significativos na costa dos Estados Unidos, preocupam as seguradoras de todo o mundo. Um relatório da Guy Carpenter, do grupo Marsh, diz que a limpeza deverá custar US$ 1,5 bilhão, sem considerar as indenizações por danos ambientais. Só a indenização da plataforma de petróleo está estimada em US$ 1 bilhão, o dobro do que o setor pagou para a Petrobras em 2001, quando a P-36 afundou.

Várias companhias já divulgaram perdas estimadas com este acidente. A Partner Re estima perdas de US$ 1 bilhão; a Montpelier Re, US$ 20 milhões; a Hannover Re, US$ 53 milhões; a Munich Re, US$ 100 milhões; e a Transatlantic US$ 15 milhões.

A AMBest diz em nota que está monitorando a situação das empresas envolvidas, mas até agora não rebaixou o rating nem da BP, operador do poço, que tem dez blocos de explorações no Brasil, o que torna a solvência dela uma informação vital para o país. Segundo a agência, a cativa da BP, chamada Júpiter, tem um limite máximo por evento de US$ 700 milhões e capital suficiente para honrar este prejuízo.

Levando-se em conta que até mesmo a Petrobras já está anunciando possíveis perdas se tiver de suspender o início da exploração de seu maior projeto em solo americano, Cascade-Chinook entre junho e julho, em razão do acidente, os custos de indenizações deverão ser grandes. O prejuízo previsto pela indústria pesqueira na Lousiana foi estimado em US$ 2,6 bilhões e o do turismo na Flórida em US$ 3 bilhões.

 

 

Munich Re fecha resseguro para 10 eólicas

Por Denise Bueno em 19/04/2010

12410928399wfi9j1A Munich Re, maior resseguradora do mundo, fechou por meio da resseguradora local instalada no Brasil o contrato de resseguro para as seguradoras ACE, RSA e Allianz, que juntas dão coberturas para proteger a Impsa — empresa global dedicada a produzir soluções integrais para a geração de energia elétrica a partir de recursos renováveis — dos riscos de construção de 10 instalações eólicas em Santa Catarina.

“As negociações de resseguro foram intermediadas pela Bowring Marsh, que há tempos tem a conta Impsa em sua carteira de negócios”, informa Christian Garbrecht, executivo responsável por desenvolvimento de negócios da Munich Re. Este é o segundo grande contrato fechado nas últimas semanas. A Munich Re também foi a resseguradora do programa de seguros da apólice dos riscos de construção da Transnordestina, empreendimento de R$ 5,4 bilhões. O programa da principal malha rodoviária do Nordeste, que envolve quase 1.800 km, foi desenhado em conjunto com a corretora JLT Re e com as seguradoras Mapfre e Liberty International Underwriters (LIU).

As 10 instalações da Impsa serão agrupadas nos parques eólicos Bom Jardim e Água Doce, com ativos segurados que superam R$ 1 bilhão. Os dois parques terão potência instalada de 91,9 megawatts (MW) e 125,8MW, respectivamente. A cobertura compreende o reparo de danos físicos causados a esses ativos por acidentes durante a construção dos parques, incluindo eventuais perdas financeiras pelo atraso em conseqüência de tais acidentes. “A Munich Re do Brasil ressegura mais de 70% do risco”, informa o executivo da Munich Re.

Através de sua operação local, um dos objetivos estratégicos da Munich é ter uma posição de liderança no segmento de riscos de engenharia, em particular no novo cenário do mercado aberto de resseguro. Com as mesmas práticas das suas operações internacionais, a empresa traz ao Brasil sua força financeira, expertise, e acesso à sua rede global. “Temos grande interesse em apoiar o mercado segurador e corretores nas demandas resultantes dos investimentos futuros em infraestrutura”, diz o diretor da Munich Re.

A expertise em projetos de geração de energia, açúcar e álcool, energias renováveis, logística, transportes e urbanização estão à disposição de todos os brasileiros por meio da operação local. “Nossa abordagem é apoiar o mercado de forma eficaz e equilibrada para que todas as partes envolvidas possam crescer e se desenvolver de forma sustentável.”

Há um grande interesse dos grupos seguradores de todo o mundo em projetos de energia no Brasil. Segundo o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), segunda edição, divulgada no final de março deste ano pelo governo brasileiro, os investimentos previstos ultrapassam R$ 1 trilhão até 2016, sendo R$ 465 bilhões até 2014. Só na geração de energia estão previstos R$ 136 bilhões dentro do PAC-2. A maior parte dos recursos, R$ 880 bilhões, vão para a área de petróleo e gás natural.

A capacidade de geração de energia eólica no mundo em 2009 era de 157,9 gigawatt (GW). Os Estados Unidos são os maiores no uso desta fonte de energia, com capacidade de 35 GW, seguido pela China, com 25 GW, Índia, com 11 GW, Europa, com 76 GW, segundo divulgou o Conselho Global de Energia Eólica (GWEC, na sigla em inglês).

A América Latina ainda engatinha, com apenas 1,2 GW, porém tem um grande potencial de crescimento, o que faz a Munich Re apostar fortemente neste segmento ao trazer aos países da região os melhores profissionais neste segmento. A capacidade instalada da América Latina apresentou alta de 95%, influenciada pelo bom desempenho do México, com aumento de 137% na capacidade instalada, Chile (740%) e Costa Rica (67%).

O Brasil responde por cerca da metade da capacidade instalada na América Latina, mas representa 0,38% do total mundial. A capacidade de geração de energia eólica no Brasil aumentou 77 7% em 2009, em relação ao ano anterior, com capacidade instalada de 606 megawatts (MW) no encerramento do ano.

Este número deu ao país um grande estatus no ranking mundial, ao ter evoluído bem acima da média de 31% apurada no estudo. Foi superado apenas pela China, com evolução de 107%, segundo o estudo do GWEC. Os Estados Unidos registrou alta de 39% na capacidade instalada de energia eólica; a Índia de 13% e a Europa de 16%.

 

 

Setor terá perdas diversas com caos aéreo

Por Denise Bueno em 19/04/2010

gustavo-melloAs estimativas para os prejuízos com o caos aéreos ainda são desencontradas, segundo o professor da Funenseg Gustavo Cunha Mello e também corretor da Correcta. Segundo informa em seu blog, Mello cita a previsão de perdas da International Air Transport Association (IATA), de US$ 200 milhões por dia de paralização.

Munich Re e a Allianz afirmaram que a indústria não terá muitos prejuízos, pois as companhias aéreas não contratam seguros de lucros cessantes ou, no termo em inglês, business interruption. Já o Sindicato de corretores de Londre, que congrega 1,7 mil profissionais, informou que as seguradoras, em especial a Tokio Marine Re, têm muitos seguros viagem celebrados com pessoas físicas que garantem esse tipo de evento e, portanto, os prejuízos serão incalculáveis.

Mello lembra da recente greve de pilotos da British Airways. “Para cada dia de greve teve perdas de 13 milhões de libras esterlinas”, diz. Segundo ele, um especialista em seguro aeronáutico, enquanto o Vulcão não parar, e dependendo do que ocorrer com as cinzas — se vão se dissipar na atmosfera ou se depositar sobre plantações e ativos em solo — ainda teremos muita especulação sobre o tamanho dos prejuízos a serem absorvidos.

O risco de voar com este tipo de nuvem foi revelado com um caso concreto. No dia 15 de abril, um caça da Força Aérea da Finlândia sobrevoou a nuvem de cinzas, a uma altitude acima de 50 mil pés, teve suas turbinas danificadas e apagadas em vôo. O piloto, que contou sua experiência no jornal da Globo, conseguiu ligar os motores graças a perícia, altitude levada e ter saído muito rapidamente da nuvem. Em solo analisaram e perceberam os danos pela selagem das partes internas do motor.

Além das perdas da indústria aérea, há riscos com o aumento de doenças respiratórias e perdas na agricultura, uma vez que a fumaça que está no céu uma hora irá descer para a terra e ficará acumulada em algum lugar. De lá, precisará ser retirada e os danos indenizados para quem tiver seguro.

 

 

Saída de Eduardo Nakao do IRB surpreende setor

Por Denise Bueno em 17/04/2010

nakaoA notícia da saída de Eduardo Nakao da presidência do IRB Brasil Re, maior ressegurador do Brasil com quase 80% dos negócios, surpreendeu os executivos do mercado de seguros nesta sexta-feira.As apostas eram de que Leonardo Paixão, presidente do conselho de administração do IRB, irá acumular a presidência executiva até que seja definida a participação do Banco do Brasil no IRB, o que está previsto para acontecer ainda neste mês.

Durante a posse do novo presidente da CNSeg, Jorge Hilário, realizada no Rio no dia anterior, as conversas entre executivos do setor e membros do governo davam conta de que haveria mudanças. “Mas ninguém esperava que fosse acontecer algo antes de a compra da participação do Tesouro pelo Banco do Brasil ser definida”, informou um executivo que pediu anonimato.

A idéia do governo ao mexer no comando do ressegurador controlado pelo Tesouro e que tem Bradesco e Itaú como principais acionistas privados é tornar o IRB mais competitivo. Após 69 anos de monopólio, o IRB há dois anos enfrenta a concorrência de mais de 75 resseguradoras instaladas no Brasil, que abriram escritórios no eixo Rio São Paulo bem antes da abertura do mercado de resseguros ocorrida em 2008.

A concorrência tem ficado cada dia mais acirrada.A medida que o temor com o risco de crédito agravado com a crise financeira recua diante da melhora das economias mundiais, mais seguras as companhias brasileiras ficam de negociar com estrangeiros. Com isso, seguradoras que tinham no IRB um porto seguro, mesmo com as limitações de produtos, custo administrativo mais elevado e morosidade nos processos de avaliação de risco, começaram a fechar negócios com as resseguradoras estrangeiras.

Praticamente todas as seguradoras já negociaram contratos exclusivos com as resseguradoras estrangeiras que apresentam propostas irrecusáveis para as seguradoras brasileiras. O apetite estrangeiro é grande. As companhias priorizam contratos em locais menos expostos a catástrofes naturais, uma vez que as perdfas do primeiro trimestre do ano já se mostram significativas com o terremoto do Chile e as tempestades na Europa. Aliado a isso, há previsão de um número maior de furacões nos EUA neste ano, acima do registrado nos dois últimos.

Os resseguradores correm para conquistar clientes com grande potencial de crescer juntamente com a economia brasileira. Além do natural avanço orgânico, as companhias contam com contratos de resseguro provenientes das obras de infraestrutura para preparar o Brasil para a Copa e Olimpiadas.

A mais recente a anunciar parceria foi a Bradesco com a Munich Re. O Itaú Unibanco também já negociou vários contratos após ter encerrado a parceria que tinha com o grupo XL Re. As seguradoras estrangeiras, como Mapfre, Allianz, Liberty, ACE, Tokio Marine entre outras trouxeram para o Brasil a resseguradora do grupo.

Com isso, espera-se que a participação do IRB diminua paulatinamente. Para evitar perder mercado, o ressegurador brasileiro busca agilizar o atendimento, reduzir seus custos e até mesmo se prepara para a internacionalização, como comentou em recente entrevista Eduardo Nakao, funcionário de carreira do Banco Central, que ocupa a presidência do IRB desde abril de 2006.

Na última semana, Nakao participou de audiência da comissão especial que discute o projeto 3554, do deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), que cria uma lei específica para os contratos de seguros privados. O executivo fez críticas ao projeto, alegando que ele é prejudicial as resseguradoras e que se for aprovado pode engessar o mercado de grandes riscos por inviabilizar os contratos juridicamente e comercialmente.

 

 

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