Corretoras investem em aquisições

Por Denise Bueno em 03/03/2009

A consolidação no segmento de corretores de seguros está intensa, tanto no Brasil como no exterior. A novidade desta semana é a compra da John B. Collins Associates Inc, oitava maior corretora do mundo, pela Guy Carpenter, segunda maior corretora de resseguros do mundo controlada pelo grupo Marsh & McLennan. Em dezembro do ano passado, a Aon Re, maior corretora de resseguros do mundo, finalizou a compra da Benfield Group Ltd, terceira maior, por US$ 1,75 bilhão.

No Brasil, o ano de 2009 foi aberto com duas aquisições da Lazam MDS. Em apenas uma semana, a corretora de seguros controlada pelos grupos Suzano e Sonae adquiriu a ADD Makler e a carioca Miral. Aquisições e parcerias são prioritárias dentro da estratégia das três maiores corretoras estrangeiras no Pais – Aon, Marsh e Willis -, assim como investimentos em serviços e produtos como forma de encantar o cliente e obter crescimento orgânico.

O movimento de consolidação das corretoras de seguros e resseguros justifica-se pela necessidade de eficiência e redução de custos que já vinha sendo prioritário mesmo antes da crise financeira. As corretoras foram fortemente abaladas pela queda do valores segurados – um ponto de referencia para o calculo da comissão – , pela economia de gastos perseguida pelos segurados e seguradoras, bem como pela acirrada competição que se instalou na indústria de seguros mundial nos últimos três anos.

A consultoria tem se tornado uma palavra chave entre os profissionais de vendas, bem como o gerenciamento de risco, vital para que as empresas consigam bons preços e coberturas abrangentes em seus programas de seguro e de resseguro.

Em fevereiro, as três maiores corretoras divulgaram os resultados de 2008. A Aon Corporation obteve receita total U$ 7,6 bilhões em 2008, crescimento de 4% em comparação ao ano anterior. O aumento das vendas nas Américas foi impulsionado pelo varejo nos Estados Unidos e pelos países da América Latina. O lucro líquido da Aon com seguros e beneficios cresceu 71% em 2008, para U$ 1,5 bilhão.

A Marsh & McLennan Cos. Inc. divulgou faturamento total de US$ 11,6 bilhões em 2008, incremento de 4% comparado ao resultado de 2007. No entanto, apresentou prejuízo de US$ 73 milhões, comparado a um lucro de US$ 2,5 bilhões no ano anterior. Segundo comunicado do grupo, um dos maiores corretores e consultores de seguros do mundo, a maior parte da perda, US$ 1,9 bilhão, se refere ao fim da operação da Putnam Investments. A área de corretagem e gerenciamento de riscos de seguros totalizou receita de US$ 4,5 bilhões, alta de 4% comparado a 2007. Este valor inclui a corretora de resseguros Guy Carpenters, com US$ 803 milhões, recuo de 6%. Em consultoria, consolidando a receita da Mercer e da Oliver Wyman, o grupo MMC faturou US$ 5,1 bilhões em 2008, alta de 6% em comparação ao ano anterior. A Kroll obteve faturamento de US$ 866 milhões.

A Willis, terceira maior corretora de seguros do mundo, registrou queda de 26% no lucro líquido, para US$ 303 milhões, principalmente por custos com a aquisição da Hilb Rogal & Hobbs Co. e volatilidade das moedas nos diversos países onde atua. O faturamento com comissões e fees cresceu 12%, para US$ 2,8 bilhões, sendo que o crescimento orgânico cresceu 9%, mas foi impactado pelo declínio nas taxas de prêmios, totalizando um crescimento real de 4%. Segundo comunicado divulgado pela corretora Willis, o declínio nos prêmios foi causado por vários fatores, entre eles mudanças nos limites de exposição.

 

 

Crescimento menor, mas sem recessão

Por Denise Bueno em 26/11/2008

A grande maioria das seguradoras passou o mês de outubro refazendo orçamentos de 2009. Uma pena ter de revisar para baixo as projeções de crescimento de vendas, de lucratividade, de contratação de funcionários e de investimentos. Porém, é uma situação melhor do que países da Europa e dos Estados Unidos têm enfrentado. Enquanto lá eles vislumbram recessão, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deverá sair dos 5% previstos para 2008 para 3,5% no próximo. O governo fala em 4%, mas analistas projetam algo entre 2,6% e 3,5%.

“É uma situação privilegiada. O País cresceu 3,5% em 2006, melhor ano da indústria de seguros”, defendeu Antonio Cássio dos Santos, presidente da Mapfre. Santos ilustrou a diferença entre o Brasil e os países do hemisfério norte. “Nós vivemos a falta de liquidez do Plano Collor. Soubemos nos virar nas mais de treze crises que tenho lembrança. Eles não. A última crise que esses países viveram foi a Segunda Guerra Mundial”, acrescentou. Além disso, o Brasil tem hoje uma economia mais forte do que quando estouraram as outras crises.

Faz sentido. O governo dos Estados Unidos gastou US$ 4 trilhões até meados de outubro deste ano com medidas para mitigar os efeitos da crise financeira iniciada com as hipotecas de alto risco (subprime) em junho de 2007. Apesar da ajuda, várias instituições faliram. Se não fosse uma injeção de US$ 85 bilhões do Federal Reserve (FED), o banco central dos EUA, a maior seguradora do mundo, a AIG, teria ido a bancarrota. E mesmo assim os mais otimistas prevêem recessão para o país no próximo ano. E a gigante, com US$ 1 trilhão de ativos, sucumbiu por uma divisão de crédito hipotecário que movimentava prêmios próximos a US$ 2 bilhões. Nada comparado ao faturamento de US$ 110 bilhões em 2007.

No Brasil, as medidas são pontuais e ainda não se tem notícia de qualquer falência de instituições financeiras. O Banco Central do Brasil (BC) tomou medidas pontuais para mitigar o risco de contágio de crise internacional. Boa parte das medidas visou trazer liquidez. Entre elas o afrouxamento das exigências de depósitos compulsórios a partir de 24 de setembro. Além da liquidez, o BC permitiu que bancos pudessem adquirir carteiras de crédito de bancos de pequeno e médio portes que se viram em dificuldades com a escassez de recursos no mercado internacional. E depois autorizou bancos oficiais, como Caixa e Banco do Brasil a comprar bancos. Também gastou US$ 23 bilhões em leílões cambiais para segurar a valorização do dólar frente ao real até o dia 20 de outubro.

Uma situação interessante no Brasil é a postura das empresas que amargaram perdas. Algumas já mostram interesse em processar bancos por entender que foram mal assessoradas pelos executivos financeiros, como a Sadia, por exemplo, que registrou perdas superiores a R$ 760 milhões com operações financeiras com câmbio. Temos também investidores mais pobres com a queda das bolsas. E por enquanto só. O nível de desemprego se mantém, o presidente Lula garante que os investimentos, principalmente do Programa de Aceleração dos Investimentos (PAC) vão continuar e o crédito logo deverá se estabilizar com as medidas adotadas pelo BC.

Nada perto do que passa os EUA. O preço dos imóveis não pára de cair. A insegurança faz com que consumidores, empresas e bancos sejam extremamente cautelosos, o que tira a liquidez do mercado e ajuda a afundar a economia. Todos aguardam para comprar um carro novo, para planejar uma viagem de férias, para pedir um empréstimo, ou para aprovar uma nova contratação. O índice de confiança do consumidor americano caiu para 57,5 pontos em setembro. Trata-se da maior queda de confiança já vista desde que o índice começou a ser apurado, em 1978.

Imagina quem irá pensar em comprar seguro. Com certeza aqueles mais propensos a receber uma indenização. E qual será a estratégia adotada para vender seguro nesta realidade? A redução das vendas da indústria de seguros será inevitável. Junto com a queda do faturamento, as companhias registram perdas com os ativos financeiros e o índice de sinistralidade começa a se elevar com os pedidos de indenizações das catástrofes naturais e também da crise, principalmente as carteiras de crédito, de responsabilidade civil de executivos e de erros e omissões de executivos. Um cenário propício para aumento de preço de resseguro.

Sem contar na preocupação com os planos de aposentadoria. Uma pesquisa da AARP, uma organização que defende os interesses de pessoas com mais de 50 anos nos EUA, informou que um em cada cinco trabalhadores nesse faixa já deixou de contribuir com seu plano de aposentadoria privada, devido à dificuldade de pagar gastos básicos, como alimentação e moradia. A perda financeira trazida com a crise poderá reduzir a expectativa do patrimônio estimado e com isso os trabalhadores poderão ser forçados a se aposentar mais tarde ou receber benefício menor do que o esperado. Além disso, com a insegurança generalizada de quebras de empresas ou de perdas ainda maiores, muitos investidores estão sacando de suas contas antecipadamente.

Por acreditarem que este cenário internacional trará reflexos no Brasil pela redução do consumo e do crédito, executivos estão revendo o orçamento de 2009. Eles não esperam nada de tão grave, desde que o noticiário internacional sobre falências continue sem trazer resseguradoras ou seguradoras de porte em suas manchetes. E ninguém está imune. Segundo avaliou o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, a atual crise financeira global demonstra a falência dos sistemas regulatórios das economias avançadas, incapazes de fixar regras para o gerenciamento de risco das maiores instituições financeiras privadas e de estabelecer mecanismos para disciplinar o mercado. Diante disto, é importante redobrar a atenção na escolha dos parceiros e usar o primeiro semestre do ano para adequar estruturas e deixar a empresa pronta para a retomada do crescimento da economia a partir do segundo semestre.

Artigo publicado na Revista Apólice – dezembro/2008

 

 

A eficiência dos corretores

Por Denise Bueno em 26/10/2008

Fiquei imaginando o trabalho dos corretores de seguros com os problemas enfrentados pelo American International Group (AIG) nos últimos meses. São milhões de clientes inseguros espalhados por 130 países, desde aqueles que depositaram suas economias para resgatá-las na aposentadoria até mesmo mega-projetos, como a hidrelétrica do Rio Madeira, apólice que conta com uma das maiores garantias do mundo.

Imagina explicar para segurados que a maior seguradora do mundo em valor de mercado, com ativos superiores a US$ 1 trilhão, com rating máxima “AAA” das agências de classificação esteve a beira de quebrar. Não foi à falência porque recebeu US$ 85 bilhões no dia 16 de setembro do banco central dos Estados Unidos, o Fed. Já o Lehman Brothers, quarto maior banco de investimentos dos EUA, não teve a mesma sorte. Pediu concordata dois dias antes.

Se ela, cheia de status financeiro, esteve à beira de um colapso, imagine as outras, pensaria qualquer pessoa com o mínimo de bom senso. E o que dizer aos segurados em geral se nem mesmo os mais renomados economistas conseguem prever quem estaria a salvo? Pior, todos os analistas são unânimes em afirmar que mais notícias de falência de grandes instituições estão por vir.

Alguns clientes da Unibanco AIG me procuraram para saber o que eu achava da situação. A primeira pergunta a eles foi: e o seu corretor? Não tinham. Eles haviam recebido um email da seguradora, assegurando que os problemas enfrentados pela AIG não afetariam a operação local. Mas isso não os tranqüilizou. “Preciso ter certeza. De alguém que me diga se devo mudar ou não de seguradora. Quem enviou o email certamente tem interesse em segurar os clientes para minimizar a crise”.

Eis a mostra da importância do corretor. O consumidor quer alguém que o tranqüilize. Alguém sem vínculos com a instituição. A crise financeira que assola o mundo todo terá poucos reflexos aqui no Brasil. O corretor brasileiro talvez seja poupado deste problema de insolvência das companhias. Até mesmo porque o prazo para elas se adaptarem às regras de solvência foi flexibilizado, dando tempo dos controladores buscarem capital ou um sócio.

Mas os corretores brasileiros têm outros desafios: tornar o seguro um investimento para o segurado. Até mesmo o seguro de automóvel, que aparentemente parece ter serviços iguais e preços diferentes, precisa ser explicado. Os consumidores têm adorado poder chamar um profissional para socorrê-los com uma invasão de vírus ou uma pane no computador.

Porém, quantas vezes eles podem acionar este profissional durante a vigência da apólice? E o motorista amigo para levá-los para casa em caso de mal estar pode ser solicitado sempre que necessário? Imagine o que o segurado irá pensar do seguro na quarta vez que ligar para solicitar o serviço e ouvir da atendente “o senhor já usou o seu limite neste serviço”. Com certeza o arquivo do cérebro do consumidor desavisado não acessará palavras como ética, transparência e bom investimento.

Quando o assunto passa a ser o seguro de vida, a ajuda do corretor é ainda mais prioritária. O consumidor tem sido abordado pelo cartão de crédito, pelo gerente do banco, pelo vendedor de financiamento, pelo call center da seguradora, no caixa das lojas de varejo e por muitos outros profissionais ávidos por ofertar proteção em caso de morte. A grande maioria dos consumidores hoje tem várias apólices. Juntas custam uma fortuna e oferecem uma proteção abaixo das expectativas do cliente.

Ninguém melhor que o corretor para assessorar o cliente sobre as coberturas necessárias para deixar os beneficiários em segurança caso ele venha a falecer antes de seus filhos terem condições de se sustentarem. Quem tem dívidas, pode livrar a família do ônus e proteger o patrimônio da família com o seguro de vida. E mesmo aqueles que tem patrimônio podem ter um seguro para arcar com custos durante o período de levantamento e divisão de heranças.

Os corretores podem mostrar aos clientes que as apólices de seguro são um investimento interessante, sobretudo quando o pior acontece. Ao contrário de muitos funcionários sem especialização, que ofertam o produto de forma comercial, ficando a impressão de ser algo desinteressante e utilizado como troca de favores.

A eficiência dos corretores no mercado de seguros fica evidente quando se levanta o número de queixas do setor na Superintendência de Seguros Privados (Susep) e nos órgãos de consumidores. Em ambos, as reclamações são inferiores a 1% do total das indenizações pagas, que superam 8,5 milhões anualmente. Com certeza isso conta muitos pontos a favor do corretor, que vende um produto complexo para a grande parte da população.

Por isso, só posso finalizar este artigo no mês que se comemora o Dia dos Corretores, com um enorme P A R A B É N S a todos aqueles profissionais dedicados, que priorizam e se dedicam aos seus clientes, tornando o seguro um bem necessário para tornar famílias e empresas sustentáveis. E não se esqueçam de aderir ao Código de Ética lançado pela Fenacor, um selo de qualidade que ficará cada vez mais em evidência depois deste “tisunami” financeiro mundial.

Artigo publicado na Revista Apólice – novembro/2008

 

 

O varejo como canal de distribuição de seguros*

Por Denise Bueno em 09/05/2008

O interesse pelo produto é motivado pelos ganhos. No Ponto Frio, único grupo que divulga informações sobre os produtos financeiros, o lucro total obtido em 2007 foi de R$ 89 milhões. A venda de seguro representou 95% dos R$ 73 milhões que vieram dos produtos financeiros. Em 2006, o ganho foi de R$ 53 milhões. “Desde 1998 vendemos o seguro de garantia estendida. É um produto muito bom. Agrada a todos. A rede, o vendedor, o consumidor e a seguradora”, diz Antonio Machado, diretor de vendas da Globex, dona da rede Ponto Frio.

O sucesso do varejo nas vendas sobre os bancos só foi possível após a adesão dos clientes ao cartão de crédito, para que a cobrança do seguro pudesse ser viabilizada. Um dos argumentos que destaca o varejo como melhor forma de chegar às classe C e D é que elas não vão ao banco por não terem conta bancária. Muitos dos que vão sentem-se mais à vontade na loja, onde o clima é propício para compras.

“Lá ele entra para comprar e é sempre bem atendido pelo vendedor ávido por ofertar tudo. Já no banco, as pessoas são barradas nas portas giratórias e o gerente nem sempre está disponível”, diz Alessandro Jarzynski, presidente da seguradora QBE, especializada em proteção financeira.

“O preço do seguro é diluído nas parcelas, assim não pesa para o consumidor. O varejo remunera muito bem o vendedor, que chega a ganhar um outro salário com a venda de apólices. O seguro não ocupa lugar na loja, representa baixo risco, é operado por terceiros e gera receita que compensa a perda operacional”, diz o consultor especializado em varejo, Alberto Serrentino, da Gouvêa de Souza & MD Desenvolvimento Empresarial.

Segundo ele, o seguro chega a representar em média 50% do lucro das redes varejistas. “Em umas mais, em outras menos. Mas a tendência é de que o seguro vai ganhar mais participação a partir de agora, com a consolidação de novos produtos”, diz. Trata-se de um canal de distribuição novo para as seguradoras, com cinco anos de idade. Praticamente as 20 maiores varejistas já acertaram suas parcerias. E há lojas menores que já aderiram ao produto.

Tipos de seguro

O seguro de garantia estendida e o prestamista estão consolidados. “Aos poucos, outros produtos são incluídos nas redes com sucesso e isso fará com que o Brasil supere o Chile, hoje o maior mercado na venda de seguros pelo varejo na América Latina”, informa André Rodolfo Feltrin, diretor de varejo para América Latina da Aon Affinity.

No Chile, bancos e seguradoras buscam esses canais para aumentar suas vendas. O mesmo acontece no Brasil. O presidente da MetLife, uma das maiores seguradoras de vida dos EUA, José Roberto Loureiro, disse que está em busca de parcerias no varejo para vender seguros. Geralmente os parceiros neste tipo de negócio costumam amarrar seus contratos por no mínimo cinco anos em razão dos investimentos em tecnologia para processar um elevado número de apólices de baixo valor. “E é preciso ter um atendimento ágil e sem ruído para não arranhar a imagem do varejista”, afirma Marcelo Teixeira, diretor da corretora Marsh.

Se houvesse estatísticas, seria possível afirmar que a Casas Bahia, maior rede varejista do País que não publica balanço, seria também a maior seguradora de apólices prestamistas, que quita o saldo devedor em caso de morte, invalidez ou perda temporária de renda. Também seria possível afirmar que seria a maior seguradora de garantia estendida, produto que dá um ou dois anos a mais de proteção ao produto ao vencer o prazo dado pelo fabricante.

Segundo dados da Susep (Superintendência de Seguros Privados), a venda de seguro prestamista em 2007 atingiu R$ 2,06 bilhões, alta de 45% em relação ao ano anterior. A Mapfre é a seguradora líder de vendas por ser a parceira da Casas Bahia, com prêmios de R$ 612 milhões. A seguradora do Bradesco, por exemplo, líder em concessão de crédito, tem apenas R$ 94 milhões em apólice prestamista.

O seguro de garantia estendida, responsável pela entrada do varejo na venda de seguros, movimentou R$ 1,18 bilhão em 2007. A Unibanco AIG, parceira da Casas Bahia neste tipo de proteção, é a maior, com R$ 1 bilhão em prêmios.

Antonio José de Araújo, gerente de produtos financeiros da rede Magazine Luiza, informa que um dos argumentos de venda do seguro de garantia estendida é que ele cria valor agregado. “Se a pessoa alega que pretende trocar de produto, como o celular, em um ano de uso, descartando o seguro de extensão de garantia de fábrica, o argumento é de que ao comprar um novo equipamento ele pode vender o usado com a garantia estendida, agregando valor à negociação”, diz o gerente do Magazine Luiza, que opera com garantia estendida desde 1999.

O assunto é levado tão a sério pelo grupo que no ano passado foi criada uma seguradora em parceria com a francesa Cardif, a LuizaSeg. Em 2007 foram vendidas 3,2 milhões de apólices, sendo 50% delas de seguro garantia. Ter como cobrar o seguro é o ponto-chave desta operação. Quando o cartão de crédito foi implementado, vários outros seguros puderam ser incluídos no portfólio de produtos financeiros. Hoje a rede oferta seguro de proteção financeira, seguro de vida e de acidentes pessoais que inclui o cobertura odontológica. Também tem o renda hospitalar, ofertado via telemarketing desde o mês passado. “Esse é o mais fácil de vender, tanto pelo apelo como pelo preço”, conta Araújo. O seguro residência aguarda o sistema tecnológico ficar pronto para ser disponibilizado aos clientes.

*Matéria feita com exclusividade para a Gazeta Mercantil

 

 

JMalucelli investe na emissão de apólice digital*

Por Denise Bueno em 03/04/2008

Ontem, a J.Malucelli Seguradora, especializada em seguro de garantias financeiras, emitiu a 100 apólice digital, dia de inauguração do sistema de certificação. “Foram oito meses de trabalho para desenvolver o programa para a emissão de apólices digitais. Mas o retorno dos nossos clientes e corretores foi fantástico”, diz João Gilberto Possiede, presidente da J.Malucelli.

A emissão digital será feita a partir de agora nas prorrogações, renovações ou novos contratos. A J.Malucelli emite uma média de 3,5 mil apólices por mês. “A cada 15 minutos sai uma apólice da seguradora”, orgulha-se Possiede. Segundo o executivo, o principal encantamento dos clientes é pela rapidez em ter a apólice emitida e pela economia que a iniciativa gera. Tudo isso conta pontos para se conseguir reduzir o custo do seguro.

Uma grande vantagem é a eliminação da fraude, apurada no passado e que trouxe muitas complicações para a imagem do produto. “O risco de fraude está totalmente eliminado”. Um dos incentivadores da implementação da apólice digital foi o ex-titular da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Renê Garcia. Durante sua gestão, iniciada no governo Lula e encerrada em julho do ano passado, ele teve de gerir vários problemas com fraude em seguro garantia.

Para tentar inibir as fraudes, Garcia baixou uma série de normas. Isso estimulou as seguradoras a buscarem formas mais simples e seguras. Segundo a J.Malucelli, a certificação digital foi uma das soluções encontradas para evitar que as informações de seus clientes sejam acessadas por terceiros. Além disso, o grupo investiu alguns milhões de reais em ferramentas ativas de proteção e solução para segurança dos internautas. Possiede cita a vantagem ecológica, pois não é necessário ter formulários em papel especial para as apólices e nem o gasto com cópias de documentos para reconhecimento de firmas em cartório.

A seguradora encerrou 2007 na liderança do ranking de vendas do segmento. O mercado de seguro garantia encerrou o ano com uma produção de R$ 346,2 milhões, superando os R$ 194,6 milhões obtidos por todas as seguradoras juntas em 2006. A J.Malucelli movimentou prêmios de R$ 174,5 milhões, 50% do market share.

O carro-chefe da seguradora são seguros que garantem contratos entre o setor privado e o governo. O grande crescimento tem vindo dos contratos de construção de usinas hidrelétricas. Outro produto de destaque dentro da empresa é o seguro de garantia judicial, onde a apólice libera os recursos dados como caução.

*Matéria da autora publicada na Gazeta Mercantil em 03/04/2008

 

 

Braskem renova apólice com limite de risco*

Por Denise Bueno em 19/12/2007

A Braskem acaba de renovar o milionário seguro das petroquímicas que compõem o grupo, que inclui também Ipiranga Petroquímica e Copesul.

A Braskem acaba de renovar o milionário seguro das petroquímicas que compõem o grupo, que inclui também Ipiranga Petroquímica e Copesul. A Unibanco AIG continua sendo a seguradora líder do contrato da Braskem, com participação da Bradesco e da SulAmérica. O IRB Brasil Re reteve a capacidade máxima do contrato automático de resseguros que mantém com parceiros estrangeiros, o que representou 16% do risco. O mercado internacional absorverá 84% do contrato, o que faz com que a definição do preço venha do exterior.

Em razão disso, uma equipe da Braskem e da corretora cativa do grupo, a OCS, fez uma série de apresentações para os resseguradores internacionais. Segundo Isabel Figueiredo, diretora de logística e suprimentos da Braskem, vários fatores garantiram um preço diferenciado.

Segundo ela, a Braskem tem investido nas recomendações dos resseguradores para melhorar a taxa do seguro do grupo. Em 2006, por exemplo, investiu R$ 10 milhões em sistemas de detecção de gases. “Neste ano, investimos US$ 2 milhões em válvulas que separam a linha de produção do estoque”, conta, sem revelar o valor do prêmio pago pelo programa de seguro. Outro ponto positivo foi ser integrante do ISE (Índice de Sustentabilidade Empre-sarial), da Bovespa, do qual participam apenas empresas com programas de responsabilidade social e ambiental.

A inclusão das petroquímicas Ipiranga também ajudou, uma vez que dá poder de barganha pelo aumento do volume a ser negociado. “A Copesul já era negociada em bloco pois o grupo Braskem era co-controlador”, informa Marcelo Neves, responsável pela área petroquímica na OCS. As instalações petroquímicas seguradas têm valores em risco de US$ 8,9 bilhões em danos materiais e de US$ 2,6 bilhões para interrupção de negócios, totalizando US$ 11,5 bilhões.

O contrato de seguro da Braskem prevê um (LMI) Limite Máximo Indenizável de US$ 1,9 bilhão, que é a perda máxima que o grupo pode sofrer com acidentes. Caso ocorra um acidente que consuma indenizações de US$ 1 bilhão, por exemplo, no dia seguinte a capacidade do contrato de seguro volta a ser de US$ 1,9 bilhão novamente, em razão da cláusula de integração automática, explica Neves.

*Matéria da autora publicada na Gazeta Mercantil em 19/12/2007, Finanças, B-3

 

 

Acidente da Tam pouco afeta balanço de seguradoras*

Por Denise Bueno em 26/07/2007

O maior acidente aéreo do Brasil, com a aeronave da TAM, ocorrido no último dia 17, trará impactos para o mercado de seguros, mas não afetará fortemente o balanço financeiro das seguradoras. Tão pouco os das seguradoras internacionais. Também não causará aumentos significativos de preço no seguro aeronáutico mundial, que até o primeiro semestre deste ano apresentava um saldo positivo entre receitas e indenizações.

Muitas pessoas desconhecem que as seguradoras operam em um regime de mutualismo. Ou seja, aqueles que querem se previnir de um risco, pagam um valor para garantir que terão direito a uma indenização caso ocorra um risco previsto em contrato. Esse dinheiro pago, chamado de prêmio, compõe um fundo para fazer frente aos pagamentos futuros. Os clientes que tiverem acidente recebem uma parcela do patrimônio deste fundo em forma de indenização para retomar os seus negócios. Caso não haja acidentes, o valor pago por todos vira lucro das companhias que administraram o contrato de risco. Aqueles clientes que tiveram um ano feliz, sem acidentes, podem ganhar condições mais favoráveis na renovação do contrato.

Atualmente, o preço do seguro de aeronaves apresenta uma redução de 20%, de acordo com um relatório da Willis, terceira maior corretora do mundo, em razão das receitas estarem equilibradas com o volume pago de indenizações. Entre 2002 e 2006, as perdas (US$ 5,7 bilhões) representaram 40% dos prêmios (US$ 14,1 bilhões). Isso gerou ganho de US$ 8,4 bilhões para o mercado, o que possibilita que as seguradoras baixem os preços para conquistar mais clientes. Para 2007, a expectativa é de que os preços continuarão em baixa, mesmo com o acidente da TAM. Até 30 de junho, ocorreram 11 acidentes fatais, o menor índice da história do setor aéreo.

A TAM tem uma apólice de responsabilidade civil, para indenizar danos materiais, corporais e morais causados a terceiros com valor de até US$ 1,5 bilhão. Este será o contrato que servirá de base para o pagamento de indenizações aos familiares das vítimas fatais. Além deste contrato, outra apólice garante os prejuízos com a perda da aeronave, estimado em aproximadamente US$ 40 milhões. segundo informação de fontes do mercado de seguros. A seguradora líder destes dois contratos é a Unibanco AIG, com participação da Bradesco Auto RE, empresa do conglomerado Bradesco. Ambas ficaram com apenas 5% do risco. Para distribuir 95% do risco da TAM, foi contratada a corretora de resseguros Guy Carpenter, do grupo Marsh.

A experiência dos seguradores mostra que o valor para indenizar os familiares das vítimas é mais do que suficiente, mesmo sendo esse o maior acidente aéreo do País. As empresas em vôo doméstico são obrigadas a contratar um seguro similar ao DPVAT usado em automóveis, chamado Responsabilidade das Empresas de Transporte Aéreo (Reta), com valores indenizatórios aos passageiros e terceiros no solo ou no ar. Hoje o valor chega a algo próximo a R$ 15 mil por passageiro.

Além deste seguro obrigatório, há o seguro de vida pessoal de cada uma das vítimas e outro pela responsabilidade direta da empresa aérea, definido pelo Código do Consumidor. Segundo o advogado especializado em seguro, Antonio Penteado Mendonça, a lei brasileira serve de base para calcular o valor da indenização aos familiares das vítimas. “O cálculo leva em conta quanto a pessoa ganhava, a idade, quanto faltava para completar 70. Se a vítima estivesse empregada, acrescenta-se ferias, décimo terceiro. Do valor encontrado, debita-se um terço que seria o gasto pessoal no período”, disse Mendonça. Esse cálculo simples é apenas um exemplo didático e tendo como base que a beneficiária seja uma viúva. “Para pais e filhos o cálculo é diferente”, acrescentou.

Além da indenização por esse tipo de perda, há outra pelo dano moral, que no Brasil tem sido de 200 salários mínimos por dependente de vítima fatal. No acidente de 1996, com 99 vítimas, a Unibanco e a TAM ofereceram aos familiares indenização de R$ 145 mil. Outros acordos menores foram ofertados para as vítimas em solo. Algumas famílias aceitaram e outras optaram por entrar com ação nos Estados Unidos, sede de empresas que poderiam ser consideradas culpadas pelo acidente, como Northrop Gruman, que fabricou o sistema de relés do Fokker-100, e a Teleflex, empresa responsável por um sistema de cabos de segurança da aeronave.

No acidente da Gol, que ainda aguarda a finalização das investigações, menos de 25 familiares aceitaram o acordo proposto pela seguradora. Rosane Guthjar, 49, viúva de uma das vítimas do acidente da Gol, recebeu uma proposta da SulAmérica de R$ 400 mil, mas não aceitou. “Se aceitasse, teria de desistir de outros processos no Brasil e no exterior”, disse Rosane, que tem prestado ajuda aos familiares das vítimas da TAM.

Ela aguarda, juntamente com mais de 100 famílias, o julgamento do processo de pedido de indenização aberto nos Estados Unidos contra a ExcelAir, empresa responsável pelos pilotos do Legacy. “Eu quero que eles sejam punidos pela irresponsabilidade que já ficou comprovada pelas investigações. Eles não sabiam operar a aeronave e sem fazer um curso ou estudar procedimentos básicos foram para o espaço aéreo e deu no que deu. Se eu pego o meu carro e dirijo a 160 quilômetros por hora numa via urbana, sem ligar o farol à noite, sem usar cinto de segurança e ultrapassando o farol vermelho, sou responsável caso cause um acidente, pois para ter a carteira de motorista tenho de cumprir regras, como passar por um curso básico de segurança”, disse a viúva.

Como as causas do acidente podem recair sobre diversas empresas, há muita gente envolvida na investigação. Mesmo sendo a empresa aérea obrigada a indenizar as vítimas, ela pode entrar com uma ação regressiva para cobrar da empresa responsável pelos prejuízos causados com o acidente, caso não seja ela. No caso da TAM, as investigações giram mais em torno da responsabilidade da empresa aérea e da Infraero. “Todas elas têm interesse de que as causas do acidente sejam bem esclarecidas e por isso acompanham as negociações”, disse uma outra fonte próxima da investigação.

No acidente da Gol, em 2006, por exemplo, cinco empresas envolvidas poderiam ser responsabilizadas: a empresa aérea, a Boeing, fabricante do avião, caso a culpa fosse atribuída a uma falha do equipamento; a Embraer, caso o Legacy fabricado por ela tivesse apresentado defeito e isso tivesse sido a causa do acidente; e a ExcelAir se os pilotos do Legacy forem responsabilizados nas investigações finais; e da Infraero, caso seja detectado falha na comunicação entre as torres e os pilotos.

O trabalho dos especialistas contratados pelas seguradoras é necessário e amparado pela International Civil Aviation Organization (ICAO), que define padrões mundiais para aviação. A investigação do acidente está sendo conduzida pelo Serviço de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Sipraer), que segue as normas da ICAO. “Quando finalizada, o resultado da investigação se tornará público. No entanto, mesmo que determine os culpados do acidente, o laudo não pode ser usado em processos judiciais. Ele serve apenas para prevenir outros acidentes”, explicou um advogado especializado em direito aéreo.

*Matéria escrita pela autora para a revista Forbes, em julho de 2007

 

 

Usina do Madeira gerará R$ 350 milhões em apólices*

Por Denise Bueno em 12/05/2007

O consórcio Madeira Energia – através de um pool do qual a OCS Corretora de Seguros, do grupo Odebrecht – começa a dar prosseguimento ao pacote de seguros para respaldar o “projetc finance” desenvolvido para o financiamento da construção da hidrelétrica Santo Antonio, no Rio Madeira. Os gastos com seguros deverão representar algo próximo a 3,5% do valor de construção do empreendimento, estimado em R$ 10 bilhões.

Ou seja, somente este projeto (ver mais detalhes na página C2) trará para o mercado de seguros algo próximo a R$ 350 milhões em 2008 com apólices diversas, que vão desde a garantia de contratos entre os integrantes do consórcio até o dano causado a um equipamento no percurso entre a fábrica e o complexo de obras. “Buscamos identificar, quantificar e mitigar os riscos de todas as etapas da operação. O objetivo é assegurar o início da operação e o repagamento da dívida contraída e assim estimular que outros projetos deste porte tenham investidores dispostos a apostar seus recursos com um custo de financiamento menor em razão do gerenciamento dos riscos”, informa Laudelino Soares, diretor OCS, trabalhou no programa de garantias.

Dois importantes agentes envolvidos no projeto, Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) determinaram a contratação de programas de seguros como uma forma de mitigar o risco e garantir a finalização do empreendimento.

Unibanco AIG lidera pool O BNDES publicou condições para financiamento do projeto, entre elas a apresentação de seguro garantia. As apólices serão compradas antes de começar a obra e visam assegurar o cumprimento dos contratos entre as diversas empresas envolvidas. A Unibanco AIG é a líder dos contratos de seguro garantia, juntamente com a J Malucelli e Áurea, que tem entre seus acionistas Bradesco e Munich Re.

Já os seguros que envolvem a construção foram exigidos no edital da Aneel. Para assinar o contrato de concessão, previsto para maio de 2008, segundo cronograma oficial, o Consórcio Madeira Energia terá de apresentar atestado de viabilidade do programa de seguros, emitido por uma seguradora de eficiência comprovada no segmento.

Nesta fase de construção da hidrelétrica, com capacidade prevista em 3,15 mil MW, estão previstos vários tipos de proteção e aqui a concorrência entre as seguradoras será muito acirrada. Isso porque muitas companhia estrangeiras e nacionais anunciaram investimentos na criação de uma diretoria focada em programas de seguros para o setor de energia.

Os seguros mais comuns para garantir eventuais prejuízos em um projeto deste porte são: risco de engenharia, danos materiais, erro de projeto, de fabricação de equipamentos, tumultos greves, transporte nacional e internacional dos equipamentos, responsabilidade civil para indenizar terceiros prejudicados com a construção, risco de contaminação ao meio ambiente, entre outros. “Se uma turbina for danificada durante o transporte e isso atrasar a entrega da obra, por exemplo, poderá haver cobertura para a perda de receita esperada em razão do acidente”, explica o executivo.

Por conta dos princípios de pulverização de riscos grande parte dos contratos, tanto de seguros dos riscos de construção como de seguro garantia, será repassado ao mercado internacional em forma de resseguro. Muitas resseguradoras estrangeiras se preparam para atuar no mercado brasileiro a partir de 2008, quando terá início a abertura do resseguro, há mais de 65 anos uma operação monopolizada pelo IRB Brasil Re. Segundo depoimento dos estrangeiros, o investimento em energia no Brasil era um dos fatores que tornava o País atrativo para este setor.

Será formada pelo consórcio uma Sociedade de Propósito Específico (SPE). Assim que ela for criada, se prevê a compra do seguro Director & Officers (D&O), para garantir perdas que os administradores possam sofrer com ações judiciais de pessoas que se sintam prejudicadas com a gestão da SPE.

Segundo Soares, com um empreendimento desta natureza o mercado de seguros começa a se adequar às práticas internacionais. Um exemplo disso foi a criação do sistema de peritos independentes, que vão acompanhar o andamento das obras, para evitar dúvidas e discussões em casos de sinistros. “É um mecanismo mas ágil e menos burocrático, vital para se mostrar que o seguro garantia é um instrumento eficiente para garantir as obrigações contratuais.”

*Matéria da autora publicada na Gazeta Mercantil em 12/12/2007, Finanças, B-2

 

 

Na área de corretagem, nova onda de fusões

Por Denise Bueno em 12/03/2007

O crescimento da competição no setor de seguros, a padronização de produtos e a redução de custos por parte das seguradoras, aliados a abertura do mercado de resseguros, têm mudado o dia a dia dos corretores de seguros, que apenas começam uma fase de consolidação, prevê o consultor Dario Guarita, sócio da Guarita e Associados. Com uma extensa lista de aquisições e fusões da qual participou como sua experiência, o consultor acredita que terá muito trabalho daqui para frente.

“As maiores corretoras do mundo, como Marsh, Aon e Willis, tiveram sua história de crescimento marcada pelas fusões com corretores pequenos e médios, regionias e especializados. E é verdade. Aqui no Brasil a Aon já comprou pelo menos uma dezena de corretores especializadas em nicho ou regionais, bem como a Willis que comprou a Athos. A última negociação anunciada no final de 2006 foi a compra pela Lazam MDS da Providence. Temos também a ADD Markler e a Harmonia que se associaram, bem como a Reali Vidanova e a Euroamerica.

Os corretores médios precisam fazer frente a concorrência dos grandes, principalmente agora que necessitam negociar o resseguro de seus clientes. E para isso é preciso reduzir custos, num momento em que a comissão já foi achatada pelas seguradoras em razão do aperto no bolso do consumidor. “O que não é diferente da realidade dos bancos, com inúmeras negociações na busca pelo ganho de escala. Os grandes precisam aumentar o faturamento e diluir os custos para potencializar os resultados”, disse.

Em 2006, o faturamento com seguros, previdência e capitalização foi de R$ 73 bilhões. O Brasil conta com 62 mil corretores de seguros, sendo 40 mil individuais e 22 mil com empresas abertas. O corretor participa ativamente apenas das vendas de seguros, ficando previdência e capitalização com a comercialização focada nas agências bancárias. Considerando-se as vendas de seguros de R$ 56 bilhões e um índice de comissionamento de 12%, as corretoras obtiveram faturamento de R$ 6,5 bilhões. Na década de 90 a comissão chegava a 35% “Hoje é preciso agregar muito serviço para justificar ao consumidor o carregamento no valor do produto”, considera o consultor.

*Matéria da autora publicada na Gazeta Mercantil

 

 

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